quinta-feira, 25 de abril de 2013

O velho Mortal Kombat do Mega Drive

O início dos anos 90 apresentou grandes novidades enquanto jogos no gênero luta, cada vez mais populares na época, a exemplo do Street Fighter II e Fatal Fury: The King of Fighters, que se dispunham fazer os jogadores lutarem entre si ou então sozinhos em combates divididos em dois rounds. Aproveitando desse embalo foi lançado através da Midway Games, no verão de 1992, o polêmico Mortal Kombat onde os confrontos eram mais violentos e os personagens poderiam ser mortos explicitamente pelo oponente de maneira sádica, causando certo desconforto no início.

A franquia criada pelo programador Ed Boon e pelo game designer John Tobias logo despontou entre os favoritos ganhando destaque através de algumas características que terminaram virando marca registrada da série, além do extremo teor violento envolvendo empalações, decapitações e mutilações revelou também um forte lado cômico, principalmente de humor negro, no qual era possível ver em meio uma disputa aparições desde disco voadores ao Papai Noel, gerando dessa maneira contrapeso ao banho de sangue.

Outro aspecto que terminou sendo importante na história do Mortal Kombat foi a utilização de atores na caracterização dos personagens e nos movimentos dos mesmos tentando aproximar ao máximo do real com o que se podia chegar naquela época em equipamentos de 16-bits, originalmente no Arcade, e essa peculiaridade também contribuiu para a boa aceitação do público além de alguns bordões como "finish him" quando se poderia matar o rival através do fatality e do icônico "toasty", a partir do segundo jogo da série.

Assim como sucedeu entre Sonic the Hedgehog vs. Super Mario, igualmente aconteceu com Mortal Kombat encontrando em Street Fighter um adversário a ser batido. Diferente da rivalidade Sega x Nintendo a disputa aqui não se tratava da supremacia de um único console, ambos os jogos tinham versões nas duas plataformas, mas do gosto popular pelas franquias para ver qual era o preferido e o mais rentável chegando a migrarem para outras mídias a exemplo de desenhos animados e cinema.

Enquanto Street Fighter presava pela típica rivalização entre figuras boas e más Mortal Kombat procurou ir além apresentando dualidade no qual os heróis poderiam ser responsáveis por desfechos contraditórios e os vilões possuírem alguma decência como Scorpion, fantasma de um ninja covardemente assassinado e que retorna do reino dos mortos com o objetivo de matar seu executor, Sub-Zero. No geral o tema vingança é abordado frequentemente sendo no básico o principal motivo de quase todos os envolvidos no jogo.

Tantas novidades, algumas delas excêntricas, verdade seja dita, foram responsáveis em transformar a série numa das mais significativas daquela geração não apenas pela violência desacerbada, mas pelos avanços tecnológicos e soluções de jogabilidade permitindo melhor controle sobre os personagens, fatores tão relevantes quanto Street Fighter, no final dos anos 80, modelou o gênero da forma que terminou ficando conhecido. Sem dúvida alguma Mortal Kombat, na trajetória dos videogames, tem seu destaque com merecido louvor.


Os três primeiros lançamentos da franquia são na verdade uma única história que se inicia num torneio de arte maciais denominado Mortal Kombat, anteriormente conhecido como Torneio Shaolin, no qual poderá decidir o destino da Terra onde um exército de outra dimensão liderados pelo cruel tirano Shao Kahn quer dominar o plano terreno e para isso necessita vencer 10 edições como não pode estar presente na dimensão devido imposição dos deuses anciões é auxiliado por Shang Tsung, antigo vencedor do torneio que passou a vida se dedicando as magias negras.

No Mortal Kombat de estreia (1992) todo jogo transcorre apenas na ilha onde acontece o torneio sendo sete cenários assim como sete personagens jogáveis, cada um com objetivos diferentes, mas no geral se resume em vencer a competição para impedir a invasão à Terra ou para conquistá-lá. Dentre algumas inovações para época é nele que surge a arena The Pit, uma das mais populares até hoje, dando oportunidade de matar o oponente atirando num poço repleto de estacas presas ao chão.

