quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Sonic the Hedgehog no tempo do Mega Drive


Numa época que inexistia consoles de última geração ou quando o melhor de um gráfico pudesse chegar somente a 16-bits e Super Mario batia recordes de vendas ano após ano, no início da década 90, começo das primeiras grandes produções cinematográficas inspiradas em games, surgia o fenômeno da Sega e mais tarde um dos personagens imortais dos videogames que sozinho conseguiu mudar o rumo do entretenimento eletrônico daquele período, Sonic, o Ouriço, criação de Naoto Oshima tendo desenvolvimento dividido entre Hirokazu Yasuhara e Yuji Naka.

Concebido para rivalizar diretamente com Mario e sua turma do Reino dos Cogumelos, um dos maiores sucessos da história de todos os tempos da Nintendo, vendendo mais de 20 milhões de cópias do maior clássico da série até hoje, Super Mario World, o ouriço mais rápido do mundo fez sua estreia em julho de 1991 alavancando o Mega Drive na Europa e América fazendo devido a boa aceitação fosse lançado também para Master System e Game Gear, consoles de menor capacidade e de maior difusão junto ao público da Sega, principalmente no Brasil, do primeiro.

O surgimento de Sonic se deu durante a última década do século XX, augue das disputas entre Nintendo x Sega, empresas japonesas que rivalizavam pela supremacia do mercado em questão, tanto que os anos 80 e 90 ficaram marcados através das brigas entre consoles das organizações, primeiro Nintendo ou Nintendinho, como ficou popularmente conhecido, versus Master System e depois Super Nintendo versus Mega Drive encabeçaram os confrontos em boa parte desse tempo no qual Mario predominou, superando Alex Kidd, até então garoto propaganda da Sega.

Quando lançado em Sonic the Hedgehog o ouriço azul mais famoso do mundo, erroneamente chamado no Brasil de porco-espinho, mostrava que os gráficos em 16-bits poderiam apresentar uma qualidade refinada como poucas vezes visita até aquela data, praticamente uma verdadeira obra prima em pixel art, que entre outros valores procuravam passar que a Sega estaria passos largos à frente de sua principal concorrente com um console de performance mais rápida e de melhor desempenho do que o tradicional rival.

A partir de então estava cravado na história o início de uma franquia clássica, por diversas vezes salvou da ruína o estúdio a qual pertence, indo de jogos memoráveis a alguns esquecíveis, mas que mesmo apesar da adversidade presente e da forte concorrência permanece querido nas lembranças dos old gamers (nomenclatura dada as pessoas que preferem jogos antigos) quanto aos que descobrem tamanha riqueza numa figura simpática que somente é provido da velocidade para combatar o terrível Dr. Ivo Robotnik.


Os três primeiros jogos da franquia até hoje são considerados por muitos como melhores de toda série despontando até mesmo os mais recentes que terminaram expandindo o universo do qual o famoso ouriço tinha ficado conhecido, reforçando da importância ligada as origens do personagem outrora sinônimo de uma época saudosista onde videogames não necessitavam de tantos recursos para divertir.

Em pouco menos de quatro anos Sonic the Hedgehog virou referência de perfeição, dentro aquilo que poderia ser feito indo além do imaginado num equipamento limitado e inferior ao produto do principal concorrente, sem esquecer rivais valiosos como SNK pelo excelente Neo-Geo, fortalecendo a Sega e consolidando os jogos da linhagem como parte dos principais de todos os tempos pela ousadia, inovação e qualidade numa fase marcada pelas tentativas de transição entre o que já tinha sido feito com o que ainda poderia ser descoberto.

Sem dúvidas a Sega cresceu juntamente com a popularidade de sua mais importante criação dentre todas tentativas incluindo Alex Kidd, por sinal uma figura até certo ponto carismática, entretanto, de poucas novidades e incapaz de concorrer com Super Mario, que estava em constante evolução, mas Sonic conseguiu fazer sombra ao encanador chegando ser considerado durante 1991 e 1992 como o principal jogo daquele período e também despontando entre os mais vendidos dentre novidades.

