sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O risco da boa forma



O início de um novo ano sempre revela a vontade das pessoas em melhorar suas formas físicas até mesmo para aproveitar o verão numa praia, clube ou parque ao ar livre esbanjando saúde ou então simplesmente para eliminar os inconvenientes quilinhos extras desejando somente quererem se sentir saudáveis. Até esse ponto é algo comum e de bem estar no entanto o problema aparece quando extrapola o limite do bom senso.

Num relato particular posso dizer que devido o peso adquirido, principalmente no decorrer de 2012, no qual cheguei a estar pesando 86 kg (11 kg acima do recomendado já que tenho 1,73 cm) tive de ir a dois médicos, um endocrinologista e o outro nutricionista, que relataram o obvio, estava aproximando de um estágio perigoso para minha saúde. Após uma longa série de exames que envolveu entre elas sanguíneo, cardiológico e físico foi então passado uma rigorosa dieta proporcional e de acordo necessidades ao meu organismo e assim, desdo o início do regime, já perdi cerca de 6 kg em duas semanas.

Não quero ao referir dos processos por qual tive de passar ostentar congratulações, mas mostrar as diversas etapas que se precisa ter para começar algo do tipo e não simplesmente ficar caçando dietas malucas em revistas ou internet da qual muitas não passam de pura estupidez de pessoas despreparadas, sem conhecimento de causa que se baseiam no achismo, isso pode proporcionar malefícios, como a exemplo ficar três dias comendo somente frutas durante as refeições ou ainda podendo ser pior:

Não dá para levar a sério esse tipo de sugestão, pelo menos imagino eu, regime não é receita de bolo, uma fórmula não serve para todo mundo, lembrando que cada pessoa representa uma espécie de organismo diferente e como tal possui suas particularidades que deve ser levado em consideração. Tomando novamente a mim como exemplo, tenho histórico familiar de doenças envolvendo coração além de ser portador da hemiparesia, característica que faz meu lado direito ser menos desenvolvido do que o esquerdo, similar a quem teve um derrame parcial, ou seja, necessitando de cuidados específicos.

Além da dieta é sempre válido ressaltar a importância do trabalho físico acompanhado por um profissional da área até porque nada adianta querer emagrecer sem preparar o corpo para tal coisa. No meu caso estou caminhando num parque próximo minha residência, durante uma semana percorri diariamente 5 km, na seguinte 8 km e assim será por diante, dentro das limitações, mas reforçando estar caminhando e não correndo, até chegar essa fase primeiro meu organismo tem de ser acostumar com o ritmo e ver se isso poderá não prejudicar.

O corpo em si não é um brinquedo, deve sempre ser repeitado. Enquanto pessoas podem colocar sua própria saúde e as das outras também em risco por gostarem de fingir ter conhecimento numa área delicada, expondo ideias e fórmulas errôneas em sites, blogs, revistas e até mesmo através do contato boca a boca deve a todo custo lembrar que está tratando de uma vida. O ideal é buscar ajuda de pessoas formadas, experientes e que saiba o que esteja fazendo.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Sonic the Hedgehog no tempo do Mega Drive


Numa época que inexistia consoles de última geração ou quando o melhor de um gráfico pudesse chegar somente a 16-bits e Super Mario batia recordes de vendas ano após ano, no início da década 90, começo das primeiras grandes produções cinematográficas inspiradas em games, surgia o fenômeno da Sega e mais tarde um dos personagens imortais dos videogames que sozinho conseguiu mudar o rumo do entretenimento eletrônico daquele período, Sonic, o Ouriço, criação de Naoto Oshima tendo desenvolvimento dividido entre Hirokazu Yasuhara e Yuji Naka.

Concebido para rivalizar diretamente com Mario e sua turma do Reino dos Cogumelos, um dos maiores sucessos da história de todos os tempos da Nintendo, vendendo mais de 20 milhões de cópias do maior clássico da série até hoje, Super Mario World, o ouriço mais rápido do mundo fez sua estreia em julho de 1991 alavancando o Mega Drive na Europa e América fazendo devido a boa aceitação fosse lançado também para Master System e Game Gear, consoles de menor capacidade e de maior difusão junto ao público da Sega, principalmente no Brasil, do primeiro.

O surgimento de Sonic se deu durante a última década do século XX, augue das disputas entre Nintendo x Sega, empresas japonesas que rivalizavam pela supremacia do mercado em questão, tanto que os anos 80 e 90 ficaram marcados através das brigas entre consoles das organizações, primeiro Nintendo ou Nintendinho, como ficou popularmente conhecido, versus Master System e depois Super Nintendo versus Mega Drive encabeçaram os confrontos em boa parte desse tempo no qual Mario predominou, superando Alex Kidd, até então garoto propaganda da Sega.

Quando lançado em Sonic the Hedgehog o ouriço azul mais famoso do mundo, erroneamente chamado no Brasil de porco-espinho, mostrava que os gráficos em 16-bits poderiam apresentar uma qualidade refinada como poucas vezes visita até aquela data, praticamente uma verdadeira obra prima em pixel art, que entre outros valores procuravam passar que a Sega estaria passos largos à frente de sua principal concorrente com um console de performance mais rápida e de melhor desempenho do que o tradicional rival.

A partir de então estava cravado na história o início de uma franquia clássica, por diversas vezes salvou da ruína o estúdio a qual pertence, indo de jogos memoráveis a alguns esquecíveis, mas que mesmo apesar da adversidade presente e da forte concorrência permanece querido nas lembranças dos old gamers (nomenclatura dada as pessoas que preferem jogos antigos) quanto aos que descobrem tamanha riqueza numa figura simpática que somente é provido da velocidade para combatar o terrível Dr. Ivo Robotnik.


Os três primeiros jogos da franquia até hoje são considerados por muitos como melhores de toda série despontando até mesmo os mais recentes que terminaram expandindo o universo do qual o famoso ouriço tinha ficado conhecido, reforçando da importância ligada as origens do personagem outrora sinônimo de uma época saudosista onde videogames não necessitavam de tantos recursos para divertir.

Em pouco menos de quatro anos Sonic the Hedgehog virou referência de perfeição, dentro aquilo que poderia ser feito indo além do imaginado num equipamento limitado e inferior ao produto do principal concorrente, sem esquecer rivais valiosos como SNK pelo excelente Neo-Geo, fortalecendo a Sega e consolidando os jogos da linhagem como parte dos principais de todos os tempos pela ousadia, inovação e qualidade numa fase marcada pelas tentativas de transição entre o que já tinha sido feito com o que ainda poderia ser descoberto.

Sem dúvidas a Sega cresceu juntamente com a popularidade de sua mais importante criação dentre todas tentativas incluindo Alex Kidd, por sinal uma figura até certo ponto carismática, entretanto, de poucas novidades e incapaz de concorrer com Super Mario, que estava em constante evolução, mas Sonic conseguiu fazer sombra ao encanador chegando ser considerado durante 1991 e 1992 como o principal jogo daquele período e também despontando entre os mais vendidos dentre novidades.

Graças aos marcantes primeiros exemplares Sonic garantiu ainda sequências para diversas mídias entre elas uma série animada que levara nome do personagem durante duas temporadas exibidas (no Brasil a rede Globo e SBT transmitiram o desenho), um longa-metragem baseado na continuação do programa de televisão onde era mostrado Metal Sonic, robô construído por Robotnik para assassinar seu arquiinimigo, e edições em revista em quadrinhos estreando no ano de 1993 com exceção do filme, na verdade uma microssérie em duas partes produzido em 1996.

A publicidade e estratégia de marketing aliada aos jogos terminaram popularizando ainda mais a franquia, lembrando que por volta desse período Mario também lançara programas de tevê entre elas Super Mario Bros. Super Show!, o filme Super Mario Bros. que tinha em seu elenco Dennis Hopper e as revistas em quadrinho Super Mario-kun e Super Mario Adventures tornando mais perceptível a rivalidade gerada entre franquias.


