segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A lei tem limites, ele não tem

É bem verdade que durante todo período dos anos 80 Tom Cruise esteve presente em alguns dos maiores clássicos daquela geração como Negócio Arriscado (1983), A Lenda (1985), Top Gun - Ases Indomáveis (1986), Rain Man (1988) e seu grande trabalho, Nascido em 4 de Julho (1989). Consolidou a carreira através papeis galanteadores no qual rotineiramente encarnava o mocinho rebelde, mas no final superava adversidades e terminava com o par romântico à ele destinado.

A fama e o sucesso terminaram tornando-o, as devidas proporções, numa espécie de semi-deus hollywoodiano da era moderna. Desde então todas as produções das quais participasse exercia a função de protagonista, salve raras exceções a exemplo de Entrevista com o Vampiro (1994) onde dera vida ao antagonista sedutor vampiro Lestat, estrelou diversos gêneros desde ação presente em Missão Impossível (1996), clássico da espionagem, até dramas eróticos como De Olhos Bem Fechados (1999), último trabalho em vida do lendário cineasta Stanley Kubrick.

Já os anos 2000 não foram muito generosos reservando tumultos no divórcio com a também atriz Nicole Kidman, escândalos envolvendo a vida pessoal e sua religião, Cientologia. Esteve presente em alguns filmes bem sucedidos como Minority Report - A Nova Lei (2002), O Último Samurai (2004) e Colateral (2004) no entanto sem repetir o antigo sucesso levando ser subestimado em algumas oportunidades e quando dava entender destinado padecer no inquieto mundo à parte de Hollywood volta se destacar no início da década 10 do novo milênio.

A sua mais recente produção, Jack Reacher - O Último Tiro, é prova da nova fase vivida pelo ator assim como anteriormente em Missão Impossível 4 - Protocolo Fantasma (2011) e Encontro Explosivo (2010), agradando ao público e críticas, este aqui consegue desempenhar de maneira convincente sua função: levar para as telas do cinema uma trama recheada de espionagem, reviravoltas, teorias conspiratórias e um herói osso duro de roer.


CARA DE POUCOS AMIGOS

O personagem Jack Reacher é a personificação do herói enigmático, sisudo e nada amigável que termina sendo relacionado num misterioso atentando envelvendo cinco mortes e um atirador. Provido apenas da coragem, força física, algumas armas e um carro envenenado começa sua própria investigação para descobrir o motivo e os verdadeiros culpados pelos assassinatos.

Baseado numa série de livros de ação do escritor inglês Lee Child, pseudônimo de Jim Grant, onde literalmente quase nenhum livro foi publicado em terras tupiniquins, o andarilho implacável e também ex-militar condecorado demonstrar ser a versão moderna de Steve McQueen em Bullit (1968).

O jeito de averiguar as pistas, pouco amistosa, recorrendo normalmente à violência fazendo-se enquadrar no clássico tipo "durão", desprovido de meias-palavras, sutilizas ou cavalheirismo onde primeiro usa da brutalidade e somente em seguida pergunta sobre o que deseja saber.



A trama não chega conter grandes novidades, deixando desejar neste quesito; se por acaso quem assistir tiver também visto filmes com temática parecida a exemplo da cinessérie criada em volta de Jason Bourne ou ainda conhecimento de Atirador (2007), estrelado por Mark Wahlberg, notará semelhanças com essas produções, mas é preciso ressalvar que o enredo parte do princípio dado desenvolturas presente personagens no qual além do sério herói há vilões caricatos como o vivido pelo cineasta alemão Werner Herzog, numa função pouco habitual.

Talvez Jack Reacher - O Último Tiro seja início de uma nova franquia a ser estrelada pelo agora cinquentão ator, buscando espaço num segmento outrora dominado por Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis, Sylvester Stallone, Wesley Snipes e que atualmente conta como referências Dwayne Johnson, Jason Statham e Vin Diesel. O filme dar entender levar para esse novo lado aventurando-se em terras onde outro veterano dos cinemas pareceu ter encontrado seu porto seguro há tempos, Liam Neeson, nos seus últimos lançamentos.

Não deve ser levado ao pé da letra a seriedade desta obra, ela está mais próxima de uma aventura voltada ao público que tenha mais interesse em acompanhar longas sequências de pancadaria, tiroteios desenfreados, perseguições automotivas devidamente preparadas para tirar o fôlego dos espectadores e isso faz do filme um prato cheio para quem busca somente ver tais coisas. Está longe de ser a melhor produção estrelada por Tom Cruise ou da perfeição cinematográfica, contudo, igualmente permanece distante da negação ficando numa escala entre meio termo.

Um filme que dispõe misturar tantos elementos, pode e vai pecar em certos momentos, como na duração, passando de duas horas e dez de projeção, poderia ser menor não existe dúvida perante a isso, sem esquecer incessante uso de clichês manjados nessas produções, no entanto são parte da ideia do roteiro apontar esses fatores assim como a veia cômica de alguns personagens a exemplo do experiente Robert Duvall. Entre acertos e tropeços os pontos positivos sobressaem as falhas então torçamos que outros títulos do protagonista possam ganhar as grandes telas.


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