segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Quando é o futuro que assombra o passado

Em cartaz a pouco mais de duas semanas a produção norte-americana apresenta uma implacável perseguição atemporal entre o agora ator sensação Joseph Gordon-Livitt e o mais do que calejado Bruce Willis num filme futurístico ambientado entre uma sociedade urbana decadente onde existe uma grande quantidade de desabrigados, diferentes graus de misérias espalhas pelas cidades, a violência presente nas pessoas que chegam atirar nas outras por motivos até certo ponto banais e um futuro ainda mais distante no qual é possível viajar no tempo.

Looper: Assassinos do Futuro trás a ideia que o melhor jeito de encobrir um assassinato é levar para onde jamais tenha acontecido, neste caso alguns anos antes, precisamente no ano de 2044 e quando as vítimas são teletransportadas para o passado estarão a sua espera assassinos conhecidos como loopers, entretanto, em determinado momento os loopers terão de assassinar suas próprias versões envelhecidas para manter o equilíbrio fechando assim o ciclo de atividades e a partir desse momento estarão livres para aproveitarem o tempo que lhes resta.

Durante o fechamento do ciclo de um dos loopers algo termina saindo errado devido ao fato que a versão envelhecida termina revelando a existência de um possível esquema para extermínio dos assassinos. Durante outro incidente Joe (Joseph Gordon-Livitt) termina sendo nocauteado pelo seu eu futuro (Bruce Willis), que retorna por vontade própria para tentar salvar a esposa, dando início uma intensa série de problemas envolvendo a chefia dos loopers e pessoas inocentes que possam ser os futuros responsáveis pela matança dos veteranos.

Enquanto Joe do presente ao poucos vai ganhando feições de "mocinho" acreditando que se matar a outra versão poderá ter sua vida retomada deparando também com uma fazendeira e o filho pequeno, já o Joe do futuro passa ser um dos antagonistas apesar sem ser essa sua real vontade, está tentando apenas assegurar a proteção da esposa mesmo que para isso tenha de matar o restante dos loopers liderados por um homem do futuro, Abe, interpretado pelo sempre excelente Jeff Daniels, que volta para organizar o grupo de mercenários, e crianças à contragosto.

Dar para definir o filme como uma exitante aventura dramática já que não se restringe somente aos tiros, mortes, sequências bem elaboradas de ação, mas o questionamento da vida em meio perdas tanto para o Joe do presente, o do futuro, a fazendeira solitária que surge no meio da tensão provocada por ambos e seu filho, apesar de muito jovem possui um grau elevado de entendimento dos assuntos que o cercam, apresentando um trabalho bem escrito e dirigido competentemente que irá satisfazer com um desfecho simples, mas de forte impacto.


O ANTI-HERÓI, HERÓI

Durante o desenvolvimento de Joe do presente é mostrado ao telespectador suas metas, exemplo, aprender falar francês e ir morar no país europeu, entretanto, para isso precisará economizar parte das suas recompensas servindo a organização secreta sendo capaz de entregar um companheiro quando esse sonho termina ameaçado.

Não dá para rotular o Joe vivido por Joseph GL como um sujeito mau apesar de ser um assassino, a projeção apresenta uma sociedade falida que não tem muitas escolhas e o personagem foi levado a esse caminho através do chefe dos Loopers da mesma maneira onde algumas mulheres tornam-se prostitutas da máfia por ser a possível saída.

A partir do momento quando depara ao tamanho do problema relacionado com seu eu futuro e as possíveis vítimas dessa versão envelhecida, entre elas a tal fazendeira e seu filho, a figura egoísta aos pouco vai dando espaço para uma pessoa mais consciente de seu papel na trama.


VILÃO, MAS SEM QUERER

Já com a estória devidamente explicada surge então a versão 30 anos mais envelhecida do protagonista aqui interpretado por Bruce Willis, contudo, completamente diferente dos planos traçados quando mais jovem e até certo ponto mais violento só que com razões para tal atitude, regressando por vontade própria para tentar manter a esposa a salva dos que fazem parte dos Loopers.