Ao ser lançado Sonic the Hedgehog mostrava que o 16-bits ainda tinha um vasto terreno para ser explorado apresentando elementos tão bem trabalhados, desde cenários animados, ricos em detalhes como flores se movimentando, inimigos esbanjando cores vibrantes e delicadamente desenhados à programação que em si compunha uma verdadeira aula de como fazer um jogo ágil, moderno e divertido.

O êxito da estreia acompanhado do carisma gerado pela aventura e de belas imagens, não apenas envolvendo o personagem central, mas no conjunto em geral onde havia minucioso trabalho de composição gráfica incluindo excepcional efeito de luz e sombra revelando uma nova etapa dos videogames, deixando para trás formas simples partindo para desafios complexos levando ao limite do que poderia ser feito naquele tempo.

As músicas presentes também contribuíram para fazer deste um início aclamado, os arranjos compostos para o jogo combinam a cada estágio indo de contagiantes até mesmo sombrias, este lembrando um pouco melodias de outro aplaudido jogo da época e que também fez história nos consoles, Castlevania, sem esquecer os bonus stages, espécie de mini-games que dava oportunidade do jogador aumentar sua pontuação num ambiente giratório.

É espetacular a composição criada através ricos detalhes que pareciam impossíveis de serem feitas com tão poucos recursos, o personagem chega possuir personalidade própria, quando fica muito tempo parado olha diretamente para tela como se soubesse da existência de um jogador e termina agindo como se esperasse uma atitude da pessoa para dar prosseguimento na aventura, deixando de lado o estético mórbido de figuras inanimadas.

Resumindo, Sonic the Hedgehog foi simplesmente o mais revolucionário jogo a ser criado durante aquela geração, apesar de não ser o melhor da série, no entanto pode-se dizer que é o segundo, tanto pelos critérios técnicos envolvendo a plataforma específica quanto de interesse da diversão, nele o herói só precisa correr e nada além disso para salvar o dia das mãos do Dr. Ivo Robotnik que planeja transformar todos em robôs.




O que parecia ser a perfeição de um jogo plataforma visto no primeiro título atingiu graus maiores na continuação Sonic the Hedgehog 2 (apontando como melhor de todos da série) contendo uma ambientação extraordinária, mais refinada, um bem elaborado falso efeito 3D, estágios aperfeiçoados, trilha sonora contagiante e de acordo com cada fase terminou tornando merecidamente o grande jogo da franquia.

Tamanho foi sucesso que terminou sendo rotulado como melhor jogo feito para Mega Drive assim como mais vendido de todo console, cerca de 6 milhões de unidades, é nele também que pela primeira vez aparece Tails, raposa voadora de duas caldas, fiel parceiro de Sonic, sendo auxiliar durante toda aventura que novamente empolgava pela qualidade apresentada numa trama quase idêntica a anterior, contudo, mais desafiadora perante complexidade criada em meio incríveis cenários providas com novas recompensas.

Outro aspecto curioso é adição de um segundo gamer (termo usado para jogadores) que poderia comandar Tails, no anterior somente havia espaço para uma única pessoa, e nessa etapa a tela poderia ser dividida em duas partes horizontais quando escolhido o modo competição para agilizar a jogabilidade e nele era dado diversas tarefas simultâneas como: quem conseguiria terminar determinada fase em menor tempo ou quem teria mais anéis.

Parte dos motivos que transformaram essa sequência num verdadeiro fenômeno foi repetir a mesma eficiência do primeiro, mas com menos atos, no título de estreia as fases eram desmembradas em três segmentos e neste em apenas duas no entanto com mais estágios, passando de sete indo para doze além de aproveitar ideias do antecessor, conter maior número de caminhos alternativos e os inimigos agora poderiam se defender das investidas, tornando pouco mais difícil de serem combatidos.

O jogo, mesmo possuindo alguns bugs (falhas de execução), indiscutivelmente é uma obra de arte feita para videogames, clássico em todos quesitos, e tão impactante (se não for mais) do que a versão lançada um ano antes no qual apresentara ao mundo Sonic tornando espantoso a evolução desenvolvida em tão pouco tempo. Sonic the Hedgehog 2 é a consolidação definitiva da Sega, talvez o melhor jogo já criado por ela na história.



Quando se imaginava que o ouriço azul tinha chegado na sua forma definitiva enquanto gráfico Sonic the Hedgehog 3 ou apenas Sonic 3, como também ficou batizado oficialmente, veio desbancar tal afirmação, extraindo até a última gota do que poderia ser aproveitado do 16-bits. Sem dúvida alguma é detentor do mais impressionante visual da série original, novamente aperfeiçoando-se nessa área, aos olhos dos fãs já pareciam impecáveis, além de ser a primeira aparição de Knuckles the Echidna.

Algumas novidades povoaram essa continuação a exemplo dos escudos de proteção que dependendo do elemento poderia dar ao heroizinho azul a capacidade de respirar de baixo da água, atrair magneticamente os anéis ou andar sobre fogo sem contar o ataques que poderiam ser atribuídos como quiques de uma bolha gigante, choques ou ainda uma rápida disparada em forma de cometa. Outra característica, essa na parte técnica, é dar possibilidade ao gamer de poder salvar as progressões durante aventura.

Nessa nova etapa Sonic ganhou forma de quase ser um filme, nele existe inúmeras passagens animadas desde seu início provocando certa interação entre o jogo e a estorinha contada, nele Knuckles the Echidna a princípio é um antagonista dificultando como possível as missões, e os atos de cada fase são interligado, a segunda metade começa no final da anterior, além disso há em cada conclusão de primeira parte um subchefe para em seguida enfrentar Dr. Robotnik e suas invenções malignas no término do estágio.

A trilha sonora tão presente durante todos os jogos neste sofre alterações tornando mais vivaz sem contar da suposta participação do astro Michael Jackson na composição, mas essa versão nunca foi oficializada pela Sega (também não foi desmentida), contudo, existe particularidades que assemelham ao estilo do rei do pop com alguns arranjos musicais da terceira parte da aventura protagonizada por Sonic sendo capaz de identificar os famosos "woow" do cantor durante trechos do combate entre subchefes da primeira parte da fase.

Sonic 3 é repleto de curiosidades que deveria ter transformado no melhor da franquia parente aquela época no entanto não conseguiu (mesmo desse modo é o meu preferido) e entre os motivos está que o jogo fora lançado pela metade somente possuindo seis fases de dezesseis previstas, sendo dessa maneira o menor dos três intitulados the hedgehog. A especulação sobre o assunto é que com grande tempo gasto nessa continuação o prazo terminou estourando então teve de ser lançado do jeito que se encontrava, complementado depois com Sonic & Knuckles.


SONIC & KNUCKLES

Este jogo na verdade é uma versão expandida de Sonic 3, nele está contido as fases que não foram incluídas no antecessor e o antagonista Knuckles passa ser um dos dois personagens selecionáveis, Tails não participa dessa continuação, desse modo apresentando dois enredos diferentes.

É em Sonic & Knuckles que surge a tecnologia específica para o jogo, Lock-On, no qual faria unir o cartucho do jogo com outros da série além do predecessor que daria a continuidade a história. Acoplado com o primeiro há poucas mudanças, mas com o segundo título da franquia Knuckles toma o lugar de Sonic.

A jogabilidade, trilha sonora e gráficos onde incluí o falso 3D das fases bônus continuam idênticos ao Sonic 3 estando dessa maneira responsável para concluir a trilogia segredada em quarto partes da inovadora série The Hedgehog que atingiu sua principal meta, fazer concorrência acirrada com Super Mario e Nintendo.



Após celebre conclusão da épica The Hedgehog o ouriço ficou inativo durante 1995, quando estava sendo projetado uma nova aventura, Sonic X-Treme, para Sega Saturn, console que prometia ser o novo passo dado pela Sega nos videogames de 32-bits (equiparado ao Playstation), porém, o jogo nunca foi terminado por razões desconhecidas então a saída encontrada para não frustar aos fãs a empresa viu-se obrigada investir no Mega Drive como laboratório.

