terça-feira, 2 de julho de 2013

A nova onda zumbi

Quando anunciado que o best-seller Guerra Mundial Z - Uma História Oral da Guerra dos Zumbis, de autoria de Max Brooks (filho do renomado cineasta Mel Brooks) ganharia as grandes telas gerou dentre os fãs do gênero uma grande expectativa reforçada ainda mais com a participação do astro Brad Pitt integrado ao elenco e produção, contudo, durante o desenvolvimento sucederam inúmeros contratempos dificultando a execução do projeto dando entender um possível desgaste no resultado final.

Nos bastidores foi dito haver constantes desentendimentos entre o diretor, Marc Foster, e o produtor, Brad Pitt, culminando quase com o desligamento do cineasta suíço responsável por filmes como Quantum of Solace (2008), O Caçador de Pipas (2007) e A Última Ceia (2001) das filmagens motivado principalmente por "divergências criativas" além dos frequentes atrasos para conclusão, estouro do orçamento (chegando a girar em torno dos US$ 200 milhões) e da polêmica em mudar praticamente todo o desfecho final da obra.

Quando as dúvidas sobre a qualidade começavam a pairar em volta de Guerra Mundial Z até por que pouco do conteúdo do desenvolvimento era repassado e a maioria das notícias envolvia problemas internos chegou a cogitar um possível insucesso, mas, desde a última sexta feira, quando finalmente entrou em cartaz, após adiamento em seis meses, o resultado apresentado na projeção demonstra que apesar do mau rumo tomado durante o processo de criação não parece ter pesado tanto assim na montagem do filme.

Nos primeiros segundos de exibição, durante a formação dos títulos, dá para perceber que a proposta nesta produção não será como de costume revelada em filmes de mesma temática, encabeçada pela proliferação dos mortos-vivos sedentos por sangue e viscéreas humanas num grotesco show de horror. Durante a abertura, ao som da banda britânica Muse, é apresentado uma série de acontecimentos simultâneos na Terra, indo de manifestações populares violentas desde à luta pela sobrevivência de animais confrontando-se, caçando e matando os oponentes.

Fica claro que em Guerra Mundial Z não há espaço para cenas chocantes, humor negro ou qualquer elemento significativo comuns no segmento popularizado com George A. Romero em seus filmes B. Aqui tudo é sóbrio, sério e dramático não deixando brechas soltas para eventuais referências de trabalhos anteriores envolvendo zumbis e isso distância muito do gênero terror aproximando mais dos filmes de ação tipicamente hollywoodiano com sequências frenéticas e belos efeitos especiais.

Um filme rotulado como eminente desastre devido sua complicada concepção reforça a ideia que nunca se deve julgar sem ao menos dar oportunidade em assistir; é notável que algumas cenas ficaram necessitando de um melhor acabamento no quesito roteiro, entretanto, a competente direção consegue sobressair nesses aspectos negativos por dar ao espectador um clima claustrofóbico, apreensivo e de poucas saídas para o personagem central da trama que no já manjado estilo Jack Bauer de ser é a única esperança de salvação de todo mundo.

O enredo aqui é como de costume nas estórias catástrofes e epidêmicas, nada se sabe da origem apenas que em pouco tempo o pandemônio toma conta das pessoas e praticamente do nada a sociedade entra em colapso deixando a sensação da aproximação do fim dos tempos, mas nesse caso tomado pela proliferação dos famigerados zumbis onde em boa parte da projeção são pessoas com olhos esbranquiçados diferente do que foi popularizado ao longo dos anos nos filmes de terror, principalmente os de baixo orçamento.

A trama começa no subúrbio da Filadélfia, no cotidiano de uma família que em poucos momentos ao sair de casa se vê perdida junto as eventuais cenas de pânico no centro da cidade motivado por pessoas ensandecidas que atacam outras sem qualquer razão e nesse momento a única alternativa é manter-se longe desses indivíduos buscando encontrar um local seguro. Após alguns acontecimentos o pai da família (Brad Pitt), um ex-investigador da ONU, parte numa missão militar para poder descobrir as razões desse mal originando assim todo o desenrolar.

Seguindo a mesma linha de raciocínio presente na produção Contágio (2011), buscando localizar o paciente 0 e consequentemente elaborar uma vacina contra a doença, a estória ao longo do tempo passa ganhar novos contornos entre elas um ar dramático proporcionado pela rapidez da destruição dos locais visitados ocasionado pela ferocidade dos mortos-vivos, conceito muito parecido em Extermínio (2002), criaturas ágeis, força maior do que imaginado e possuindo certa inteligência, diferente nos filmes tradicionais do gênero.

Não dá para reclamar no quesito aventura já que durante praticamente desde os primeiros minutos Guerra Mundial Z trás correria, tiros, explosões, aviões sendo derrubados e cidades tomadas de uma forma como nunca vista no segmento apocalipse zumbi. A ausência de mordias, sangue e tripas saltando para fora da tela é compensada pelo clima da eminente destruição da raça humana criado a partir do ritmo frenético dos acontecimentos e pela tensão gerada a cada local visitado, talvez tendo seu ápice na parte envolvendo Israel.

Os pontos negativos ficam por conta de ser uma produção de um único personagem, no caso vivido por Brad Pitt, as outras presenças pouco contribuem para o desfecho da obra e tudo recai nos ombros do galã cinquentão. Outro aspecto que deve ser relevado é a facilidade de locomoção de um continente para o outro onde em poucas horas transcorridas passa pela América do Norte, Ásia e Europa além da solução de saída fácil encontrada para conclusão do filme, contudo, não pode ser negado que para algo rotulado de desastroso antes de ser lançado consegue agradar e surpreender positivamente.

Em resumo, a proposta levada as telas na nova aposta de Brad Pitt pretende fazer desse o primeiro filme de uma franquia. Pode não ser aquilo esperado por alguns devido o fato da produção ser totalmente diferente do livro, uma espécie de coletânea de depoimentos dos sobreviventes aos ataques dos errantes, entretanto, acerta em cheio quanto ação/aventura e dessa forma agradando aos que querem ver um competente blockbuster sem muitas preocupações com referência ou manter um legado construído ao longos anos.


Um comentário:

  1. Esse eu quero assistir. Parece muito bem feito. Otimas criticas.
    Parabens pelo blog. Excelente post tambem.

    Guilherme Dutra
    guilhermeddutra.blogspot.com

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"O pensamento é o ensaio da ação." (Sigmund Freud)
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