sexta-feira, 24 de maio de 2013

Uma história simples, mas um visual encantador

Há exata uma semana entrava no circuito nacional a animação produzida pela Blue Sky Studios, mesma responsável pelos desenhos animados de grande sucesso distribuídas pela 20th. Century Fox, entre elas a quadrilogia A Era do Gelo, Rio e do pouco lembrado Robôs, trás dessa vez mais uma produção que tem tudo para se tornar outro projeto bem recebido tanto pela bilheteria que deverá fazer quanto pela crítica, Reino Escondido.

Baseado no livro ainda sem publicação no Brasil "The Leaf Man and the Brave Good Bugs", de autoria de William Joyce, que também realiza trabalhos na parte técnica de alguns filmes a exemplo do drama protagonizado pela experiente atriz Rene Russo em Buddy (1997). Através do veterano expert em animações desse tipo, Chris Wedge, dentre destaque diretor da primeira aventura de A Era do Gelo, a publicação lançada originalmente em 1996 ganha finalmente sua versão cinematográfica.

A trama desenvolve quando a protagonista, Maria Catarina ou apenas M.C, uma típica adolescente com dificuldades de convivência, vai reencontrar o excêntrico pai, Professor Bomba, cientista que acredita na existência de pequenos seres que agem como algum tipo de entidade presente na floresta e essa obsessão na tentativa de comprovar suas confusas teorias terminou afastando-o do restante da família, a filha e também da ex-esposa, que recentemente faleceu e que mantinha imensa afinidade com a garota.

Em meio desentendimentos com o pai gentil, mas ausente, Maria Catarina termina adentrando no universo dos Homens-Folhas, os pequenos serem que protegem a floresta, a partir desse momento passa ter conhecimento de fatos importantes como a transição do poder do reino para um novo protetor que acontece a cada 100 anos e da tentativa por parte de um povo inimigo em não permitir a concretização desse ritual devido o plano maligno de extinguir qualquer vida provinda da mata.

Utilizando-se de um belo visual, reforçado ainda mais se visto em 3D, o desenvolvimento ocorre apresentando as figuras que compõe o místico mundo dos pequenos homens, tendo muito do que já tinha sido mostrado por J.R.R Tolkien em suas obras, mesclando momentos cômicos com situações intensas muito bem orquestradas por imagens arrebatadoras produzidas pela equipe técnica da animação fazendo de Reino Escondido uma grata e emocionante diversão.


O ENREDO

Ambientado no atual tempo a aventura pela proteção da floresta tem início com a chegada de Maria Catarina à casa do pai, um lugar isolado de qualquer contato humano, após a morte da mãe e lá passa ter maior conhecimento dos pequenos Homens-Folhas apesar de relutante essa ideia.

Tendo um relacionamento pouco afetivo com o pai, devido a ausência dele durante boa parte de sua vida ocasionado pela incessante busca para comprovar suas afirmações relacionados a esses seres, a garota introvertida termina deparando-se com a rainha Dara, protetora dos Homens-Folhas e guardiã da floresta, e nisso termina sendo transportada ao quase invisível mundo dessas pessoas do tamanho de formigas.

Passando saber do perigo envolvendo os Homens-Folhas e um povo rival, os Boggans, liderados pelo intempestivo Mandrake, M.C é escolhida para uma missão que vai selecionar o sucessor da rainha Dara pelos próximos 100 anos.



OS PERSONAGENS

Como é de se esperar nesse tipo de animação existe personagens definidos para as determinadas funções da trama: a figura central, o interesse amoroso, os que apresentam conflitos de ideologias, aliados e as de alívio cômico.

Em Reino Escondido não é diferente todos esses tipos de figuras estão presentes, personificados de maneira clara e em alguns casos chegando até serem chatos, mas nada que possa atrapalhar o andamento da história enquanto outros tem um grandes valores a exemplo do cãozinho tripé Ozzy além do próprio Professor Bomba.

A narrativa do filme depende muito de como esses personagens vão sendo mostrados e de suas visões apesar do forte apelo visual há no desenvolvimento a ideia de como cada um ao seu modo pode fazer a diferença na busca pela proteção da floresta contra as forças malignas preocupadas apenas em destruir qualquer vida presente na mata.



A AVENTURA

Tendo de maneira clara o forte apelo voltado para o lado ecológico a aventura principal pela salvação daquele ecossistema desmembra-se em sub-tramas entre elas da importância de cada ser por menor que seja e seu papel como representante no ambiente sem esquecer da consequências das ações e reações.

Proteger a floresta da ameça dos terríveis Boggans é somente uma parcela do dever da rainha Dara que deve indicar sua sucessora através de um botão de flor que deverá florescer em uma determinada localidade, entretanto, para isso acontecer necessita passar por uma longa jornada ficando a cargo da missão Maria Catarina e alguns outros personagens incluindo Nod, quem surge como futuro interesse romântico.

Não existe grande reviravoltas durante a projeção e talvez isso torne tudo muito previsível e de certo modo batido, mas mesmo assim uma grata aventura provida de importantes valores.



Com o passar do tempo fica claro que Reino Escondido está mais voltado para um público já com alguma idade do que para crianças pequenas propriamente dita. Apesar da simplicidade do enredo existe certo apelo emocional, principalmente por parte de M.C em relação ao seu temperamento e dificuldade de convívio não somente com o pai, mas na assimilação envolvendo os Homens-Folhas e criaturas falantes.

A arte apresentada na projeção é sem dúvidas, até o presente momento, uma das melhores já produzidas numa animação. As cores são vívidas e delicadas, a textura no geral repassa todo o trabalho que se deve ter tido durante o processo de criação relacionados a profundidade, iluminação, ambientação tendo como exemplo a composição dos belos beija-flores que no filme são uma espécie de montaria alada.

Numa comparação livre dá para comparar Reino Escondido com a também aventura ecológica Avatar (2009), visual encantador, história bem amarrada, mas no entanto deixando claro estar faltando algo para elevar o nível do filme e isso fica nítido, a subtração de algum elemento que pudesse elevar a qualidade do roteiro, pecando pela simplicidade da história, não há na verdade grandes novidades.

Ao mesmo tempo que ouve a grande preocupação na composição visual parece que não existiu tanta assim com o roteiro, as soluções são obvias e a partir de determinado tempo já se imagina como será o andamento das coisas até sua conclusão. Nesse aspecto poderia ter sido melhor, mostrar ousadia, partir para uma experiência nova e não somente ficar preso no confortável lugar comum. Esse sem dúvida foi o maior pecado do filme.

Mas, isso torna a animação ruim? Não. Novamente se comparado a muitas produções atuais no gênero Reino Escondido tem sim suas qualidades além dos gráficos encantadores. Ele não se preocupa tanto em agradar a todos e isso fica visível na maneira como é contada a história, num meio termo consegue ter êxito por aquilo mostrado e isso faz com que seja um bom filme e que valha a pena ser visto.


Um comentário:

  1. Muito interessante sua crítica, deu uma visão sucinta sobre o filme. Eu ainda não o assisti (tem tantos filmes que preciso ver que estou meio atropelada... rsrs) mas pelas críticas que li parece uma história que vale a pena. Eu gosto de animações (não aquelas da disney tipo rei leão) mas gosto de desenhos que tenham um objetivo e retratam uma história enigmática.

    Parabéns pelo blog e pelos textos sempre bem escritos.

    http://mmelofazminhacabeca.blogspot.com.br/

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"O pensamento é o ensaio da ação." (Sigmund Freud)
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