Dessa vez o desenvolvimento não ficaria sob responsabilidade da Sonic Team, departamento interno criado pela Sega para elaboração de softwares envolvendo o herói, mas da Traveller's Talles, tendo em seu portfólio alguns jogos Disney, agora incumbido de apresentar a inédita versão inteiramente tridimensional do personagem nomeado Sonic 3D Blast onde o ouriço teria como companhia os passarinhos Flickies (da série de jogos Flicky também do Mega Drive).

O jogo apresentou algo até então impensável de ser conseguido, um ambiente tridimensional de alta qualidade (para o que era possível fazer no console) que não se limitasse moldes poligonais e a momentâneas ações, mas perdurasse ao longo das oito fases. Com essa premissa surgiu a última aventura de Sonic destinado ao Mega Drive, ganhando posteriormente versões para outros videogames como Sega Saturn e PC.

Possuindo visual interessante, entre elas a abertura também tridimensional, o pequeno herói tem como objetivo libertar os passarinhos Flickies do Dr. Ivo Robotnik, que tem como plano aprisionar tais bichinhos em suas máquinas malignas afim de encontrar as Esmeraldas do Caos e assim dominar o mundo. É dessa maneira que o ouriço azul mais rápido do mundo volta enfrentar seu maior inimigo, terminando numa dimensão desconhecida no qual os passarinhos abitam.

Apesar das boas novidades onde simulava um excelente espaço 3D, mas não verdade não sendo, em alguns quesitos deixando a desejar como falta de interatividade e as vezes complicações na jogabilidade, o jogo merece mais reconhecimento pela inovação do que críticas pelas faltas por trazer uma nova visão do personagem sem contar um digno final para empreitadas do mesmo no bom e velho Mega Drive.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A lei tem limites, ele não tem

É bem verdade que durante todo período dos anos 80 Tom Cruise esteve presente em alguns dos maiores clássicos daquela geração como Negócio Arriscado (1983), A Lenda (1985), Top Gun - Ases Indomáveis (1986), Rain Man (1988) e seu grande trabalho, Nascido em 4 de Julho (1989). Consolidou a carreira através papeis galanteadores no qual rotineiramente encarnava o mocinho rebelde, mas no final superava adversidades e terminava com o par romântico à ele destinado.

A fama e o sucesso terminaram tornando-o, as devidas proporções, numa espécie de semi-deus hollywoodiano da era moderna. Desde então todas as produções das quais participasse exercia a função de protagonista, salve raras exceções a exemplo de Entrevista com o Vampiro (1994) onde dera vida ao antagonista sedutor vampiro Lestat, estrelou diversos gêneros desde ação presente em Missão Impossível (1996), clássico da espionagem, até dramas eróticos como De Olhos Bem Fechados (1999), último trabalho em vida do lendário cineasta Stanley Kubrick.

Já os anos 2000 não foram muito generosos reservando tumultos no divórcio com a também atriz Nicole Kidman, escândalos envolvendo a vida pessoal e sua religião, Cientologia. Esteve presente em alguns filmes bem sucedidos como Minority Report - A Nova Lei (2002), O Último Samurai (2004) e Colateral (2004) no entanto sem repetir o antigo sucesso levando ser subestimado em algumas oportunidades e quando dava entender destinado padecer no inquieto mundo à parte de Hollywood volta se destacar no início da década 10 do novo milênio.

A sua mais recente produção, Jack Reacher - O Último Tiro, é prova da nova fase vivida pelo ator assim como anteriormente em Missão Impossível 4 - Protocolo Fantasma (2011) e Encontro Explosivo (2010), agradando ao público e críticas, este aqui consegue desempenhar de maneira convincente sua função: levar para as telas do cinema uma trama recheada de espionagem, reviravoltas, teorias conspiratórias e um herói osso duro de roer.


CARA DE POUCOS AMIGOS

O personagem Jack Reacher é a personificação do herói enigmático, sisudo e nada amigável que termina sendo relacionado num misterioso atentando envelvendo cinco mortes e um atirador. Provido apenas da coragem, força física, algumas armas e um carro envenenado começa sua própria investigação para descobrir o motivo e os verdadeiros culpados pelos assassinatos.

Baseado numa série de livros de ação do escritor inglês Lee Child, pseudônimo de Jim Grant, onde literalmente quase nenhum livro foi publicado em terras tupiniquins, o andarilho implacável e também ex-militar condecorado demonstrar ser a versão moderna de Steve McQueen em Bullit (1968).

O jeito de averiguar as pistas, pouco amistosa, recorrendo normalmente à violência fazendo-se enquadrar no clássico tipo "durão", desprovido de meias-palavras, sutilizas ou cavalheirismo onde primeiro usa da brutalidade e somente em seguida pergunta sobre o que deseja saber.



A trama não chega conter grandes novidades, deixando desejar neste quesito; se por acaso quem assistir tiver também visto filmes com temática parecida a exemplo da cinessérie criada em volta de Jason Bourne ou ainda conhecimento de Atirador (2007), estrelado por Mark Wahlberg, notará semelhanças com essas produções, mas é preciso ressalvar que o enredo parte do princípio dado desenvolturas presente personagens no qual além do sério herói há vilões caricatos como o vivido pelo cineasta alemão Werner Herzog, numa função pouco habitual.

Talvez Jack Reacher - O Último Tiro seja início de uma nova franquia a ser estrelada pelo agora cinquentão ator, buscando espaço num segmento outrora dominado por Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis, Sylvester Stallone, Wesley Snipes e que atualmente conta como referências Dwayne Johnson, Jason Statham e Vin Diesel. O filme dar entender levar para esse novo lado aventurando-se em terras onde outro veterano dos cinemas pareceu ter encontrado seu porto seguro há tempos, Liam Neeson, nos seus últimos lançamentos.

Não deve ser levado ao pé da letra a seriedade desta obra, ela está mais próxima de uma aventura voltada ao público que tenha mais interesse em acompanhar longas sequências de pancadaria, tiroteios desenfreados, perseguições automotivas devidamente preparadas para tirar o fôlego dos espectadores e isso faz do filme um prato cheio para quem busca somente ver tais coisas. Está longe de ser a melhor produção estrelada por Tom Cruise ou da perfeição cinematográfica, contudo, igualmente permanece distante da negação ficando numa escala entre meio termo.

Um filme que dispõe misturar tantos elementos, pode e vai pecar em certos momentos, como na duração, passando de duas horas e dez de projeção, poderia ser menor não existe dúvida perante a isso, sem esquecer incessante uso de clichês manjados nessas produções, no entanto são parte da ideia do roteiro apontar esses fatores assim como a veia cômica de alguns personagens a exemplo do experiente Robert Duvall. Entre acertos e tropeços os pontos positivos sobressaem as falhas então torçamos que outros títulos do protagonista possam ganhar as grandes telas.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Apenas um Show: Um show de comédia



Quando A Vida Moderna de Rocko estreou pela Nickelodeon em meados dos anos 90 mesmo sem querer terminou formulando uma nova maneira de se fazer animação voltada ao público já não tão infantil, mas também não tão elevado enquanto faixa etária, apresentando enredos apesar de cômicos com algum sentido refinado para o gênero e dessa forma dando origem a uma das primeiras sitcoms animadas, consequentemente, abrindo espaço para futuras produções a exemplo de Apenas um Show.

Protagonizado pela dupla vivida por Mordecai (o gaio azul) e Rigby (o guaxinim), 23 anos cada, que trabalham e moram num parque dividindo espaço com os demais membros da equipe de manutenção do local encabeçado por Benson, Saltitão, Pairulito, Musculoso e Fantasmão além da convivência com Margaret e Eileen, garçonetes do café frequentado pelos amigos, e quase sempre envolvidos em situações perigosas normalmente resultante das aventuras desenfreadas até certo ponto embaraçosas.