Um ano após, na continuação, os combates antes ocorridos na ilha passam agora para o reino de Outword (governado por Shao Kahn) já que lá o seu exército de guerreiros teria vantagem e ao mesmo tempo planejando a invasão a EarthRealm, como é conhecido a Terra, devido o fato dos principais guerreiros do último torneiro como Liu Kang e Johnny Cage estarem envolvidos na nova disputa enquanto Sonya fora raptada pelas tropas inimigas. As novidades ficam por conta da aparição de novos personagens entre eles Baraka, Kung Lao e Kitana.

A parte final da trilogia vem em 1995 com MK3 quando em meio ao torneio realizado em Outword secretamente Shao Kahn concretizou a invasão ao plano terrestre matando milhares de pessoas incluindo o astro Johnny Cage e agora as regras dos deuses anciões não se aplicam mais e com isso as lutas são realizadas em meio as cidades da Terra além de Outword. Talvez seja o melhor dos três (melhorado no Ultimate) encerrando de maneira grandiosa a estória desenvolvida por seus criadores de forma coesa.

No passar dos anos um jogo foi completando o outro e as novidades que iam surgindo reforçava cada vez mais a qualidade presente, nenhum dos três desse período pode ser considerado abaixo da média, estão todos de acordo com o que melhor poderia ser explorado naquela realidade. Uma série divertida, violenta, bem planejada e executada conseguindo uma legião de fãs principalmente pela criatividade, no geral, capaz de fazer pessoas através de muito sangue se divertirem com os duelos, mas sempre na expectativa do aguardado "Fatality".



Quando lançado o Mortal Kombat apostou em fazer algo diferente do que até então tinha sido apresentado em outras franquias do seguimento luta, usar atores para caracterizar personagens, simular seus movimentos e dar maior veracidade misturando figuras reais junto as criadas a partir da computação gráfica buscando fazer algo de impacto, nesse ponto acertando, e dando ao jogo um dos mais belos visuais daquele período.

Rico em cores, texturas e efeitos especiais como os golpes secretos e simulação de fogo (foto) revelou o quanto poderia ser explorado no universo da programação de games, transpor a ideia do que já tinha sido moldado para o gênero, mostrar novos arranjos, elaborar enredos a esse tipo de jogos (Fatal Fury também fez isso, mas se aproximando mais de Street Fighter) e provocar a morte do adversário, algo inédito.

A jogabilidade não apresentava nenhum mistério, três botões, sendo um para soco outros dois para chutes o que facilitava a realização dos golpes especiais, cada lutador tinha possibilidade de realizar dois movimentos diferentes mesmo defendendo o oponente perderia uma pequena quantidade da barra de sangue e tudo isso em constante movimento tornando ágil para quem estivesse controlando o joystick.

Bem ao estilo filme de arte maciais, exemplo, Operação Dragão (1973) e O Grande Dragão Branco (1988) a série de jogos eletrônicos soube aproveitar desse lado passando pela trilha sonora, ambientação e personalização onde Liu Kang é uma homenagem direta ao ator chinês Bruce Lee, nessa primeira versão dá para notar muita semelhança, e Johnny Cage ser inspirado no astro Jean-Claude Van Damme, que por conflitos de agenda não pode participar do projeto.

Um jogo com feições cinematográficas e fácil de ser controlado no qual não necessitava de grandes esforços para compreendê-lo sendo dividido em três partes, combates de um contra um adversário, duelos um contra dois e os confrontos com o sub-chefe Goro e o grande chefe, neste caso Shang Tsung, que tem a possibilidade de se transformar nos demais lutadores, fortalecendo o carisma adquirido logo em sua estreia.


Com o repentino sucesso do primeiro título da série logo foi planejado a continuação melhorando aquilo que tinha virado assinatura principal do jogo, a violência. Nesta versão o sangue jorra a cada golpe aplicado, sempre de maneira exagerada, em cenário sombrios diferente da ilha do torneio, aqui tudo é mais escuro e pesado misturando tonalidades fortes, destacando também a forma melhor trabalhada dos lutadores.

