sexta-feira, 5 de outubro de 2012

As animações adultas do mundo Nick




A década de 1990 e início dos anos 2000 para muito foi considerado o final de um período que se não chegou ser a segunda era de ouro da animação ao menos apresentou temas mais profundos em produções cartoons voltadas para público infanto-juvenil. Alguns amenos explorando o universo da pré-adolescência em suas mudanças, às vezes apresentando tons dramáticos nos episódios, como Doug (1991-1994 e 1996-1999) e Hey Arnold! (1996-2004) produzidos pela Nickelodeon enquanto outros ficaram marcados por polêmicas, censuras e até banimento.

Desenhos a exemplo de A vida moderna de Rocko (1993-1996) traziam temas mais ligados ao mundo adulto envolvendo o cotidiano no qual retratavam problemas desde relacionamentos às críticas sociais em situações cômicas já outros exploravam o humor escrachado em momentos absurdos apelando para a insanidade dos que participavam daqueles shows como os mostrados em Ren & Stinky (1991-1995 e 2004) e Invasor Zim (2001) que se aventurava numa ambientação sombria beirando ao gênero terror da ficção cientifica.

Cultuados por muitos, mas também repudiados por tantos da mesma maneira esse tipo de nicktoons (denominação para as produções animadas de autoria da Nickelodeon) deixaram de ter continuidade não apenas em suas temporadas, contudo, como seguimento dando espaço para desenhos de conotação mais branda a exemplo de Os padrinhos mágicos (1998-presente) e do próprio Bob Esponja (1999-presente) que apesar da leveza voltado a divertir pela simplicidade guardam alguns poucos desse resquício de humor ácido.

Sem dúvida alguma Ren & Stinky além de ser um dos primeiros nicktoons produzidos é disparado o desenho mais problemático criado até hoje pelos estúdios da Nickelodeon. Dotado de um humor extremamente corrosivo como poucas vezes mostrado numa animação direcionada para o público infantil o programa girava em torno de Ren, um cão chihuahua estressado, que morava com Stinky, um gato de personalidade meiga, e passa a descontar no amigo a frustração decorrente situações nas quais terminam envolvidos quase sempre ocasionados pelas trapalhadas do gato.

Considerado clássico cult da animação adulta, apesar de não ter sido essa a proposta inicial, as aventuras vividas pelos personagens fazem pesadas críticas sociais através de uma ambientação que lembra as mostradas em Tom and Jerry e Pica-Pau da fase cinquentista, entretanto, beirando a insanidade de alguns que participam do show grosseiramente divertido. Circunstâncias repletas de excrementos, torturas e até insinuações sexuais são base para piadas aparentemente fora do contexto e de forte repulsão direcionado a poucos.

Os episódios procuravam mesclar elementos comuns da comédia pastelão onde os protagonistas buscavam aprontar alguma traquinagem, mas terminava com uma série excessiva de escatologia humorística chegando ser considerado subversivo aos valores morais e do aceitável sendo dessa forma impróprio para crianças já que fora o forte teor ácido Ren apresentava características de ser supostamente esquizofrênico enquanto Stinky, devido sua inocência, era alvo da fúria do cãozinho de personalidade deturpada, dúbia e pouco cativante.

Após o cancelamento em 1995, por sinal durou muito mais tempo do que esperado devido tantas polêmicas, a criação do cartunista canadense John Kricfalusi, que concebeu Ren & Stinky no final dos anos 80, contudo, devido implicações internas da Nickelodeon estreou apenas durante início da década de 1990, o estúdio baniu a produção da sua programação devido à acidez exacerbada retomando as transmissões há poucos anos nas madrugadas dos fins de semana no bloco Nick@nite que normalmente passa produções já extintas.