Apresentando elementos comuns dos anos 80 e 90 do século passado como vestimentas, jogos eletrônicos, músicas, Apenas um Show busca mesclar essas referências ao seu favor seguindo paralelamente uma linhagem retrô no contexto desenvolvido em meio características da cultura pop tão viva na série idealizada pelo animador J.G. Quintel, que também dá a voz ao personagem Modercai, onde curiosamente parte das situações presenciadas no seriado tem como referência momentos da vida pessoal de seu criador enquanto estudante na faculdade.

Considerado como uma das gratas revelações da Cartoon Network nos últimos anos, alavancando a popularidade do canal que há tempos perdia espaço considerável para seu principal concorrente, Nickelodeon, e a acessão de outras emissoras como a Disney Channel e Disney XD sem contar a queda do antigo presidente do canal, Jim Samples, o programa trás em seu cast de dublagem original, fora Quintel, Mark Hamill (Luke Skywalker da trilogia clássica de Star Wars) dando voz ao yeti Saltitão e esporadicamente Tim Curry (Lord Darkness do também clássico A Lenda).

Devido a boa aceitação Apenas um Show teve recentemente mais uma temporada anunciada para esse ano contabilizando a quinta sequência interrupta da série iniciada em 2010 enquanto segue em andamento a quarta, ainda inédita no Brasil, totalizando 88 episódios, entretanto, alguns chegando a terem pequenos cortes por questões relacionados a polêmicas geradas entre outros motivos envolvendo linguagem considerada imprópria e violência para serem vinculadas no ar de acordo condições de transmissão.


POLÊMICAS & CENSURA

Não foi somente na América Latina que passagens tiveram de ser removidas da edição final para poder os episódios do programa irem ao ar. Na Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido e outras localidades ouve pequenas alterações, muitas vezes até mais rigorosas do que no continente sul-americano.

Palavras como xixizão, babaca e otário tiveram de ser trocadas ou silenciadas nas versões apresentadas fora dos Estados Unidos da mesma maneira breves cortes de cenas que poderia fazer menção a atos violentos demais partindo do exemplo encontrado no especial de Halloween onde alguns personagens chegavam a ser escalpelados. Tais interferências contribuiu para momentâneos erros de continuidade.

No Brasil a classificação indicada era a partir de 12 anos, uma das mais altas até hoje do canal infantil, sendo da mesma faixa etária de Os Simpsons, de emissora voltado ao público não infantil, mas devido os cortes caiu para 10 anos.



MUSICALIDADE DE PRIMEIRA

Talvez uma das principais qualidades da animação seja o repertório musical que mantem em seus quadros ora criando melodias próprias como "Summertime Loving, Loving in the Summer (time)" ora tocado alguns dos antigos clássicos do gênero, exemplo, "Mississippi Queen" da banda Mountain, uma das músicas mais tocadas também no jogo eletrônico do Guetar Hero.

Uma das passagens que melhor representa esse lado está presente no episódio Vídeo de Karaoke quando o personagem Pairulito canta a música "Footloose" de Kenny Loggins, considerado um do grandes marcos dos filmes adolescentes dos anos 80, em meio confusões criadas pelos amigos bem ao estilo das produções daquela época (vídeo).

Outras referências também podem ser vistas no decorrer da série como a polêmica canção da banda Filter, "Hey Man Nice Shot", lançada em seu primeiro álbum, Short Bus, considerado um dos motivadores para suicídio de Kurt Cobain.





POP CULTURE

Diferente praticamente em todos os segmentos das produções caseiras da Cartoon Network o seriado faz ainda grande uso da cultura pop seja ela na caracterização dos personagens a exemplo do Rei do Basquete (foto) ou no conceitos que as envolve enquanto enredo quanto ambientação.

Estórias inicialmente desapercebidas, entretanto, complexas no desenrolar da trama revelam quase sempre uma faceta surrealista em cada episódio misturando dentre alguns aspectos misticismo, ufologia e universos paralelos no qual mesmo que indiretamente tenha relação com o parque onde vivem os personagens.

O modo de atitudes, ideias e a percepção visual como são apresentados pelas figuras centrais e secundárias desde grupos de unicórnios punks à semi-deuses desportistas, sem contar estilosos, revela a exploração de ícones undergrounds já conhecidas em trabalhos conceituados a exemplo de Robert Crumb em O Gato Fritz.



O SOBRENATURAL

Um dos temas mais abordados em Apenas um Show são os que envolvem a temática sobrenatural seja ela podendo encontrar bruxos malignos ou em personificações de monstros que quase sempre em algum momento terminam entrando em atrito com os protagonistas.

Atores consagrados no universo do terror como Robert Englund (o eterno Freddy Krueger), Jackie Earle Haley (A Hora do Pesadelo - 2010) participaram de alguns desses episódios sendo antagonistas igualmente presente nas duas participações de Tim Curry desempenhando o papel da salsicha canibal e de Mestre dos Trotes.

Na terceira temporada e isso apenas aconteceu somente uma vez (até agora), um episódio teve de ser divido em duas, justamente o especial de Halloween, Contos de Terror no Parque, sendo uma parte intitulada "Boneco Sinistro" e a outra "Dentro de Casa" quando Rigby é transformado literalmente numa casa.



Continuando nos contos de terror, durante a segunda temporada foi ao ar nos Estados Unidos o episódio "No Cemitério" (Grave Sights), no Brasil transmitido apenas ano passado durante as festividades de Halloween, onde Mordacai e Rigby terminavam trazendo cadáveres de volta a vida em meio uma sessão de cinema realizada no cemitério abandonado do parque enquanto passava o filme Zombocalypse 3D.

A curiosidade fica por conta das homenagens aos filmes e aos jogos do gênero survival horror como o personagem principal ser uma clara referência ao ator norte-americano Bruce Campbell dos cultuados A Morte do Demônio e Uma Noite Alucinante 2, na sequência apresentada no desenho o mocinho está preso numa cabana que lembra as dos filmes estrelados pelo icônico ator, e a capa ser uma citação direta ao jogo eletrônico de tiro em primeira pessoa Doom.




Eleito como um dos melhores episódios da série tanto por votação popular através do site da Cartoon Network quanto pelo portal IMDb (especialista em filmes, séries e programas de tv) rendendo a primeira indicação ao Emmy na categoria Melhor Animação em Formato Curto, vencida pelo Travessos contra Bonzinhos, Disney, transmitido ano passado no programa Tv Globinho Especial de Natal, originando também o jogo on-line Nightmare-Athon (clique aqui), disponível no site do canal americano.

Apesar de não ser propriamente segmento Zombocalypse ganhou status de como uma das apresentações que melhores agradaram no decorrer do programa tanto pela homenagem aos cinema de filmes B, antigamente às vezes exibidos ao ar livre, principalmente nos parques de cidades americanas e inglesas, quanto pela originalidade proporcionando parte do destaque conseguido pela animação.




EMMY 2012

Mesmo não tendo arrematado a estatueta logo na primeira indicação ao Emmy, 2011, o programa concebido por J.G Quintel conseguiu tal feito ano passado na categoria Animação Formato Curto graças ao episódio Ovocelente disputando caseiramente com Hora de Aventura, Frango Robô, MAD e Phineas e Ferb, do Disney Channel.

Desbancando os favoritos MAD e Frango Robô (vencedor do Emmy e Annie Awards anteriormente) o programa terminou confirmando o alto grau de aceitação perante crítica, algumas de importantes meios de comunicação da área, a exemplo dos sites Nick and More! e Common Sense Media que o classifica imprópria para crianças e de bom agrado aos mais velhos.

O excelente momento repercute principalmente na audiência conquistada deixando algumas vezes entre os programas líderes do horário perante canais infantis mesmo com eventuais reprises de suas exibições.



POR ENQUANTO, NADA DE DVD

No Brasil não existe previsão para lançamento de dvds ou blu-rays da série ainda que da boa receptividade obtida também em território nacional diferente de outros seriados do canal, exemplo, Scooby Doo! Mistério S/A que apesar de ser mais recente (2011) já se tem dvds à venda.

Nos Estados Unidos foram lançados dois discos sendo, Slack Pack, primeira temporada completa, e The Best DVD in the World numa tradução literal "O Melhor DVD do Mundo", por sinal bastante elogiado, com a coletânea dos melhores episódios da segunda e terceira temporada além de extras.

