domingo, 19 de outubro de 2014

Longe do assustador



Quando Invocação do Mal estreou em 2013 foi considerado como uma grata surpresa para os aficionados pelo cinema de horror e também para aqueles que gostavam de acompanhar uma boa história, assim dando espaço as possíveis continuações e dessa brecha, em pouco mais de um ano após o lançamento do filme do diretor James Wan, veio o primeiro produto derivado do projeto, Annabelle, spin-off baseado no prelúdio do longa-metragem anterior.

No início de Invocação do Mal somos apresentados a boneca Annabelle e seu envolvimento com a enfermeira Donna numa breve cena que não chega se quer ter cinco minutos, aguçando ainda mais a vontade de desvendar coisas sobre o passado do brinquedo macabro e com essa proposta surge o então filme solo da personagem título. O ponto de partida aqui é idêntico ao de 2013, mesmas atrizes, local, roupas, gestos e falas, mas agora buscando revelar uma nova ótica daquela situação e daí após breve passagem de tempo seguimos para apresentação do casal protagonista da vez, Mia e John.

O que esperava-se ser um trabalho assustador, imagem esta vendida pela publicidade do estúdio durante a divulgação, vai aos pouco definhando levando para uma projeção sem grandes novidades assim tropeçando inúmeras vezes em suas próprias pernas devido as constantes repetições de recursos para provocar aquela sensação de "friozinho na barriga", contudo, nenhuma delas de fato conseguem atingir o ápice, tornando os longos minutos a serem enfadonhos e pouco produtivos onde não há grandes sequências, no máximo algumas passagens intrigantes, mas sendo quase irrelevante devido expectativa gerada.

Durante boa parte do tempo nada de inesperado ocorre, vemos apenas uma série de atuações medianas presas num roteiro preguiçoso que tenta buscar nas coisas mais sutis forças na tentativa de conseguir causar impacto, exemplo, a televisão que apresenta falhas de recepção, aparelhos elétricos ligando sozinhos, portas fechadas abruptamente, ruídos de passos em outros cômodos, tudo isso já tão conhecido do grande público e mal aproveitados como recurso de integração com o ambiente transformando em maçante interlocuções pouco proveitosas.

Infelizmente os momentos que poderiam causar tensão foram em grande parte desperdiçadas nos trailers e por pouco provável que possa parecer até na pegadinha promocional produzida pelo SBT deixa pistas sobre essas encenações, filtrando todo o suspense e imprevisibilidade. Concluindo que Annabelle é um filme oportunista, criado apenas para se fazer dinheiro, não há dúvidas que conseguirá atingir boa bilheteira mundo afora, entretanto, não faria falta se não tivesse existido.