sexta-feira, 19 de abril de 2013

Releitura de embrulhar o estômago

Fazem poucas horas que assisti ao remake de A Morte do Demônio em sua estreia comercial, no Shopping Tacaruna, na divisa entre Recife e Olinda, em meio uma sessão devidamente lotada e repleta de adolescentes que buscavam aquilo que foi prometido num dos cartazes promocionais: "O filme mais apavorante que você verá nessa vida". 

Exageros publicitários à parte a produção encabeçada pela dupla Sam Raimi e Bruce Campbell, que justamente através do longa original projetaram suas carreiras, bem verdade tomando rumos distintos, voltam a trabalhar nesta mais nova adaptação, no entanto, dessas vez respectivamente não como diretor ou ator e sim na função de produtores apresentando um trabalho no mínimo visceral de ser descrito.

Protagonizado por jovens atores ainda desconhecidos de grande parte do público a nova versão do diretor uruguaio Fede Alvarez, estreante em longas metragens, revela ser literalmente uma chacina em forma de filme. Essa concepção é mostrada no próprio trailer no qual faz qualquer pessoa com bom senso retorcer o rosto devido tantos momentos repulsivos de violência em tão poucos minutos servindo de aperitivo para o que está por vir.

A crueldade das cenas é tanta que uma moça que sentou ao meu lado e eu nunca tinha visto na vida por diversas vezes encolheu o rosto no meu ombro esquerdo devido o conteúdo sangrento das passagens apresentadas. Confesso, fiquei agoniado e durante muitos momentos fechei os olhos e abaixava a cabeça com frequência para também não ver e me perguntado o que estaria fazendo ali numa sessão que não deixa em nada a dever a franquia Jogos Mortais no quesito sangue & tripas.

Contudo, mesmo tendo duração similar uma partida de futebol a sensação é do tempo não passar diante tanta brutalidade incrementada com vômitos, membros amputados, cérebros estourados e tudo o que se pode imaginar de repulsivo está nesse remake e por incrível que possa parecer não o torna um filme ruim, talvez para algumas pessoas seja, de certo modo é interessante de ser acompanhado, quem sabe não tentando pegar carona no original, mas trilhar seu próprio caminho.



Em 1982 surgia a primeira parte do cultuado terror A Morte do Demônio também conhecido como Uma Noite Alucinante (particularmente gosto mais desse título) onde um grupo de cinco jovens adultos com planos de passar um sossegado final de semana numa cabana afastada tornam-se vítimas de espíritos malignos que vão possuindo cada um deles provocando suscetivos ataques mortais após serem libertados pela turma de veranistas.

Considerado o mais sóbrio dos três primeiros filmes da franquia a versão original conta em seu repertório com elementos do humor negro, apesar de ser devidamente contido diferente da primeira refilmagem lançada, tendo a presença de Bruce Campbell novamente no papel de Ash, o protagonista, numa sequência caricata e divertida reforçando a adoração até hoje pela cinessérie. É nele que são apresentados o demônio risonho, o espírito da mata, o Necronomicon, livro que inicia todos os acontecimentos maléficos.

A versão 2013 segue por essa opção, ser um filme contido no humor, na verdade não tem, para dar lugar a voracidade já retratada sustentada pela ideia de uma entidade do mal libertada casualmente pelos amigos presentes na cabana, aqui com o objetivo de fazer uma intervenção numa das garotas que compõe o grupo devido o fato de ser viciada em drogas além de irmã de um dos rapazes, entretanto, termina possuída originando todo o horror que virá pela frente.

Em algum momento do filme quem assistir vai se chocar com algo, acreditem oportunidades para isso acontecer não irá faltar, estiletes, faca elétrica, cacos de espelhos e a icônica motosserra tão marcante nas produções anteriores serão responsáveis por muitas das sequências de revirar a pipoca e o guaraná na barriga de qualquer um. Não recomendado para quem não é apreciador do estilo "quanto mais nojento melhor".

Apesar da minha sensibilidade no quesito horror, não sou grande fã do gênero, não gosto de ver certas coisas que normalmente são mostradas nessas produções, terminei a sessão com uma estranha mistura de repulsa e satisfação. Vi uma vez e para mim é o suficiente, não precisarei rever nem tão cedo, mas é o tipo de filme que terminei gostando de assistir no cinema, valeu a pena e recomendo para quem estiver disposto a se deleitar com um excelente terror.


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