Outro aspecto que deixa a desejar em relação os distribuidores é a falta de produtos voltado aos fãs (camisetas, acessórios, bonecos) dando entender que desenhos como o próprio Apenas um Show por serem voltados a um público de faixa etária maior não possui o mesmo nível de difusão a exemplo de Ben 10, atualmente principal garoto propaganda da Cartoon Network.



Formado pelo Instituto de Artes da Califórnia o animador J.G, abreviação de James Garland, Quintel começou a criar os esboços de Apenas um Show ainda no período acadêmico através de dois curtas, um protagonizado pelo personagem que ficaria conhecido mais tarde como Pairulito, The Naive Man from Lolliland e 2 in the AM PM que mostra breves passagens de Mordecai, Benson e outra vez Pairulito.

Sendo estagiário, Quintel fez parte da equipe de aprendizes de revisão de storyboard da série animada Star Wars: Guerra dos Clones e tempos depois do filme Horto e o Mundo dos Quem (2008) passando também pelo programa já encerrado O Acampamento de Lazlo do premiado animador Joe Murray (criador de A Moderna Vida de Rocko) além de rápidas participações em Hora de Aventura, Phineas e Ferb, e como diretor fixo de As Trapalhadas de Flapjack até chegar ao projeto Cartoonstitute lançando dessa forma Apenas um Show.

Através dos personagens criados nas suas animações independentes e outros novos, exemplo, Rigby, resultado inicial de um rabisco sem muita importância, entretanto, que passaria a ser o contrapeso de Mordecai e seu melhor amigo, mais inconsequente e menos esperto, concebeu o piloto do seriado, nunca transmitido na televisão, devido cancelamento do projeto Cartoonstitute antes de ir ao ar, contudo, ganhando a primeira temporada.


A repentina ascensão rendeu ao desenhista indicações e prêmios em festivais especialistas entre o meio da animação como em Nicktoons Film Festival, ganhando nas categorias Escolha dos Produtores e Melhor Projeto Estudantil pelo The Naive Man from Lolliland, uma indicação no Annie (uma das maiores premiações do segmento) por As Trapalhadas de Flapjack, categoria Melhor Direção para Televisão, e as citações do Emmy.

J.G Quintel participou em 2011 da Comic-Con, principal feira de quadrinhos dos Estados Unidos, para falar da série, promover o lançamento do então primeiro dvd, projetos futuros e tirar dúvidas dos fãs afirmando que ele (Quintel) era apenas um cara normal e que os episódios do programa refletiam um pouco disso, um rapaz nada extraordinário, preguiçoso, chegando até ser tímido, na personificação da figura de Mordecai, o gaio azul.

Com a renovação por mais uma temporada (esperemos também uma sexta) Apenas um Show apesar de recente goza de excelente qualidade técnica, competência, criatividade e saudosismo, confirmando os merecidos elogios, tornando um dos novos cults e porque não clássicos da Cartoon Network deixando ao lado de outras animações não somente voltada ao público adulto como Space Ghost de Costa a Costa e do inesquecível O Laboratório de Dexter.


Aproveitando que nesta postagem, por sinal uma das mais extensas até hoje do blog, foi falado muito das músicas presentes na animação então está sendo colocando sete a disposição para serem escutadas. Do heavy metal, pop rock dos anos 80, rock alternativo da década de 1990 e músicas clássicas compõe parte do repertório fazendo que seja valido a pena serem ouvidas.


Episódio: Fim de Semana no Benson (3ª temporada)


Episódio: Rebotes e Enterradas (3ª temporada)


Episódio: Vídeo de Karaoke (2ª temporada, season finale)


Episódio: Minha Mãe (2ª temporada)

Episódio: Primeiro Dia (2ª temporada)

Episódio: Lá no Topo (2ª temporada)

Episódio: O Melhor Hambúrguer do Mundo (3ª temporada)



Torçamos para que Apenas um Show continue mantendo a qualidade até aqui apresentada nessa nova temporada prevista parar estrear somente em setembro, mas até lá com reprises diárias no Cartoon Network ou podendo serem baixados em diversos blogs sobre o programa tendo como indicação Regular Show Brasil, um dos mais completos espaços sobre a série.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Um novo começo para Jack White

Após ajudar repaginar o cenário musical durante os anos 2000 juntamente com sua ex-esposa e ex-companheira de palco, Meg White, a quem afirmar ter carinho de irmão, através da extinta banda The White Stripes e outras dos quais ainda participa ou participou como The Raconteurs, Jack White finalmente lançou em parceria com a Columbia Records seu primeiro trabalho de fato solo em abril do ano passado, Blunderbuss.

Partindo do princípio em analisar o novo projeto do múltiplo cantor pelos últimos trabalhos sejam eles consequentes dos álbuns gerados das bandas dirigidas The White Stripes, The Raconteurs, The Dead Weather, o mais recente, ou ainda pela participação em projetos fechados a exemplo de Rome, dividindo atenções com Norah Jones numa homenagem as trilhas sonoras do cinema western spaghetti e por tabela ao maestro italiano Ennio Morricone, pouco parece ter no quesito inovação dando impressão de déjà vu.

Claro, não se poderia aguardar que em tão pouco tempo fosse feito algo totalmente diferente do apresentado até o momento, mas de alguma maneira sempre deixando na expectativa um novo componente, aqui isso não ocorre, entretanto, insinua resgatar características que terminaram colocando em evidência durante a última década obtida principalmente com The White Stripes e mostra desse fator é a canção "Sixteen Saltines", eleita pela revista Rolling Stones uma das 50 melhores músicas de 2012.

Nessa nova fase do cantor Blunderbuss é a tentativa de criar algo exclusivamente seu originado da identidade construída a cada disco lançado anteriormente, quem sabe uma busca intrínseca, não dá para discordar que o novo projeto é sem dúvida mais um trabalho competente, seguro e bem executado impregnado com o que melhor Jack White sabe fazer, provocar. Contudo, não é o seu melhor álbum, mas passa ser significativo devido tamanho passo dado por alguém que já não tem nada a provar.
 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A aventura começa quando o jogo termina

Em 1995 a Disney apresentou ao mundo uma nova maneira de se fazer cinema de animação não somente relacionados pelos avanços tecnológicos que se começavam a ter na área, mas como simultaneamente fazer filmes infantis com características comuns presente nos espectadores contidos nos personagens, compartilhando sentimentos corriqueiros, chegando dar entendimento para quem assistia sentir ter passado de alguma forma por determinadas situações vivenciadas pelos protagonistas além do forte apego saudosista, assim foi Toy Story.

Trabalho de estreia em longa-metragens da Pixar, acumulando a controvérsia alcunha de primeiro filme inteiramente feito em CGI, Toy Story revelou um mundo secreto onde brinquedos ganhavam vida quando não estavam na presença de seres humanos e com eles surgiam valores dos tipos amizade, solidão, amor, questionamentos entre certo e errado; ideias amadurecidas a cada parte lançada da trilogia, tornando merecidamente verdeiro clássico das animações sendo tão importante quanto obras-primas dos estúdios Disney na fase dourada do gênero.

Utilizando dessas peculiaridades Detona Ralph, produção Disney sem participação da Pixar, mostra o complicado dia-a-dia da solitária vida de Ralph, vilão de um jogo de videogame estilo arcade chamado Conserta Félix Jr., claramente inspirada no primeiro game da série Donkey Kong (1981), que é rejeitado pelos demais personagens por ser justamente antagonista e devido esse isolamento termina querendo revelar seu lado herói partindo numa aventura da qual irá transitar em diferentes franquias para virar ao menos uma vez o mocinho.


INFANTIL, MAS PARA ADULTOS

Apesar de ser uma produção voltada para crianças Detona Ralph está mais propício conseguir agradar ao público adulto do que os mais jovens devido referências relacionadas as principais séries de jogos eletrônicos dos anos 80 e 90 fazendo que haja maior assimilaridade por parte de quem tenha maior bagagem sobre o assunto.

