sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Dos consoles para os livros

Concebido originalmente em 2007 como jogo para videogames Assassin's Creed em pouco tempo tornou-se uma das séries mais bem sucedidas do mundo do entretenimento eletrônico, vendendo mais de 7 milhões de cópias da terceira sequência em apenas um mês de lançado, nesse espaço de tempo no Brasil foram adquiridas 200 mil unidades, e mais de 38 milhões totalizando todas as sequências produzidas. Parte desse êxito é oriundo pela curiosa narrativa que termina misturando elementos históricos com doses de intrigas e mistérios que habitam a imaginação das pessoas quando referido a tais épocas.

Através da subsidiaria do estúdio detentor dos direitos da franquia, Ubisoft Motion Pictures, saiu a notícia que haverá um filme sobre o jogo, ainda para esse ano, aos cuidados da New Regency e distribuído pela 20th Century Fox tendo como protagonista o ator irlandês Michael Fassbender (Bastardos Inglórios, X-Men: Primeira Classe, Prometheus) que também co-produzirá, no papel principal, Desmond Miles, interrompendo dessa maneira a parceria feita com a Disney após o insucesso, apesar razoável retorno financeiro, Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo (2010).

Em 2011 a série de jogos de ação atemporal ganha a primeira versão literária lançada no Brasil, Assassin's Creed: Renascença, no formato de bolso, relatando passagens ocorridas na Itália do século XV quando tem início a busca por vingança do personagem central, Ezio Auditore, um jovem que passa perseguir os assassinos templários da sua família. Após o livro vieram outras três continuações publicadas em território nacional subintituladas Irmandade, A Cruzada Secreta e Renegado abrindo uma nova porta para os personagens dos universos dos games migrarem para outras mídias com mais frequência e tal estratégia vem dando resultado prova é que outras obras baseadas em franquias eletrônicas estão sendo lançadas a exemplo do recente Diablo III.

Hoje praticamente em qualquer loja de variedades pode ser encontrado as obras escritas pelo autor Oliver Bowden tanto unitário quanto box com os três primeiros exemplares já que o quarto, Assassin's Creed: Renegado, foi lançado somente em novembro do ano passado, mas um dos principais destaques do conjunto é que os livros são de valores acessíveis ao grande público variando entre dezessete à trinta e dois reais o que termina contribuindo para a disseminação das épicas estórias protagonizadas pelos assassinos acentrais de Desmond Miles.

A empreitada do misterioso personagem que esconde a face por meio de um capuz branco pela literatura rendeu ao mesmo o posto de quarto livro mais vendidos na categoria ficção, informação dada pela revista Veja, 2011, ficando à frente de best-sellers como A Cabana (Willian Young) e do segundo livro da série Crônicas de Gelo e Fogo, A Fúria dos Reis (George R.R Martin). Deve-se considerar que parte desse sucesso de vendas vem por consequência muitas vezes do público fã dos jogos da série Assassin's Creed, contudo, também serve como elo para aqueles que tem pouco conhecimento ou ainda não foram apresentados a trama poder ficar a par dos segredos por trás da Ordem dos Assassinos.


Logo nos primeiros momentos do livro Renascença torna-se familiar aos adeptos dos jogos já que a trama transcorre no mesmo período de tempo do aclamado e premiado Assassin's Creed 2 (PS3, XBOX 360, iPHONE OS, PC) podendo assim causar certo desconforto para quem não está ambientado as essas mídia eletrônicas tendo como principal pecado descrever até mesmo os tutoriais dentro da obra literária, algo que não contribui em nada ao desenvolvimento do enredo, passando ser fadonho quando apresentados.

Outro deslize é não saber a hora de desvincular o jogo do livro, apesar de Renascença ser uma mistura entre prelúdio e continuação deveria ao menos possuir maior liberdade criativa podendo dar enfase a novas tramas, explorar do ponto de vista do personagem central na sua incessante luta por vingança, quem sabe uma reflexão devido acontecimentos, quase um Edmond Dantés de O Conde de Monte Cristo, entretanto, sem a mesma presença de espírito, mas apresentando uma humanidade não apresentada nos jogos.

