segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Não basta julgar, tem de ser o carrasco

Reboot de O Juiz (1995), estrelado por Sylvesyter Stallone, o filme chega ser mais violento até sendo exageradamente chamado de "impróprio para humanos" como dito na Folha de São Paulo, a violência não chega para tanto, narrando o dia-a-dia de patrulheiros conhecidos como juízes que além de terem a dura missão de capturarem marginais precisam também julgar, condenar e aplicar as punições durante o transcorrer das ações e quando necessário sentenciar à morte.

Não se pode esperar muita coisa fora sequências repletas de adrenalina, mas essa é a proposta: entreter através da sanguinolência, sem precisar elaborar um roteiro complexo, aprofundamento das personagens ou buscar provocar algum laço afetivo seja por simpatia espontânea ou trajetória apesar de que aqui não existe uma variedade abundante de figuras tirando os centrais os demais são similares desempenhando a função de vítima ou bandidos, às vez ambos.

A trama gira num futuro devastado onde quase inexiste lei, as pessoas passam residir em edifícios cada vezes maiores, fortificados e sujos dominados por facções criminosas. Em um dia de trabalho como outro qualquer o experiente juiz Dredd (Karl Urban) termina sendo incumbido de avaliar a aspirante Cassandra Anderson, que possui poderes psíquicos, mas acabam emboscados enquanto realizavam a prisão de um traficante no qual precisarão aniquilar todos que se colocarem no caminho até acharem uma saída.

Sem maiores novidades no desenvolver da estória o ponto forte fica por conta do 3D bem utilizado em sequências ora realçando o ambiente ora destacando a brutalidade com balas perfurando tórax ou esfacelando rostos. Outro fator é a inexploração do personagem título, Dredd, estando presente para combater inimigos e aplicar a lei sob qualquer custo, mas pouco se sabe sobre ele e até termina ajudando nesse sentido aumentando o mistério que o envolve.

Comparado ao longa-metragem anterior este é o que mais está próximo das esquetes em HQ envolvendo o juiz Dredd, violento e de fácil resolução nos casos apresentados onde normalmente o poder da bala é a resposta para todos os problemas. Pode não ser o melhor filme em cartaz no momento, passa bem longe disso, mas diverte pela ação e como se desenvolve tornado assim agradável para quem aprecia tal seguimento.


NO UNIVERSO DOS QUADRINHOS

Criado na década de 70 pela dupla John Wagner e Carlos Ezquerra para a revista inglesa 2000 A.C, especializada em contos de ficção científica, o juiz representa a ordem num futuro decadente no qual criminosos passam imperar através do medo das pessoas perante a sociedade corrompida.

As aventuras de Dredd não são extensas e quase sempre poucos elaboradas no qual traz o oficial da lei estourando cérebros e os jogando contra paredes, outra característica que deve ser levada em consideração é o humor negro presente em algumas situações.

No Brasil pouca coisa do personagem foi publicada, mas volta e meia apareceu no mundo da DC Comics, precisamente, em tramas do Batman. A primeira numa das passagens mais sombrias na minissérie intitulada Julgamento em Gotham (1991), Vingança em Gotham (1995), A Charada Definitiva (1998) e em outra minissérie de três partes Morra Sorrindo (1998).


O PRIMEIRO FILME

Apesar de Silvestre Stallone ser fisicamente um melhor Dredd do que Karl Urban na nova adaptação e de contar com atores premiados como o sempre competente Max von Sydow ou outros de destaque a exemplo de Diane Lane e Rob Schneider além de uma boa caracterização o filme produzido pela quase extinta Hollywood Pictures, propriedade da Disney, terminou não agradando por mudar radicalmente o enredo envolvendo o personagem e diminuindo a violência esperada.

A trama pouco envolvente trás o juiz sendo acusado por um assassinato que não cometeu e uma rede de intriga relacionada aos comandantes da lei, mas parecendo trabalhos anteriores de Stallone como Condenação Brutal (1989), Tango & Cash - Os Vingadores (1989), O Demolidor (1993) do que propriamente a figura marcante dos quadrinhos, sendo fracasso de bilheteira por ter arrecadado valores significativamente menores do que o custo da produção fazendo dessa forma inferior do que o novo filme.


O NOVO DREDD

Figurinha já conhecida no cinama de ação Karl Urban esteve em projetos como a adaptação do jogo de tiro em primeira pessoa Doom - A Porta do Inferno (2005), Desbravadores (2007) e Padre (2011) além de participações menores em dois filmes de O Senhor dos Anéis e Star Trek.

No filme atual interpreta o personagem tema e em nenhum momento retira o capacete, marca dos juizes patrulheiros, diferente de Stallone que passa a maior parte do tempo sem usá-lo. O Dredd vivido pelo ator norte-americano e que começou a carreira na série Hercules possui feição mais séria do que a da primeira versão.

Em resumo, além do filme lançado recentemente ser melhor do ponto de vista técnico como efeitos especiais, ambientação, roteiro é melhor também no quesito de desenvolvimento do personagem central apesar de Stallone ser aparentemente o Dredd saído dos quadrinhos o de Urban é mais parecido enquanto em ação.

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"O pensamento é o ensaio da ação." (Sigmund Freud)
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