Nos minutos iniciais, momento comum para fazer as devidas apresentações da ambientação, vemos diversos personagens que estiveram presentes na infância de gerações desde fantasmas do eterno clássico Pac-Man a homenagens indiretas, mas com relação a outras séries como Sugar Rush, assim dizer uma versão estilizada de Mario Kart, jogo que fez história na década de 1990.

Através tantas citações surge laço afetivo com a trajetória do simpático vilão à contragosto por este estar na presença de celebridades dos videogames realizando pequenas pontas durante toda projeção, remetendo a ideia pessoas reais.



PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS

Como era de se esperar de um filme onde a temática envolve personagens de videogames alguns deles não poderiam ficar de fora dessa merecida homenagem ao universo eletrônico e para alegria de muitos figurinhas carimbadas marcaram presença como Sonic, garoto propaganda da quase falida Sega.

Numa breve passagem o ouriço azul mais rápido do mundo e também o mais querido chama atenção para si igualmente como faz Dr. Robotnik, vilão de sua franquia, e outros a exemplo dos sempre presentes em seus jogos Ken, Ryu, M. Bison, Zangief e Chun-Li (Street Fighter), Rei Koppa (Super Mario Bros.) e demais personagens.

A ausência mais sentida ficou por conta do encanador e herói Mario, que serve de inspiração para um dos protagonistas, mas segundo o diretor da animação, Rich Moore, na continuação do filme, ainda indefinida, deverá contar com a participação do defensor do Reino dos Cogumelos.



REFERÊNCIAS

A fase quase pré-histórica dos jogos também deixaram contribuições, Conserta Felix Jr. apesar de marceneiro possui elementos do Jumpman (primeiro nome de Mario) fora Ralph, possível versão humanoide do Donkey Kong, curiosamente de vilão virou mocinho anos depois na Nintendo.

No filme, a série de fliperama do qual fazem parte os protagonistas Ralph e Felix completa 30 anos, quase mesmo período de tempo de Mario quando estreou na série clássica Kong, em 1981, tornando cada vez mais próxima as particularidades entre animação e uma das mais importantes figuras do mundo dos games que indiscutivelmente contribuiu para a evolução do entretenimento eletrônico.

Assistir Detona Ralph além da agradável diversão é ter certeza das tantas surpresas prestes a serem reveladas em detalhes minuciosos numa verdadeira explosão de cores, figuras e elementos que para quem tiver conhecimento nessa área vai se distrair tentando caçar o quanto der dessas homenagens.



Lembrando aventuras como Meu Malvado Favorito e Megamente, antagonistas tomados pelo heroísmo, entretanto, diferente já que esses eram antissociais por opção e não tentavam mudar, mas com Ralph é ao contrário, ele busca interagir só que é rejeitado pelos outros devido sua origem destruidora fazendo que frequente assim o grupo Vilões Anônimos, local onde diferentes criaturas do mal desabafam, lá é possível ver alguns dos mais marcantes vilões dos videogames com um zumbi da série The House of the Dead.

O filme faz jus a qualidade inquestionável das animações Disney apresentando o clássico protagonista com crise de identidade que procura autoconhecimento através de conseguir vencer desafios na jornada proposta para seu crescimento pessoal. Durante a primeira parte é visto como Detona Ralph sente-se deslocado em meio demais figuras presentes no ambiente, sempre isolado até entre maus feitores, só que quando parte conquistar tal feito heroico capaz de mudar o rumo da sua vida começa aprender novos valores.

A história por si só agrada pela comoção que gira em torno de Detona Ralph, vilão mesmo sem querer e inúmeras vezes, quando vencido pelo mocinho do jogo Conserta Felix Jr., termina atirado do alto de um prédio enquanto seu rival recebe uma medalha e para provar seu devido valor as demais personalidades da Estação Central de Jogos, espécie de portal entre a sociedade na qual vivem os personagens e seus respectivos games, começa então passear por outras séries sem saber de um possível perigo que pode acabar com todos os videogames do lugar.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Dos consoles para os livros

Concebido originalmente em 2007 como jogo para videogames Assassin's Creed em pouco tempo tornou-se uma das séries mais bem sucedidas do mundo do entretenimento eletrônico, vendendo mais de 7 milhões de cópias da terceira sequência em apenas um mês de lançado, nesse espaço de tempo no Brasil foram adquiridas 200 mil unidades, e mais de 38 milhões totalizando todas as sequências produzidas. Parte desse êxito é oriundo pela curiosa narrativa que termina misturando elementos históricos com doses de intrigas e mistérios que habitam a imaginação das pessoas quando referido a tais épocas.

Através da subsidiaria do estúdio detentor dos direitos da franquia, Ubisoft Motion Pictures, saiu a notícia que haverá um filme sobre o jogo, ainda para esse ano, aos cuidados da New Regency e distribuído pela 20th Century Fox tendo como protagonista o ator irlandês Michael Fassbender (Bastardos Inglórios, X-Men: Primeira Classe, Prometheus) que também co-produzirá, no papel principal, Desmond Miles, interrompendo dessa maneira a parceria feita com a Disney após o insucesso, apesar razoável retorno financeiro, Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo (2010).

Em 2011 a série de jogos de ação atemporal ganha a primeira versão literária lançada no Brasil, Assassin's Creed: Renascença, no formato de bolso, relatando passagens ocorridas na Itália do século XV quando tem início a busca por vingança do personagem central, Ezio Auditore, um jovem que passa perseguir os assassinos templários da sua família. Após o livro vieram outras três continuações publicadas em território nacional subintituladas Irmandade, A Cruzada Secreta e Renegado abrindo uma nova porta para os personagens dos universos dos games migrarem para outras mídias com mais frequência e tal estratégia vem dando resultado prova é que outras obras baseadas em franquias eletrônicas estão sendo lançadas a exemplo do recente Diablo III.

Hoje praticamente em qualquer loja de variedades pode ser encontrado as obras escritas pelo autor Oliver Bowden tanto unitário quanto box com os três primeiros exemplares já que o quarto, Assassin's Creed: Renegado, foi lançado somente em novembro do ano passado, mas um dos principais destaques do conjunto é que os livros são de valores acessíveis ao grande público variando entre dezessete à trinta e dois reais o que termina contribuindo para a disseminação das épicas estórias protagonizadas pelos assassinos acentrais de Desmond Miles.

A empreitada do misterioso personagem que esconde a face por meio de um capuz branco pela literatura rendeu ao mesmo o posto de quarto livro mais vendidos na categoria ficção, informação dada pela revista Veja, 2011, ficando à frente de best-sellers como A Cabana (Willian Young) e do segundo livro da série Crônicas de Gelo e Fogo, A Fúria dos Reis (George R.R Martin). Deve-se considerar que parte desse sucesso de vendas vem por consequência muitas vezes do público fã dos jogos da série Assassin's Creed, contudo, também serve como elo para aqueles que tem pouco conhecimento ou ainda não foram apresentados a trama poder ficar a par dos segredos por trás da Ordem dos Assassinos.


Logo nos primeiros momentos do livro Renascença torna-se familiar aos adeptos dos jogos já que a trama transcorre no mesmo período de tempo do aclamado e premiado Assassin's Creed 2 (PS3, XBOX 360, iPHONE OS, PC) podendo assim causar certo desconforto para quem não está ambientado as essas mídia eletrônicas tendo como principal pecado descrever até mesmo os tutoriais dentro da obra literária, algo que não contribui em nada ao desenvolvimento do enredo, passando ser fadonho quando apresentados.

Outro deslize é não saber a hora de desvincular o jogo do livro, apesar de Renascença ser uma mistura entre prelúdio e continuação deveria ao menos possuir maior liberdade criativa podendo dar enfase a novas tramas, explorar do ponto de vista do personagem central na sua incessante luta por vingança, quem sabe uma reflexão devido acontecimentos, quase um Edmond Dantés de O Conde de Monte Cristo, entretanto, sem a mesma presença de espírito, mas apresentando uma humanidade não apresentada nos jogos.