ADULT PARTY CARTOON

Em 2004 numa parceria com o canal pago Spike Ren & Stinky ganharam uma temporada extra direcionada exclusivamente ao público adulto intitulada Adult Party Cartoon contendo nessa fase nove episódios sendo alguns antes nunca exibidos pela Nickelodeon, outros tornando explícito algumas passagens de cena e a recuperação de cortes indesejados.

Ver garotas corpulentas nuas em situações que se não diretas, mas remetessem ao ato sexual a exemplo da felação e sodomização representadas por relações implícitas como da mesma maneira em notar diversas ereções do protagonista canino deparado esses momentos tornou-se normal.

A transformação psicótica de Ren nessa versão, virando literalmente um demônio, culmina com a revelação perturbadora de que no passado, quando criança, ele torturava pequenos animais enquanto seu pai, um padre pervertido, não dava atenção as atitudes do filho.



Rocko é um marsupial urbano que vive com Spunky, seu cão de estimação, numa cidade fictícia americana. Tímido, responsável e pacato trabalha numa loja de quadrinhos procurando levar uma vida normal, mas devido seus conhecidos excêntricos, entre eles Vacão, seu melhor amigo, termina envolvido em situações constrangedoras contrariando a deseja tranquilidade e por isso acaba terminando o dia quase sempre esgotado por ser usado pelos os que convivem com ele abusando da sua boa vontade.

A premissa adulta apresentada em A moderna vida de Rocko terminou chamando atenção mais de pessoas já com algum certo desenvolvimento do que das crianças e foi considerado uma das primeiras versões de sitcoms animadas. Comentários envolvendo criticas sociais & políticas, casos abordando amor, adultério, trabalho, a vida cotidiana em si através de piadas, algumas de duplo sentido e conotação sexual leve, fez de Rocko um dos personagens mais bem aceito pela Nickelodeon mesmo tendo algumas polêmicas em torno de seus episódios.

Criado pelo designer californiano Joe Murray que durante certo tempo desenvolveu vinhetas para MTV nos anos 80, entre elas uma contando com a presença de Vacão, futuro integrante da série, e tendo participação no projeto, Stephen Hillenburg, responsável pela concepção anos mais tarde de Bob Esponja. A moderna vida de Rocko trazia personagens simbólicos como Felizberto, uma tartaruga que lembrava o cineasta Woody Allen com seus óculos, falas e manias; e a família de Vacão ser composta por lobos mostrando que ele era o único diferente dali.

O clico do sempre simpático marsupial chegou ao fim na televisão em 1996, ficando no ar durante três anos, tendo tido quatro temporadas e somando no total 52 episódios dentre alguns cujo foram substituídos nas transmissões originais por causa do conteúdo de suas estórias desenvolvendo passagens adultas demais para crianças. Após cancelamento o programa continuou ser um dos mais lembrados pelos fãs fazendo que fosse lançado ano passado a primeira coletânea em DVD nos Estados Unidos, mas ainda indisponível no Brasil.


ROCKO NOS QUADRINHOS

Como também aconteceu com Ren & Stinky que passaram a ter publicações periódicas de suas aventuras torpes em quadrinhos produzidas pela Marvel o mesmo destino teve A moderna vida de Rocko, cujo objetivo inicial era justamente para ser uma história em quadrinhos ao invés de uma série animada, sendo desenvolvida paralelamente ao programa da televisão.

A trajetória pela arte sequencial foi rápida, teve apenas sete publicações no ano de 1994, mostrando quanto era conturbada a vida de Rocko na sociedade daquela época na cidade de O-Town em meio confusões provocadas por seus amigos, similar ao que já era apresentado da mesma maneira no desenho animado.

Sendo publicado uma única vez a cada mês, de junho à dezembro, as histórias em quadrinhos com ar nostálgico dos anos 80, principalmente pelo grafismo e cores, nunca chegaram serem lançadas no Brasil.