O objetivo é matar o suposto responsável pelo extermínio dos assassinos da organização mafiosa apenas conhecido por Rainmaker enquanto esse não passa de uma criança indefesa podendo assim cumprir a missão de proteger a devotada esposa, mas não exitará atirar a queima roupa em garotos cujo nem sabe se de fato são os supostos criminosos por trás da matança futura.

As cenas que o Joe do futuro está presente são poucas e quase sem diálogos refletindo somente a sua missão inglória de ter de acabar com mafiosos e crianças sem ao saber ter existo se cumprida.


A FAZENDEIRA SOLITÁRIA

Do meio para o final do filme relacionado a busca pelo pequeno Rainmaker a versão jovem de Joe termina entrando na vida de uma fazendeira, que vive somente com seu pequeno filho numa região afastada das grandes cidades como maneira de seguir a vida após uma fase complicada que levou ficar longe do filho durante alguns anos culminando dessa forma com a rejeição da criança pela mãe.

Sara, a fazendeira, demonstra ser uma mulher sofrida e sem ninguém além do próprio filho que possui uma rotina definida em apenas cuidar do garoto, os afazeres domésticos e garantir a proteção de sua plantação de cana-de-açúcar da qual retira o sustento da família.

Apesar da desconfiança ao ver o Joe do presente em suas terras e de temer ser uma pessoa má que possa fazer algum mal a mulher um tanto rustica passa a abrigá-lo por ter conhecimento de se tratar de um looper e do perigo que seu filho possa estar passando pela busca da versão envelhecida.


Mesmo contanto com um contexto de difícil entendimento abrindo a possibilidade da realizações de viagens atemporais, comum em muitos dos filmes do gênero ficção-científica, a produção escrita e roteirizada pelo cineasta Rian Johnson (A Ponta de um Crime, Vigaristas) não procura explorar aspectos envolvendo paradoxo temporal, os mecanismos que levam ao funcionamento da máquina ou as prováveis consequências de alterar o tempo presente e futuro.

As mudanças de ações, conceitos e personalidade durante o decorrer do anos podendo ser mais uma vez modificadas devido o encontro de uma pessoa em diferentes momentos da vida e a influência que podem causar em ambos, como acontece com um determinado personagem do filme ainda antes dos problemas principais, e a maneira de agir diante dessa situação no qual precisa estar preparado para sem ter muitas razões plausíveis executar a si mesmo.

Quando Joe presencia esse dilema de estar à frente de si 30 anos mais velho deparando com um homem as avessas do que era pretendido para seus planos futuros começa perceber que apesar de sua vontade planejada termina seguindo os caminhos apresentados pelo seu chefe, Abe, que revela parte do futuro apesar da discussão de não prosseguir, mas acontecendo demonstrando a questão envolvendo o destino das pessoas estarem traçados independente vontade.

Caminhando na contramão, Joe envelhecido terá além de combater a organização em busca das respostas desejadas também precisará enfrentar sua versão passada com a desvantagem de não poder assassiná-lo ao contrario do outro já que se isso ocorresse logo deixaria de existir em ambas dimensões, na qual regressou e na de sua devida época. A suposta complexidade do enredo ganha cabimento decorrente como os resultados vão sendo alcançados.

Provido de erros e acertos, bem mais acertos do que erros, o filme mostra uma faceta se não nova, mas certo ponto esquecida no cinema de entretenimento: novidades. Sem exagero, devido tamanha extensão do conteúdo proposto poderia ter acontecido uma trilogia até para explicar certas passagens e desenvolver melhor personagens interessantes porém poucos explorados, contudo, não deixa de ter os devidos méritos.

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"O pensamento é o ensaio da ação." (Sigmund Freud)
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