sexta-feira, 8 de março de 2013

Tão charlatão quanto o protagonista



O filme O Mágico de Oz (1939) é um daqueles casos únicos que o cinema tem a exemplo a grata honra manter em sua história como uma fábula universal atemporal, não envelhece com o passar dos anos, pelo contrário, rejuvenesce fortalecido graças o mito criado ao longo das décadas, respeitado e amado que devido a isso deveria permanecer intocável, mas em tempos de "filmes origens" surge nas telas dos cinemas o descarado, entretanto, por certo ponto de vista esforçado Oz: Mágico e Poderoso.

Antes de mais nada em nenhum momento o longa dirigido pelo cineasta Sam Raimi, diretor da trilogia original do Homem-Aranha, faz menção ou referências ao clássico de Victor Fleming, talvez por questões contratuais já que o filme do final dos anos 30 do Século XX pertence a Warner Bros enquanto o prelúdio é de autoria Disney que por sinal assassinou outra preciosidade alguns anos atrás, Alice no País das Maravilhas, com o ultrapassado Tim Burton e do sempre caricato, nas produções com selo de qualidade Mickey Mouse, Johnny Deep.

Protagonizado por James Franco, mesmo ator do Planeta dos Macacos: A Origem (2011), outro filme prelúdio de um clássico de sucesso, no papel do mágico charlatão Oscar Diggs, levado do Kansas, lugar onde curiosamente vive os tios da garotinha mais encantadora que o cinema viu em toda sua história, Dorothy Gale, para a Terra de Oz após uma tempestade similar ao que acontece com a menininha e seu cãozinho Totó, por meio de um tornado, mas claro, repleto de efeitos especiais e 3D como o cinema moderno está se acostumando fazer.

Numa ambientação lindamente construída, não se pode renegar a riqueza da qualidade dos cenários apesar de não contar com nada que não se tenha visto de uns tempos para cá em qualquer produção fantasia de um grande estúdio revela minuciosidade nos detalhes, o farsante depara com um dilema que vai além de sua percepção como pessoa, mas no papel de herói no qual precisará desempenhar em meio rixas entre bruxas, paralelamente viver uma aventura ao lado de um macaco voador e de uma menininha de porcelana predestinado a ser o grande mago de Oz.

Apesar de não utilizar das características que transformaram O Mágico de Oz na lenda que é pela inocência de Dorothy, do contexto humanista criado pelos coadjuvantes não humanos Espantalho, Homem de Lata e Leão Covarde, das canções a exemplo de "Somewhere Over the Rainbow" tais elementos indiretamente estão presentes nas lembranças das pessoas que chegaram a ver esse clássico e a falta deles começa a levar para uma possível rejeição natural, entretanto, o pecado maior da produção é não explorar um universo tão rico como poderia ser realizado.

Vemos uma trama sem grandes novidades, o personagem central é o típico conquistador cafajeste que com os acontecimentos vai mudando de personalidade e amadurecendo, claro, para melhor até porque é um filme Disney, quem parece bom revela-se mau, existe aquela figura que é o alivio cômico e no final das contas tudo termina como imaginado, sem importantes reviravoltas ou momentos marcantes. Talvez, se fosse um filme sem ligação com o mundo criado nos livros da coleção Oz de L. Frank Baum (quatorze no total escrito por ele) e do trabalho de Victor Fleming, o terceiro filme baseado no ambiente, poderia ser que funcionasse.

Se não bastasse ser lançado Oz: Mágico e Poderoso (2013) os estúdios Disney já começam a trabalhar na segunda parte da aventura, ainda sem ter previsão de lançamento, muito provavelmente poderá ser também uma trilogia e com isso diminuindo o histórico de um filme sem igual. Pelo visto hoje em Hollywood nada mais se cria, tudo é refeito, desprezando qualidade e importância, por essas e outras que o filme dirigido por Sam Raimi, apesar de seus esforços, não passa de pura besteira, uma bela definição de vergonha alheia.
 

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