A forma seca pela apresentação do ambiente peca também, os jogos nesse aspecto criam uma verdadeira obra prima de deslumbrar os olhos à parte. Claro, não dá para exigir o mesmo grau presente num livro do que no videogame, contudo, daria para melhor descrever os lugares, as composições de cena, as vestimentas e qualquer detalhe que pudesse continuar enriquecendo o conteúdo até porque a fase renascentista italiana é um das mais belas de toda humanidade e o autor, Anton Gill sob pseudônimo Oliver Bowden, é especialista na história europeia.

Nem tudo é negativo, o ponto forte fica a cargo do mistério e da ação presente a cada página, sendo fiel nesse quesito aos jogos, os coadjuvantes e antagonistas são bem descritos e apresentados conforme necessidade tendo como exemplo Leonardo Da Vinci e ausência de Desmond Miles, o personagem do presente, fazendo que seja todo corrido no passado. A leitura diluída nesse caso auxilia positivamente tornando agradável durante novas descobertas, desfechos de personagens, conclusões de subtramas assim como a obra inicial da série literária.


O segundo exemplar, Assassin's Creed: Irmandade, é a continuação direta do primeiro livro tendo início após breves minutos do encerramento da primeira parte, mas logo anos são passados transformando Ezio Auditore num homem maduro que começa a sentir o peso da idade pendendo tanto para benefícios quanto malefícios, solitário e sofrido contando com as presenças de aliados conseguidos ao longo de sua jornada trilhada por sangue e morte como o histórico personagem Nicolau Maquiavel ou originalmente, Niccolò Machiavelli.

Transferido de Florença para Roma, beirando a ruína por completo, a aventura apresentada nesta edição passa tratar do poderio da corrupta família Borgia sobre a cidade que outrora fora a imagem inabalável de força e prosperidade onde o principal antagonista dessa sequência, Cesare Bórgia, um homem sedento por poder e que para tal seria capaz de medidas covardes e brutais, tem planos de dominação de todo território italiano, entretanto, a irmandade da qual Ezio faz parte pretende a todo custo impedir essa arquitetura maligna seja concretizada.

O ritmo ágil ajuda superar as falhas detectadas da mesma maneira que a maturidade de Ezio faz dele uma figura mais cativante de ser acompanhado não somente motivado pela vingança, mas com responsabilidades de um verdadeiro líder que precisa combater os Templários, arqui-inimigos da irmandade, e reorganizar a Ordem dos Assassinos já que este passa ser assombrado pelos fantasmas da corrução e ganância aumentando a suspeita de traição entre os próprios aliados, antes compromissados com lealdade.

Comparado ao antecessor Irmandade chega ser mais interessante, contém mais capítulos e as lutas são melhores definidas quando descritas, mas erra em fazer pequenos acertos sendo algumas deles a repetição e passagens sem relevância para compreensão final além de um glossário incompleto o que termina causando frustração em determinadas situações quando surge expressões desconhecidas no português, mas tirando esses detalhes o conjunto cumpre o que promete, uma ótima distração em forma de aventura.


Com a conclusão de Assassin's Creed: Irmandade também chega ao encerramento a participação de Ezio Auditore e em seu lugar é apresentado a personagem que originou a linhagem do clã como ficou conhecida nas outras obras, então através de Altïr Ibn-La'Ahad, o grão-mestre da Ordem, engajado numa missão antes mesmo da época do renascimento e onde os Templários dominavam os campos de batalhas em busca do poder, na imensidão da Terra Santa em meio das sangrentas cruzadas.

Contrário aos anteriores que envolviam vingança e liberdade A Cruzada Secreta tem como meta principal a busca pela redenção de Altïr com seus semelhantes de grupo, por cometer um terrível erro devido era tamanha sua arrogância que terminou custando a honra pessoal e a da Irmandade também e por isso termina ordenado a matar nove inimigos, sendo estes misturados entre sarracenos e cavaleiros templários, facções rivais envolvidas nas batalhas das cruzadas cristãs daquela época.

A história aqui contada chega ser menos empolgante do que em Renascença e Irmandade entre outras razões a falta de mistério e subtramas contribui, a leitura transforma quase numa obrigação pelo termino, mas possui algumas boas passagens, não chega virar algo ruim, o início é muito bom, contudo, não consegue estar ao menos no mesmo nível dos antecessores, peca acima de tudo pela falta de emoção e pelo pouco carisma de Altïr, não cativa e nem faz por méritos ser cativado, em resumo é uma figura antipática.

Partindo da ideia que o livro serve como prelúdio aos que vieram antes consegue cumprir tal objetivo, narrar eventos ligados a origem de Ezio Auditore, mas erra bruscamente da forma que faz, a estória poderia ter sido melhor desenvolvida da mesma maneira como os personagens enquanto nos anteriores tínhamos Leonardo Da Vinci e Nicolau Maquiavel servindo de apoio neste aqui não existe um que desempenhe tal função. Enfim, Assassin's Creed: A Cruzada Secreta vira atrativo certo aos fãs dos jogos e deixa a desejar (muito) aos adeptos da literatura.


ASSASSIN'S CREED: RENEGADO

Lançado em novembro do ano passado, o quarto livro da série escrito por Oliver Bowden trás um novo assassino, Haytham Kenway, que vive na gótica Londres do século XVIII e a exemplo de Ezio Auditore tem o pai cruelmente assassinado, mas sua irmã é raptada jurando assim buscar vingança.

Apesar que não se deve julgar um livro pela capa, neste caso pela sinopse, antes de ser lido, dá entender que na mais recente aventura a repetição de enredo começa a se fazer presente. Possa ser que seja um livro bom como também mediano ou ruim, entretanto, levando em consideração o penúltimo nota-se sinais de desgaste.

As disputas entre templários e assassinos, por sinal muito bem abordadas nos dois primeiros livros pareceu pesar no terceiro, no quarto ainda não se sabe se acontece novamente e nem se a antecipação deste, já que na cronologia é o quinto exemplar, o quarto é Revelations (ainda inédito), atrapalhe na compreensão geral.


O que deve ser dito sobre a sequência literária de Assassin's Creed é que para em tempos na qual há uma grande quantidade de títulos dos mais variados gêneros e de repentino sucesso no comércio de livros que vêm em vertente de alta, tendo crescimento de 9,8 %, segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe-USP) em conjunto com a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato dos Editores dos Livros (SNEL), 2011, a obra ganha merecido destaque por atrair principalmente adeptos dos jogos eletrônico.

Outra qualidade que precisa ser ressaltada é a linguagem simples e direta o que também termina facilitando no entendimento das tramas a cada publicação, sem voltas ou termos desnecessários, é objetivo e isso ajuda despertar interesse ao público mais jovem envolvidos numa adaptação bem transposta dos videogames, fiel a estrutura consolidada na mídia visual, virando uma agradável diversão não apenas para os fãs das inúmeras histórias da Ordens dos Assassinos contra Cavaleiros Templários durante gerações, mas quem busca ler uma aventura até certo ponto descompromissada como romance.

Mesmo contendo algumas falhas durante transcorrer da obra, dando clara percepção de em certas ocasiões estar faltando algo, contudo, isto não termina tirando os devidos créditos fazendo desta série uma das melhores no segmento ficção voltado ao público jovem que tem curiosidade em conhecer mais a fundo as conexões fora dos jogos quanto para quem ainda não sabe o que esperar. Perante mesmices de vampiros, lobisomens, magia, adolescentes e seus amores impossíveis, Assassin's Creed tem o seu espaço conquistado com certo louvor.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A nova cara do cinema nacional: comédia



É perceptível tamanho crescimento da comédia nacional nas salas de exibições tanto que ao longo do ano passado boa parte das novidades provia do gênero como Billi Pig, E aí... Comeu?, Reis e RatosAté que a Sorte nos Separe, Totalmente InocentesOs Penetras e a continuação De Pernas pro Ar 2, entre outros, tornando uma das maiores safras da história brasileira. Apostar nessa espécie de cinema parte do princípio em criar cada vez mais blockbusters verde e amarelo atraindo público para sessões tupiniquins, entretanto, apesar da pretensão o primeiro semestre de 2012 não foi generoso fazendo que nenhum dos filmes lançados no período atingisse a marca de 1 milhão de espectadores, feito alcançado somente na outra metade do ano.