Se por acaso existe um ponto negativo em MKII talvez fique por conta da trilha sonora, parece muito ainda com a da versão anterior, entretanto, o clima criado naquele pouco parece com este. O game de 1992 possuía claras referências aos chamados filmes shaolins como nas muitas arenas criadas, a figuração e claro nas musiquinhas bem enquadradas naquele ambiente típico enquanto o sucessor tem contornos apocalípticos, mas, esse deslize não interfere em nenhum momento nas qualidades.

Contando agora com a presença de Jax, Baraka, Milena, Kitana e Kung Lao além de Shang Tsung e Reptile na função de personagens jogáveis o plantel de lutares expandiu incluindo ainda boa parte de figuras do primeiro jogo com a exceção de Kano e Sonya, já que pelo enredo do jogo são aprisionados por Shao Kahn e suas tropas, aparecendo apenas na função de figurantes no cenário Kahn's Arena. É nessa continuação que Liu Kang termina passando por uma transformação radical, antes parecido com Bruce Lee, agora com estilo próprio.

Todas as mudanças contribuíram para melhor desempenho da sequência tornando assim como o antecessor um marco na trajetória da série, quem sabe, o mais significativo já que foi a partir deste que o Mortal Kombat consolidou as características que até hoje permanecem, cores fortes, utilização de elementos orientais obscuros e mesclando com grandes doses de violência reforçado com arenas mais sangrentas a exemplo de Dead Pool, The Pit II e Kombat Tomb, todas contendo fatalities particulares.

Considerado por muitos dos fãs como o melhor da trilogia (não me incluo nessa porcentagem) MKII cumpriu seu dever, continuar o sucesso da primeira parte e ser o elo de ligação perfeito para a conclusão da fase Arcade, já que os jogos eram lançados primeiro nesse sistema e só depois ganhavam adaptações para consoles caseiros como Mega Drive e Super Nintendo, sendo um dos principais games daquele ano.


Após a estrondosa repercussão de Mortal Kombat II, sem dúvida o de maior impacto para época, ouve a necessidade de criar uma última parte tão boa quanto dando o devido desfecho a trilogia então veio em 1995 o MK3, um jogo com gráficos mais refinados, cenários melhorados no qual alguns poderiam no meio da luta dar para outros dependendo do golpe aplicado e claro, novos personagens e remoção de outros.

No grupo de lutadores estrantes aparecia também uma novas classes de guerreiros conhecidos como cyber ninjas no qual fazem parte Cyrax, Sektor e Smoke. Bem verdade que alguns dos novos personagens pouco acrescentava e pouco cativava como o índio xamã Nightwolf, Kurtis Stryker, um policial da SWAT, e Sheeva, uma versão feminina da raça a que Goro pertencia, já outros a exemplo de Sindel tornou-se ótima surpresa além do retorno de Kano e Sonya.

Dentre novidades em termos de jogabilidade surgiram o botão de correr junto ao medidor de corrida possibilitando a execução de combos, Kombat Kodes que permitia tornar acessível personagens secretos ou versões clássicas como Sub-Zero, já que neste ele aparece sem máscara e usando roupas diferente das edições anteriores pelo motivo de ser outro ninja de mesmo nome, Animality sendo uma versão do Fatality onde o vencedor transforma num animal e assassina o oponente (quase sempre pendendo para o lado cômico).

Enquanto parte gráfica este é o melhor da série Arcade, agora é totalmente digitalizado com recurso tridimensional para composição das arenas, algumas belíssimas, exemplo, Kombat Temple ou popularmente conhecida como The CathedralJade's Desert onde é possível ver Cyrax afundando preso na areia e The Subway onde existe o "Stage Fatality" no qual um trem atropela um adversário derrotado. Há também distinção entre os sangues sendo vermelho, verde ou preto dependendo do personagem.

Apesar tantas inovações e melhorias técnicas para muitos dos fãs é considerado o mais fraco (discordo completamente) por inserir elementos desnecessários, aos críticos, como Brutality. No meu entendimento é um jogo tão bom quanto os demais por preservar rigorosamente as características marcantes da série, divertir ao mesmo tempo ser violento, exagerando no sangue e mortes, até mesmo levando para um lado absurdo, contendo bons momentos de humor negro além de ser tão sombrio quanto o segundo.

