sexta-feira, 10 de maio de 2013

Saul Bass, o designer gráfico do cinema

Na última quarta-feira (8/05) foi aniversário de Saul Bass, falecido em 1996 aos 75 anos, um dos principais designers do Século XX, a postagem da semana será em sua referência, já que como poucos contribuiu de maneira massiva no desenvolvimento dos títulos dos filmes ou erroneamente conhecido como créditos iniciais, dando ao processo características, muitas das vezes, de pequenas estórias no qual apresentava o enredo da projeção principal compostos por elementos minimalistas, ou seja, sem grandes detalhamentos e cores contrastantes.

Nascido em Nova York, sendo filho de imigrantes judeus, graduou-se em design pela Brooklyn College tendo sido aluno de György Kepes, uma das mais importantes figuras do meio junto com László Moholy-Nagy, ambos húngaros, estes participando desde a concepção da Bauhaus na Alemanha e depois da New Bauhaus já nos Estados Unidos. Começou a carreira como ilustrador de cartazes antes de conseguir fazer aquilo que seria sua principal assinatura copiado até hoje, os títulos.

Entre parcerias de destaque trabalhou diversas vezes com Otto Preminger, a quem formou mais trabalhos, dentre exemplos, O Homem do Braço de Ouro (1955), Anatomia de um Crime (1959), um dos seus mais conhecidos, e Exodus (1960); Alfred Hitchcock em Um Corpo que Cai (1958), Intriga Internacional (1959) e Psicose (1960); outros diretores famosos como Billy Wilder, Stanley Kubrick, Danny DeVito e Martin Scorsese complementam a lista de grandes diretores com quem elaborou projetos.

Fora o universo cinematográfico foi responsável pela identidade visual de imponentes aglomerados comercial entre elas Alcoa, Warner Communications, United Airlines e Quaker, revelando não estar somente ligado a elaboração do conceito gráfico no cinema, mas a estrutura do design, gráfico, num todo. Os seus logotipos (por favor, não dizer logomarca) também viraram sinônimo de inovação e algumas delas permanecem inalteradas mesmo tendo mais de 40 anos.

Dono de um traço singular Saul Bass virou fonte de inspiração de muitos outros profissionais e isso é notado em aberturas de filmes não tão antigos como Prenda-me se for Capaz (2002), elaborado por Olivier Kuntzel e os títulos de Beijos e Tiros (2005), criado pelo designer gráfico Danny Yount, trabalhos que em clara referencia utilizam da estética concebida pelo premiado artista gráfico que dentre inúmeras nomeações foi vencedor do Oscar por melhor curta-metragem "Why Man Creates" (1968), sendo ele o realizador.




A forma criativa de apresentar o enredo dos filmes como Deu a Louca no Mundo (1963, vídeo), dirigido por Stanley Kramer, outro diretor com quem diversas vezes trabalhou, revela também a versatilidade de gêneros indo desde comédias descompromissadas à tensão dos suspenses hitchcockianos e da densidade dos dramas desenvolvidos por Otto Preminger dentre outros títulos Tempestade Sobre Washington (1962) e A Primeira Vitória (1965).

Na área de títulos para aberturas Saul Bass é considerado o principal pioneiro por explorar um seguimento até então de pouca importância dando entender que a maneira como a apresentação da ficha técnica tinha sim sua relevância e poderia contribuir não somente com informações envolvendo o elenco e as funções de cada integrante da produção, mas poderia ser um elo de ligação desempenhando diversos aspectos entre elas uma breve sinopse visual.

A sua contribuição transcorreu por gerações se bem verdade que durante alguns anos depois de iniciar o seguimento tornou-se figura obsoleta nas produções de Hollywood, por quase 10 anos não desenvolveu aberturas, até porque o processo de criação foi popularizado e outros designers começavam elaborar novos conceitos incluindo Robert Brownjohn (texto aqui), em alguns dos filmes da série James Bond, auxiliados pelas tecnologias que iam surgindo.

Já na sua fase final, durante a metade final dos anos 80 e início dos 90, volta novamente ao cenário através de Nos Bastidores da Notícia (1987), comédia romântica dirigida por James L. Brooks, até por fim trabalhar com Martin Scorsese nas produções Os Bons Companheiros (1990), Cabo do Medo (1991) e Cassino (1995), seu último trabalho, já que seis meses depois do lançamento Saul Bass morreria.

Como diretor de longa-metragens Saul Bass esteve à frente apenas da ficção científica, estilo filme B, Fase IV - Destruição (1974) onde formigas eram dotadas de grande capacidade de raciocínio e planejavam destruir tudo o que encontrassem pela frente, incluindo a existência humana. O filme ganhou status de cult com merecido reconhecimento por usar um roteiro bem escrito ajudado pela precisão de um mestre na arte visual.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

"O pensamento é o ensaio da ação." (Sigmund Freud)
Pode também entrar em contato através do e-mail allanlemos@hotmail.com