Graças aos marcantes primeiros exemplares Sonic garantiu ainda sequências para diversas mídias entre elas uma série animada que levara nome do personagem durante duas temporadas exibidas (no Brasil a rede Globo e SBT transmitiram o desenho), um longa-metragem baseado na continuação do programa de televisão onde era mostrado Metal Sonic, robô construído por Robotnik para assassinar seu arquiinimigo, e edições em revista em quadrinhos estreando no ano de 1993 com exceção do filme, na verdade uma microssérie em duas partes produzido em 1996.

A publicidade e estratégia de marketing aliada aos jogos terminaram popularizando ainda mais a franquia, lembrando que por volta desse período Mario também lançara programas de tevê entre elas Super Mario Bros. Super Show!, o filme Super Mario Bros. que tinha em seu elenco Dennis Hopper e as revistas em quadrinho Super Mario-kun e Super Mario Adventures tornando mais perceptível a rivalidade gerada entre franquias.


Ao ser lançado Sonic the Hedgehog mostrava que o 16-bits ainda tinha um vasto terreno para ser explorado apresentando elementos tão bem trabalhados, desde cenários animados, ricos em detalhes como flores se movimentando, inimigos esbanjando cores vibrantes e delicadamente desenhados à programação que em si compunha uma verdadeira aula de como fazer um jogo ágil, moderno e divertido.

O êxito da estreia acompanhado do carisma gerado pela aventura e de belas imagens, não apenas envolvendo o personagem central, mas no conjunto em geral onde havia minucioso trabalho de composição gráfica incluindo excepcional efeito de luz e sombra revelando uma nova etapa dos videogames, deixando para trás formas simples partindo para desafios complexos levando ao limite do que poderia ser feito naquele tempo.

As músicas presentes também contribuíram para fazer deste um início aclamado, os arranjos compostos para o jogo combinam a cada estágio indo de contagiantes até mesmo sombrias, este lembrando um pouco melodias de outro aplaudido jogo da época e que também fez história nos consoles, Castlevania, sem esquecer os bonus stages, espécie de mini-games que dava oportunidade do jogador aumentar sua pontuação num ambiente giratório.

É espetacular a composição criada através ricos detalhes que pareciam impossíveis de serem feitas com tão poucos recursos, o personagem chega possuir personalidade própria, quando fica muito tempo parado olha diretamente para tela como se soubesse da existência de um jogador e termina agindo como se esperasse uma atitude da pessoa para dar prosseguimento na aventura, deixando de lado o estético mórbido de figuras inanimadas.

Resumindo, Sonic the Hedgehog foi simplesmente o mais revolucionário jogo a ser criado durante aquela geração, apesar de não ser o melhor da série, no entanto pode-se dizer que é o segundo, tanto pelos critérios técnicos envolvendo a plataforma específica quanto de interesse da diversão, nele o herói só precisa correr e nada além disso para salvar o dia das mãos do Dr. Ivo Robotnik que planeja transformar todos em robôs.




O que parecia ser a perfeição de um jogo plataforma visto no primeiro título atingiu graus maiores na continuação Sonic the Hedgehog 2 (apontando como melhor de todos da série) contendo uma ambientação extraordinária, mais refinada, um bem elaborado falso efeito 3D, estágios aperfeiçoados, trilha sonora contagiante e de acordo com cada fase terminou tornando merecidamente o grande jogo da franquia.

Tamanho foi sucesso que terminou sendo rotulado como melhor jogo feito para Mega Drive assim como mais vendido de todo console, cerca de 6 milhões de unidades, é nele também que pela primeira vez aparece Tails, raposa voadora de duas caldas, fiel parceiro de Sonic, sendo auxiliar durante toda aventura que novamente empolgava pela qualidade apresentada numa trama quase idêntica a anterior, contudo, mais desafiadora perante complexidade criada em meio incríveis cenários providas com novas recompensas.