O Mortal Kombat 3 é um jogo que não compromete a história criada para o desenvolvimento do enredo abordado lá no primeiro da franquia, cumpri seu papel que é de encerrar a invasão do Reino de Outword ao plano terrestre. As lutas são muito bem elaboradas, existe vários modos de desafio no qual é o jogador que escolhe, o visual é excelente, sem esquecer a apelação sem igual de Shao Kahn e sua mareta maligna.


ULTIMATE MORTAL KOMBAT 3

Na realidade o Ultimate Mortal Kombat 3 foi uma atualização do MK3, lançada em 1996, onde muitas coisas que antes só se conseguia através de códigos estavam liberadas para essa versão incluindo personagens antes não selecionáveis como Ermac, Rain, Montaro e Shao Kahn, no modo versus, além dos combates em duplas onde quatro personagens lutavam simultaneamente.

O enredo continuava o mesmo no qual Shao Kahn invadia EarthRealm para conquistá-la e nisso os combates aconteciam entre Outword e a Terra; os gráficos e cenários continuavam os mesmos, incluindo a arena The Graveyard, nela é possível ver uma lapide com o nome de Cage em referência ao astro dos jogos anteriores Johnny Cage, morto na transição para o terceiro título da série.

Sem grandes novidades no quesito inovação o Ultimate Mortal Kombat 3 veio para preencher as lacunas deixadas em aberto no MK3, tarefa que realizou bem, consolidando a sequência.



Com a finalização dos três jogos e atualização realizada em 1996 no Ultimate Mortal Kombat 3, última para consoles do tipo 16-bits a exemplo do Super Nintendo e Mega Drive, curiosamente foi no Mega Drive que a franquia teve melhores desempenhos nos videogames caseiros daquele tipo, e da copilação Mortal Kombat Trilogy (Sega Saturn, Nintendo 64, PC e PlayStation), também de 1996, começava ser planejado agora uma nova aventura.

Em poucos anos o Mortal Kombat construiu um nome respeitado no seguimento influenciando outras séries de jogos eletrônicos, não apenas do gênero luta, mostrando que a violência extrema poderia ser utilizada como recurso de entretenimento e com isso dar aos jogadores versões sangrentas e poucos convencionais. Mesmo indiretamente terminou sendo dos responsáveis pela criação da ESRB, uma organização que classifica os jogos de videogame por faixa etária nos Estados Unidos, devido o teor apresentado.

Mas, apesar de uma primeira fase celebre no inícios dos anos 90 a série começou declinar entrando num verdadeiro estado de ostracismo e o primeiro passo em falso aconteceu na continuação direta, Mortal Kombat 4, inteiramente em 3D, entretanto, a qualidade duvidosa dos gráficos e jogabilidade fraca terminou considerado o pior de todos até hoje lançados por estar muito aquém dos antecessores.

Na tentativa de explorar personagens populares os produtores da série lançaram sequências independentes mudando do gênero luta e indo para o estilo aventura, ambiente até então nunca mencionado, exemplo, Mortal Kombat Mythologies: Sub-Zero, Mortal Kombat: Special Forces, Mortal Kombat: Shaolin Monks, todos sem exceção duramente criticados pela má qualidade apresentada, atípicos e até mesmo sem alguma noção como Special Forces que na verdade é um jogo sem qualquer referência ao Kombat trazendo somente Jax na função de protagonista e Kano na de vilão principal, nenhum pouco expressivo.

Buscando reviver o áureo tempo do Arcade, incluindo a fase Mega Drive, no ano de 2011 foi lançado o reboot do período clássico através de Mortal Kombat ou como ficou apelidado MK9 (não é uma nomenclatura oficial) trazendo no plantel todos os lutadores dos três jogos iniciais numa nova visão dos fatos acontecidos no enredo apresentado naquele período relacionando o torneio ocorrido na ilha até a invasão de Outword à Terra, honrando os bons tempos das origens.

Um comentário:

  1. Muito bom, sempre gostei de jogar MK, é meu jogo favorito, achei ate uns clones do mortal kombat kkk, quem quiser dar uma olhada o link ta aqui https://www.youtube.com/watch?v=hNMIH4-VhFw

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"O pensamento é o ensaio da ação." (Sigmund Freud)
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