terça-feira, 9 de outubro de 2012

Diários do alquimista da contracultura


Falar de Andy Warhol é ter a certeza de explorar uma mente que desconstruiu as artes gráficas em sua essência apesar da controvérsia presente em algumas obras. Designer de formação, crítico por vocação que não deixava o mínimo detalhe passar desapercebido e rigorosamente provido de comentários afiados, assim era ele, um homem que mesmo após morrer continuou a provocar o mundo artístico através das observações peculiares apresentadas na forma de diário originalmente publicado pela Warner Books.

Diários de Andry Warhol não chega ser considerado um livro biográfico e não trás informações de caráter pessoal sobre a pessoa título, na verdade é a compilação de passagens de suas vivências realizadas dia-a-dia: o que tinha feito, quem teria encontrado e sua percepção sobre determinado assunto. Personalidades como Mick Jagger, Pelé, Martin Scorcese, Jim Morrison são temas de algumas ponderações do Rei do Pop (sem relação ao título de Michael Jackson) apresentado por uma ótica mais humana, mesmo que para isso fosse ácido nas conotações.

O projeto foi desenvolvido entre os anos de 1976 a 1987 (data de seu falecimento) em parceria com a escritora e também artista Pat Hackett onde manteve contato diariamente ao telefone e narrava acontecimentos do dia anterior, quase sempre relacionado a vida cultural novaiorquina, apresentações em jantares, eventos sociais, mostras de arte, shows ou qualquer situação que contasse com sua presença. Tantas participações renderam quase 800 páginas transformadas inicialmente num único volume, mas agora dividida em dois.

No Brasil a primeira publicação do livro se deu em 1989 pela editora L&PM e mais de vinte anos depois retornou em versão de bolso e no formato tradicional confirmando que apesar dos quase trinta de morte de Andy Warhol sua análise crítica continua tão atual desde sua época e presente como nunca reafirmando a tese, dita pelo próprio, de que no futuro todos terão os quinze minutos de fama. As passagens descritas apresentam o retrato vanguardista do último ápice da cultura moderna do século XX em meio pomposidades da sociedade verdadeiramente pop.

Ler Diários de Andy Warhol é ter conhecimento real, ao menos no ponto de vista do autor, das celebridades daquele momento despidas do marketing, publicidade e mitos em torno delas, é um contanto direto e sem rodeios apresentados através uma linguagem simples no qual contém informações irrelevantes para alguns e complementares para outros. É ver comportamentos num ambiente recatado e paralelamente profano composta de pequenas particularidades vivenciadas por alguém que tinha o que realmente transmitir.
















A FIGURA WARHOL

Considerado por muitos à frente do seu tempo Andy Warhol esteve presente em alguns dos mais importantes movimentos ligados a arte já no quase final do Século XX, tendo no pop art como um das suas maiores contribuições no meio cultural sendo apresentado numa grande variedade de mídias: conceito gráfico, audiovisual e literário.

Famoso pelo temperamento controverso e ácido, mas de uma compreensão artística vista como em poucos criou de certo modo trabalhos de contexto simples, entretanto, de conteúdo complexo revelando entre outras coisas que figuras públicas eram resultados vazios de uma indústria fútil e sem relevância aparente.

No design passou por revistas conceituadas como Vogue e Harper's Bazaar já na área envolvendo produto refletindo representações artísticas ou vice-versa, talvez a série das latas Campbell seja sua obra mais conhecida e de maior impacto dividindo opiniões sobre a significância mostrada. 

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"O pensamento é o ensaio da ação." (Sigmund Freud)
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