Outro aspecto curioso é adição de um segundo gamer (termo usado para jogadores) que poderia comandar Tails, no anterior somente havia espaço para uma única pessoa, e nessa etapa a tela poderia ser dividida em duas partes horizontais quando escolhido o modo competição para agilizar a jogabilidade e nele era dado diversas tarefas simultâneas como: quem conseguiria terminar determinada fase em menor tempo ou quem teria mais anéis.

Parte dos motivos que transformaram essa sequência num verdadeiro fenômeno foi repetir a mesma eficiência do primeiro, mas com menos atos, no título de estreia as fases eram desmembradas em três segmentos e neste em apenas duas no entanto com mais estágios, passando de sete indo para doze além de aproveitar ideias do antecessor, conter maior número de caminhos alternativos e os inimigos agora poderiam se defender das investidas, tornando pouco mais difícil de serem combatidos.

O jogo, mesmo possuindo alguns bugs (falhas de execução), indiscutivelmente é uma obra de arte feita para videogames, clássico em todos quesitos, e tão impactante (se não for mais) do que a versão lançada um ano antes no qual apresentara ao mundo Sonic tornando espantoso a evolução desenvolvida em tão pouco tempo. Sonic the Hedgehog 2 é a consolidação definitiva da Sega, talvez o melhor jogo já criado por ela na história.



Quando se imaginava que o ouriço azul tinha chegado na sua forma definitiva enquanto gráfico Sonic the Hedgehog 3 ou apenas Sonic 3, como também ficou batizado oficialmente, veio desbancar tal afirmação, extraindo até a última gota do que poderia ser aproveitado do 16-bits. Sem dúvida alguma é detentor do mais impressionante visual da série original, novamente aperfeiçoando-se nessa área, aos olhos dos fãs já pareciam impecáveis, além de ser a primeira aparição de Knuckles the Echidna.

Algumas novidades povoaram essa continuação a exemplo dos escudos de proteção que dependendo do elemento poderia dar ao heroizinho azul a capacidade de respirar de baixo da água, atrair magneticamente os anéis ou andar sobre fogo sem contar o ataques que poderiam ser atribuídos como quiques de uma bolha gigante, choques ou ainda uma rápida disparada em forma de cometa. Outra característica, essa na parte técnica, é dar possibilidade ao gamer de poder salvar as progressões durante aventura.

Nessa nova etapa Sonic ganhou forma de quase ser um filme, nele existe inúmeras passagens animadas desde seu início provocando certa interação entre o jogo e a estorinha contada, nele Knuckles the Echidna a princípio é um antagonista dificultando como possível as missões, e os atos de cada fase são interligado, a segunda metade começa no final da anterior, além disso há em cada conclusão de primeira parte um subchefe para em seguida enfrentar Dr. Robotnik e suas invenções malignas no término do estágio.

A trilha sonora tão presente durante todos os jogos neste sofre alterações tornando mais vivaz sem contar da suposta participação do astro Michael Jackson na composição, mas essa versão nunca foi oficializada pela Sega (também não foi desmentida), contudo, existe particularidades que assemelham ao estilo do rei do pop com alguns arranjos musicais da terceira parte da aventura protagonizada por Sonic sendo capaz de identificar os famosos "woow" do cantor durante trechos do combate entre subchefes da primeira parte da fase.

Sonic 3 é repleto de curiosidades que deveria ter transformado no melhor da franquia parente aquela época no entanto não conseguiu (mesmo desse modo é o meu preferido) e entre os motivos está que o jogo fora lançado pela metade somente possuindo seis fases de dezesseis previstas, sendo dessa maneira o menor dos três intitulados the hedgehog. A especulação sobre o assunto é que com grande tempo gasto nessa continuação o prazo terminou estourando então teve de ser lançado do jeito que se encontrava, complementado depois com Sonic & Knuckles.


SONIC & KNUCKLES

Este jogo na verdade é uma versão expandida de Sonic 3, nele está contido as fases que não foram incluídas no antecessor e o antagonista Knuckles passa ser um dos dois personagens selecionáveis, Tails não participa dessa continuação, desse modo apresentando dois enredos diferentes.