Segundo produtor Augusto Casé, entrevista para Folha de São Paulo (junho, 2012), a acensão das produções nacionais terminam preenchendo lacunas deixadas pelas comédias hollywoodianas (clique aqui) e de fato características comuns as realizações americanas se fazem notadas no produto brasileiro, importando o melhor, contudo, também o que há de pior. Não é desmérito procurar possuir uma base, tentar repaginar aos moldes daqui uma versão do feeling encontrado num Sex and the City, My Names Is Earl ou no humor pastelão de Leslie Nielsen, mas peca na hora de tentar transmitir, das fórmulas saturadas e até certo ponto baixas.

Claro, não se pode condenar um todo pela ruindade de alguns, o problema é quando os "alguns" começam a ser quase totalitariedade do "todo" e pior dando retorno, contribuindo dessa maneira para futuros títulos de mesmo segmento. Para quem tentou assistir os devaneios nada engraçados de As Aventuras de Agamenon, o Repórter, escrito por Marcelo Madureira e Hubert, da ultrapassada turma do Casseta & Planeta, apresentando um humor escasso levantando assim questionamento da necessidade de faturar a qualquer custo e com isso levando para as telas dos cinemas ideias que nem mais na televisão daria audiência.

Se por um lado temos obras despretensiosas que terminaram sendo agradável passatempo a exemplo de Meu Tio Matou um CaraTrair e Coçar, é só Começar, Ó Pai, Ó ou dos grandes sucessos Se Eu Fosse Você e Divã seguem na contramão Muito Gelo e Dois Dedos D'Água, Sexo com Amor?, Cilada.com, A Guerra dos Rocha e vários que tentam pegar carona através da boa aceitação de trabalhos elogiados, mas que terminam falhando em diferentes quesitos desde um roteiro mal elaborado à situações pífias, quase sempre de conotação sexual, recorrendo ao popularesco para arrancar algumas poucas risadas.

Outro aspecto que já deveria ter sido assimilado é que televisão e cinema são mídias apesar de próximas diferentes, o que vale de receita para existo de um não será obrigatoriamente ao demais e mesmo após inúmeras tentativas de "televisionar" projetos cinematográficos a repetição do erro persiste. Foi-se o tempo áureo de Renato Aragão (das boas comédias oitentistas) e do cineasta Ivan Cardoso (mestre do "terrir" nacional) para dar lugar ao domínio de Bruno Mazzeo & cia, às vezes acertando, mas na maioria das oportunidades escorregando no próprio alter ego.

Se acaso deparamos com filmes cujo único intuito é entreter o público através de caras e bocas, piadas defasadas, situações torpes ou que remeta sentido dúbio ainda assim em contrapartida também temos conhecimento de obras interessantes, apresentada de forma sútil, clara e bem executadas que podem não vingar como sucesso de bilheteria no entanto cumprem o papel de passar uma estória coesa, dentro do contexto do qual propõe estabelecer e agradável de ser acompanhada sabendo que ao termino foi passada uma imagem positiva ao espectador.

Produções como Saneamento Básico, o Filme, pouco menos de 200 mil espectadores, é prova de um trabalho impecável enquanto a primeira parte da franquia De Pernas pro Ar, realizado em 2010, arrematou cerca de 3 milhões de pessoas por uma trama que se inicia e finaliza no mesmo lugar, apresentado Ingrid Guimarães numa versão à la brasileira da atriz Sarah Jessica Parker, superando também a adaptação de O Bem Amado com teor cômico e crítico afinados fazendo deste outro bom exemplar pouco reconhecido.

O chamado movimento de retomada do cinema nacional, enfatizado no início dos anos 2000, presente difusão da Ancine (Agência do Cinema Nacional) e publicidade gerada em torno do mesmo contribuiu para que ideias de cunho populares pudessem ganhar versões nas grandes telas a exemplo dos seriados Os Normais A Grande Família, sucesso enquanto programas quanto filmes, faturando mais de 5 milhões de ingressos quando somados, apontando dessa forma os tipos de produções que se é esperada do cinema brasileiro, ora leve voltada para família ora ácida direcionada ao universo adulto.

Apesar do recente direcionamento para apenas uma vertente do segmento existe comédias para todos os gostos indo do humor melancólico presente na trama Polaróides Urbanas, conjunto de esquetes focado em personagens que se deparam com um dia atípico, até o humor sacanagem mostrado no longa A Casa da Mãe Joana, protagonizado por sessentões vivenciando diversas dificuldades, entre elas a vida sexual. Podendo escorregar aqui ou ali tais trabalhos possuem seus valores passando a impressão de que às vezes é preciso dar chance de serem vistos ao invés de buscar empecilhos a todo custo para denegri-los.

Embora haja inúmeras citações sobre existência de boas comédias produzidas no Brasil ainda há resistência perante parte do público, até desdenhando (não apenas ao gênero), no qual surgem infinitas críticas procurando somente apontar defeitos sem nunca procurar congratular quando estes fazem por merecimento chegando cultivar possível sentimento de anti-cinema brasileiro, criando repudia pelo fato do filme ser de origem local onde algumas pessoas terminam julgando sem ter conhecimento de causa, por isso é válido ressaltar da importância em ir assistir porque dessa forma terá competência de elogiar ou criticar.

Uma das prováveis razões para rejeição por parte das pessoas talvez seja a maneira como essas produções são feitas, muitas vezes conduzidas por um mesmo grupo, o que pode terminar desgastando pelas repetições buscando repaginar elementos presentes em outras obras gerando mesmice além de querer empurrar um tipo de humor desqualificado, enfadonho e arrogante no qual se limita aos interesses de quem os fazem desprezando a vontade do que deveria ser o alvo principal, o público.

Contrariando opiniões de cineastas importantes onde criticam abertamente ao dizer que esses filmes possui intuito meramente mercadológicos o setor cresce levando tranqueiras dignas de pena exemplificada nas duas péssimas tentativas do enjoado Casseta & Planeta, A Taça do Mundo é Nossa e Seus Problemas Acabaram!, ou ainda dos que se perdem na definição que procuram seguir seja entre comédia ou drama, caso vivido no inconsistente Amanhã Nunca Mais, projeto que se tinha boas expectativas.

É importante sempre frisar que como qualquer indústria cinematográfica mundo à fora a do Brasil não poderia ser diferente e com isso faz necessário ter sim produções voltadas ao entretenimento sem necessidade de possuir algum significado específico a não ser divertir, deixando pouco de lado toda intelectualidade que parte dos idealizadores defendem, tentando serem proprietários de algo cujo pertence a todos e não essa ou aquela classe, sair do lugar comum dos manjados filmes dramáticos preocupados com existencialismo, sofrimento, tristeza, pobreza. Parafraseando Joãozinho Trinta: "o povo gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual".

Não pode e não se deve querer forçar aceitar coisas só pela causa privada de alguns que para maquiar possíveis insucessos culpam a presente proliferação dos filmes nacionais populares, neste caso comédia, ou da excessiva importância dada para produções internacionais, mas esquecem de analisar suas próprias perspectivas, o conjunto criado, ver a se qualidade de seus trabalhos estão acessíveis para todos como ideia e não voltado unicamente à poucos, desprendendo assim do orgulho pessoal.

Filmes bons ou ruins vão existir em qualquer parte, nos Estados Unidos, França, Argentina, Coréia do Sul, Japão e aonde mais tiver núcleos de cinema, não é exclusividade brasileira, digamos a verdade. As comédias nacionais podem estar em evidência, no entanto não quer dizer que sejam a salvação do mercado interno basta que surja bons argumentos para serem levados as telas e até mesmo as piores produções do gênero podem virar grandes ícones, melhor exemplo do que Cinderela Baiana não há.