A forma seca pela apresentação do ambiente peca também, os jogos nesse aspecto criam uma verdadeira obra prima de deslumbrar os olhos à parte. Claro, não dá para exigir o mesmo grau presente num livro do que no videogame, contudo, daria para melhor descrever os lugares, as composições de cena, as vestimentas e qualquer detalhe que pudesse continuar enriquecendo o conteúdo até porque a fase renascentista italiana é um das mais belas de toda humanidade e o autor, Anton Gill sob pseudônimo Oliver Bowden, é especialista na história europeia.

Nem tudo é negativo, o ponto forte fica a cargo do mistério e da ação presente a cada página, sendo fiel nesse quesito aos jogos, os coadjuvantes e antagonistas são bem descritos e apresentados conforme necessidade tendo como exemplo Leonardo Da Vinci e ausência de Desmond Miles, o personagem do presente, fazendo que seja todo corrido no passado. A leitura diluída nesse caso auxilia positivamente tornando agradável durante novas descobertas, desfechos de personagens, conclusões de subtramas assim como a obra inicial da série literária.


O segundo exemplar, Assassin's Creed: Irmandade, é a continuação direta do primeiro livro tendo início após breves minutos do encerramento da primeira parte, mas logo anos são passados transformando Ezio Auditore num homem maduro que começa a sentir o peso da idade pendendo tanto para benefícios quanto malefícios, solitário e sofrido contando com as presenças de aliados conseguidos ao longo de sua jornada trilhada por sangue e morte como o histórico personagem Nicolau Maquiavel ou originalmente, Niccolò Machiavelli.

Transferido de Florença para Roma, beirando a ruína por completo, a aventura apresentada nesta edição passa tratar do poderio da corrupta família Borgia sobre a cidade que outrora fora a imagem inabalável de força e prosperidade onde o principal antagonista dessa sequência, Cesare Bórgia, um homem sedento por poder e que para tal seria capaz de medidas covardes e brutais, tem planos de dominação de todo território italiano, entretanto, a irmandade da qual Ezio faz parte pretende a todo custo impedir essa arquitetura maligna seja concretizada.

O ritmo ágil ajuda superar as falhas detectadas da mesma maneira que a maturidade de Ezio faz dele uma figura mais cativante de ser acompanhado não somente motivado pela vingança, mas com responsabilidades de um verdadeiro líder que precisa combater os Templários, arqui-inimigos da irmandade, e reorganizar a Ordem dos Assassinos já que este passa ser assombrado pelos fantasmas da corrução e ganância aumentando a suspeita de traição entre os próprios aliados, antes compromissados com lealdade.

Comparado ao antecessor Irmandade chega ser mais interessante, contém mais capítulos e as lutas são melhores definidas quando descritas, mas erra em fazer pequenos acertos sendo algumas deles a repetição e passagens sem relevância para compreensão final além de um glossário incompleto o que termina causando frustração em determinadas situações quando surge expressões desconhecidas no português, mas tirando esses detalhes o conjunto cumpre o que promete, uma ótima distração em forma de aventura.


Com a conclusão de Assassin's Creed: Irmandade também chega ao encerramento a participação de Ezio Auditore e em seu lugar é apresentado a personagem que originou a linhagem do clã como ficou conhecida nas outras obras, então através de Altïr Ibn-La'Ahad, o grão-mestre da Ordem, engajado numa missão antes mesmo da época do renascimento e onde os Templários dominavam os campos de batalhas em busca do poder, na imensidão da Terra Santa em meio das sangrentas cruzadas.

Contrário aos anteriores que envolviam vingança e liberdade A Cruzada Secreta tem como meta principal a busca pela redenção de Altïr com seus semelhantes de grupo, por cometer um terrível erro devido era tamanha sua arrogância que terminou custando a honra pessoal e a da Irmandade também e por isso termina ordenado a matar nove inimigos, sendo estes misturados entre sarracenos e cavaleiros templários, facções rivais envolvidas nas batalhas das cruzadas cristãs daquela época.