É em Sonic & Knuckles que surge a tecnologia específica para o jogo, Lock-On, no qual faria unir o cartucho do jogo com outros da série além do predecessor que daria a continuidade a história. Acoplado com o primeiro há poucas mudanças, mas com o segundo título da franquia Knuckles toma o lugar de Sonic.

A jogabilidade, trilha sonora e gráficos onde incluí o falso 3D das fases bônus continuam idênticos ao Sonic 3 estando dessa maneira responsável para concluir a trilogia segredada em quarto partes da inovadora série The Hedgehog que atingiu sua principal meta, fazer concorrência acirrada com Super Mario e Nintendo.



Após celebre conclusão da épica The Hedgehog o ouriço ficou inativo durante 1995, quando estava sendo projetado uma nova aventura, Sonic X-Treme, para Sega Saturn, console que prometia ser o novo passo dado pela Sega nos videogames de 32-bits (equiparado ao Playstation), porém, o jogo nunca foi terminado por razões desconhecidas então a saída encontrada para não frustar aos fãs a empresa viu-se obrigada investir no Mega Drive como laboratório.

Dessa vez o desenvolvimento não ficaria sob responsabilidade da Sonic Team, departamento interno criado pela Sega para elaboração de softwares envolvendo o herói, mas da Traveller's Talles, tendo em seu portfólio alguns jogos Disney, agora incumbido de apresentar a inédita versão inteiramente tridimensional do personagem nomeado Sonic 3D Blast onde o ouriço teria como companhia os passarinhos Flickies (da série de jogos Flicky também do Mega Drive).

O jogo apresentou algo até então impensável de ser conseguido, um ambiente tridimensional de alta qualidade (para o que era possível fazer no console) que não se limitasse moldes poligonais e a momentâneas ações, mas perdurasse ao longo das oito fases. Com essa premissa surgiu a última aventura de Sonic destinado ao Mega Drive, ganhando posteriormente versões para outros videogames como Sega Saturn e PC.

Possuindo visual interessante, entre elas a abertura também tridimensional, o pequeno herói tem como objetivo libertar os passarinhos Flickies do Dr. Ivo Robotnik, que tem como plano aprisionar tais bichinhos em suas máquinas malignas afim de encontrar as Esmeraldas do Caos e assim dominar o mundo. É dessa maneira que o ouriço azul mais rápido do mundo volta enfrentar seu maior inimigo, terminando numa dimensão desconhecida no qual os passarinhos abitam.

Apesar das boas novidades onde simulava um excelente espaço 3D, mas não verdade não sendo, em alguns quesitos deixando a desejar como falta de interatividade e as vezes complicações na jogabilidade, o jogo merece mais reconhecimento pela inovação do que críticas pelas faltas por trazer uma nova visão do personagem sem contar um digno final para empreitadas do mesmo no bom e velho Mega Drive.


Um comentário:

  1. Eu ia comentar lá na primeira postagem, sobre a dieta... mas como não gosto de dietas (como toda mulher) e vi esse post do Sonic eu resolvi vir ler esse e...
    Ai que saudade de quando eu tinha um super nintendo, alguns cartuchos e tempo... realmente viajei há alguns (poucos, rsrs) anos atrás para relembrar como era bom marcar competições jogando Sonic com os amigos... realmente deu aquela fisgada no peito de tanta saudade.
    Eu me lembro de ficar levando bronca da minha mãe porque eu ligava a tv de madrugada (como tinhamos só uma, era uma briga) pra treinar com esse ouriço (eu era muito ruim...) e ficava horas jogando. No outro dia a gente matava aula pra competir...
    Como era bom!

    adorei o post. Sério. Não só pelas lembranças radiantes que resgatei ao lê-lo, mas pela qualidade em que foi escrito, explicado e detalhado. Lindo Lindo...

    Abraços!

    http://mmelofazminhacabeca.blogspot.com.br/

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"O pensamento é o ensaio da ação." (Sigmund Freud)
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