quinta-feira, 25 de setembro de 2014

No caminho do suspense



Nos últimos tempos é perceptível as inúmeras tentativas do cinema nacional em querer explorar novos segmentos na busca de desvincular a imagem construída principalmente nas últimas décadas pelos massivos filmes dramáticos impregnados da miséria movie, um pouco mais no passado das pornochanchadas e recentemente das comédias pré-moldadas nas raízes americanas, contudo, percebendo a saturação outros gêneros vêm ganhando espaço nas nossas produções, dentre eles o terror/suspense, mesmo de maneira tímida, a exemplo de Desaparecidos (2010) e Quando Eu Era Vivo (crítica aqui).

Justamente nessa nova leva de experimentos surge Isolados, sob direção de Thomas Portella, ainda um diretor com pouca experiência, seu único trabalho na função ocorreu na comédia romântica Qualquer Gato Vira-Lata (2011) onde aqui busca criar auxiliado por um roteiro minimalista de autoria de Mariana Vielmond um ambiente claustrofóbico apoiada durante boa parte das cenas nas expressões contidas de seu protagonista, Lauro (Bruno Gagliasso), um psiquiatra que acompanhado de sua namorada, também ex-paciente, que vão passar algum tempo numa casa na serra carioca e lá obtêm informações sobre crimes hediondos.

Fica claro as referências aos filmes de suspense psicológicos como Os Outros (2001) O Amigo Oculto (2005) e Ilha do Medo (2010), todos eles focam num clima turvo no qual o personagem principal precisa ir juntando as peças até chegar ao desfecho final do mistério que se veem envolvidos, sempre tentando direcionar para um clímax de impacto. Neste caso deparamos com um médico psiquiatra perdendo gradativamente suas faculdades mentais e já não distinguindo o real da fantasia, preso numa casa mórbida e sem ter a certeza que os tais crimes estão ficando cada vez mais próximo dele e de sua namorada, Renata (Regiane Alvez).

Acompanhado na busca de navegar pela angustia comum ao gênero surgem também os clichês desses elementos como o silêncio gelado, a imagem criada ao olhar pela janela, o som inexplicável que ecoa abruptamente causando picos de tensão. Essas características já tão difundidas no cinema de horror se fazem presentes de maneira exaustiva, tanto, que a partir de determinado tempo o filme entra no piloto automático e passa ser uma série de repetições hollywoodianas no qual começamos a prever as ações seguintes ficando visível a falta de experiência em produções desse tipo.

Contudo, entre erros e acertos é válido a tentativa apresentada em Isolados por mostrar que o mercado cinematográfico brasileiro está atento a outros caminhos, querendo atrair mais pessoas para as exibições comerciais e dar para elas maior diversidade enquanto escolha do que assistir além das comédias à la Made in USA e dramas existências tão fechados ao entendimento geral que tornam-se filmes particulares sem objetivo de chegar ao gosto popular. Por esses fatores a produção deve ser vista e parabenizada deixando aquele desejo que em breve outros também se aventurem por esses trilhos.


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