Talvez Invasor Zim tenha sido o nicktoon mais injustiçado pelos estúdios da Nickelodeon tendo sido cancelado prematuramente no meio da segunda temporada. Com uma trama elaborada a partir de uma suposta invasão alienígena ao planeta Terra no qual teria o extraterrestre Zim como espião para consolidar o ataque juntamente com Gir, um robozinho defeituoso, que passa ficar acostumado com elementos terrestres, exemplos, esquilos, waffles e um porquinho de pelúcia além de se fantasiar de cachorro verde para interagir em meio aos humanos.

As tentativas de dominação de Zim acontecem num futuro sombrio, um tanto decadente, onde as pessoas passam a não importar com o que acontece em sua volta chegando a serem paranóicas e egoístas, entretanto, Dib, um garoto que conhece a verdade por traz de Zim, passa combatê-lo de todas as formas para garantir a vitória da raça humana sobre os alienígenas invasores na guerra travada apenas pelos dois sejam ocorridas na vizinhança de suas casas (eles são vizinhos) ou na escola chamada simplesmente de Skool.

Bastante elogiada a série apresentava elementos da cultura pop em evidência na composição dos episódios fazendo analogias à filmes como Alien - O oitavo passageiro, celebridades a exemplo de Arnold Schwarzenegger na produção Predador, aos programas de televisão cujo objetivo é solucionar mistérios sobrenaturais, mas, também apresentava criticas relacionadas a sociedade e política exemplificada num incidente no qual a eleição da Skool para eleger o novo representante dos alunos os candidatos eram selecionados por máquinas pelo baixo nível intelectual.

Criado pelo cartunista Jhonen Vasquez, conhecido por quadrinhos alternativos da Slave Labor Graphics, a exemplo do sombrio Johnny the homicidal maniac, Invasor Zim foi visto como uma animação gótica de uso excessivo do humor negro e da violência terminando sendo tirada do ar sem maiores explicações deixando incompleto ainda alguns desenhos inacabados e o projeto do longa-metragem que concluiria a série intitulado Invader Dib que seria o garoto humano atacando o planeta natal de Zim numa inversão de papéis.


INVASOR ZIM, O JOGO

Devido o cancelamento do desenho animado, antes do previsto para encerramento, e da boa aceitação dos personagens entre o público jovem, sem necessariamente serem crianças, Invasor Zim ganhou versões para videogames entre eles PS3, Wii e XBox 360 da aventura interplanetária envolvendo Zim, Gir e Dib.

Mesmo há mais de dez anos sem novas temporadas Invasor Zim continua sendo um dos cartoons mais populares da Nickelodeon o que de certa forma justifica o desenvolvimento do personagem em outras mídias como jogos e sovineis como pelúcia, mouse pad, camiseta e chapéus continuam a ser produzidos por subsidiárias do estúdio.

Apesar de nunca ter sido descartada oficialmente a conclusão dos episódios inacabados da segunda temporada para as vendas de dvds, um dos mais vendidos da Nickelondeon, é provável que cheguem serem lançados numa coleção futura.


Ainda há outros nicktoons que podem ser considerados voltados ao público mais amadurecido entre eles Ginger (2000-2009), que narra o cotidiano de uma garota no primeiro grau escolar preocupada com problemas relacionados ao mundo adolescente como valor das amizades, popularidade e romances; Os castores pirados (1997-2001), uma versão mais leve de Ren & Stinky e de humor mais refindado comparado aos antecessores e mesmo assim contendo algumas polêmicas; e Catdog (1998-2001) talvez o mais fraco dos apresentados.

2 comentários:

  1. Sou louca por desenhos animados, mas confesso que essa modernidade, não só nos desenhos como nas séries infantis me desanima. Hahaha

    ResponderExcluir
  2. Ja eu gosto bastante dessa modernidade, acho importante te-la ali e é realmente divertido xD Sobre o jogo de Invader Zim p xbox, voce saberia me dizer o nome?

    ResponderExcluir

"O pensamento é o ensaio da ação." (Sigmund Freud)
Pode também entrar em contato através do e-mail allanlemos@hotmail.com