A história aqui contada chega ser menos empolgante do que em Renascença e Irmandade entre outras razões a falta de mistério e subtramas contribui, a leitura transforma quase numa obrigação pelo termino, mas possui algumas boas passagens, não chega virar algo ruim, o início é muito bom, contudo, não consegue estar ao menos no mesmo nível dos antecessores, peca acima de tudo pela falta de emoção e pelo pouco carisma de Altïr, não cativa e nem faz por méritos ser cativado, em resumo é uma figura antipática.

Partindo da ideia que o livro serve como prelúdio aos que vieram antes consegue cumprir tal objetivo, narrar eventos ligados a origem de Ezio Auditore, mas erra bruscamente da forma que faz, a estória poderia ter sido melhor desenvolvida da mesma maneira como os personagens enquanto nos anteriores tínhamos Leonardo Da Vinci e Nicolau Maquiavel servindo de apoio neste aqui não existe um que desempenhe tal função. Enfim, Assassin's Creed: A Cruzada Secreta vira atrativo certo aos fãs dos jogos e deixa a desejar (muito) aos adeptos da literatura.


ASSASSIN'S CREED: RENEGADO

Lançado em novembro do ano passado, o quarto livro da série escrito por Oliver Bowden trás um novo assassino, Haytham Kenway, que vive na gótica Londres do século XVIII e a exemplo de Ezio Auditore tem o pai cruelmente assassinado, mas sua irmã é raptada jurando assim buscar vingança.

Apesar que não se deve julgar um livro pela capa, neste caso pela sinopse, antes de ser lido, dá entender que na mais recente aventura a repetição de enredo começa a se fazer presente. Possa ser que seja um livro bom como também mediano ou ruim, entretanto, levando em consideração o penúltimo nota-se sinais de desgaste.

As disputas entre templários e assassinos, por sinal muito bem abordadas nos dois primeiros livros pareceu pesar no terceiro, no quarto ainda não se sabe se acontece novamente e nem se a antecipação deste, já que na cronologia é o quinto exemplar, o quarto é Revelations (ainda inédito), atrapalhe na compreensão geral.


O que deve ser dito sobre a sequência literária de Assassin's Creed é que para em tempos na qual há uma grande quantidade de títulos dos mais variados gêneros e de repentino sucesso no comércio de livros que vêm em vertente de alta, tendo crescimento de 9,8 %, segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe-USP) em conjunto com a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato dos Editores dos Livros (SNEL), 2011, a obra ganha merecido destaque por atrair principalmente adeptos dos jogos eletrônico.

Outra qualidade que precisa ser ressaltada é a linguagem simples e direta o que também termina facilitando no entendimento das tramas a cada publicação, sem voltas ou termos desnecessários, é objetivo e isso ajuda despertar interesse ao público mais jovem envolvidos numa adaptação bem transposta dos videogames, fiel a estrutura consolidada na mídia visual, virando uma agradável diversão não apenas para os fãs das inúmeras histórias da Ordens dos Assassinos contra Cavaleiros Templários durante gerações, mas quem busca ler uma aventura até certo ponto descompromissada como romance.

Mesmo contendo algumas falhas durante transcorrer da obra, dando clara percepção de em certas ocasiões estar faltando algo, contudo, isto não termina tirando os devidos créditos fazendo desta série uma das melhores no segmento ficção voltado ao público jovem que tem curiosidade em conhecer mais a fundo as conexões fora dos jogos quanto para quem ainda não sabe o que esperar. Perante mesmices de vampiros, lobisomens, magia, adolescentes e seus amores impossíveis, Assassin's Creed tem o seu espaço conquistado com certo louvor.


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"O pensamento é o ensaio da ação." (Sigmund Freud)
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