domingo, 9 de fevereiro de 2014

Uma vida nada virtuosa

Quando foi anunciado que o mais novo projeto do contraditório Lars von Trier, responsável por filmes como Dogville e Manderlay, iria contar com cenas de sexo reais logo vieram opiniões divergentes, na maioria de reprovação das pessoas que fazem parte do meio cinematográfico por acreditar ser um recurso apelativo para alguém que nos últimos tempos apresentava trabalhos tão desnivelados sendo a síntese de Anticristo (2009), repudiado pelo o método da sua composição, e Melancolia (2011), premiado como melhor filme europeu e rendendo para Kristen Dunst o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes.

Durante todo processo de pré-produção sucederam inúmeras baixas entre financiamento e elenco, perdendo a atriz Nicole Kidman que estaria sem disponibilidade, mas segundo o tabloide inglês The Sun, a desistência ocorreu devido as tais cenas verídicas de relações sexuais e isso teria constrangido a atriz que trabalhou com o cineasta dinamarquês em Dogville (2004). Após conclusão das filmagens surgiram outros imprevistos, desta vez por parte da distribuidora que cortou algumas horas por acreditar ser cansativo um filme conter quase 360 minutos de projeção e para solucionar, além da retirada de algumas cenas, foi decidido dividir a obra em duas partes.

Rebuliços à parte, o drama erótico estrelado por Charlotte Gainsbourg (A Árvore) e Stellan Skarsgard (Thor: O Mundo Sombrio) estreou em janeiro deste ano em poucas salas, entretanto, virando sinônimo de sessão cheia e parte desta curiosidade em querer conferir deve-se por toda expectativa criada ao longo da divulgação com imagens, matérias e vídeos falando da construção envolvendo o projeto e também de polêmicas mundo à fora incluindo exibição do trailer antes de desenho infantil, proibição de passar em alguns países e eventuais cortes além dos já realizados.

Ao deparamos com o início da projeção percebemos se tratar de uma obra cujo objetivo é provocar no expectador alguma reação sensorial, primeiro devido os longos três minutos de tela negra auxiliado somente por ruídos e em seguida por diversos enquadramentos de um beco durante uma garoa alternada com imagens de Seligman, personagem de Stellan Skarsgard, arrumando-se para sair de casa, tudo em tom melancólico, até que o silêncio apaziguador é rompido pelo estrondoso som do metal industrial da banda alemã Rammstein através da música "Füher Mich" no primeiro momento em que é revelado a mão da protagonista Joe estirada no chão desacordada.

A partir do encontro entre os personagens é dado de fato detalhes sobre a trajetória de vida de Joe que se considera um ser humano ruim enquanto Seligman, acredita não ser verdade tal afirmação, para provar a mulher agora acolhida na casa do homem que a retirou da rua revela seu passado desde a descoberta de suas partes íntimas, ainda criança, até adolescência e início da vida adulta, mas cada nova descoberta o homem aponta o lado positivo e não demonstra ficar chocado até mesmo nas situações mais radicais entre elas, uma ocorrida num trem, outra em um hospital e uma com a participação de Uma Thruman (a eterna noiva vingativa de Kill Bill) numa sequência simultaneamente forte e cômica.

O humor sarcástico é frequentemente utilizado desde a química criada entre narradora e o ouvinte, ambos defendendo suas visões, curiosidades apontadas em algumas afirmações, exemplo, envolvendo sequências Fibonacci, partituras musicais, figuras geométricas, citações literárias, sendo contrapeso para situações de difícil assimilação que requer maior cuidado para serem entendidas, justamente as ligadas pelo sexo, muitas vezes de grande tensão e algumas com envolvimento do pai da protagonista, aqui interpretado por Christian Slater, num personagem diferente dos seus últimos trabalhos, mostrando ainda ter feeling para atuações sóbrias como nos distantes O Nome da Rosa (1986) e Assassinato em Primeiro Grau (1995).

Em resumo, Ninfomaníaca é um conjunto incompleto, a segunda metade será lançada agora em março, o final desta primeira parte foi demasiadamente abrupto, dificultando entendimento detalhado sobre a obra, mas pelo o que foi apresentado demonstrou uma estória envolvente nutrida de rebeldia não contra alguém, contudo, ao sentimento do amor, desacreditado por Joe em suas aventuras. Só nos resta agora aguardar pela conclusão de um trabalho conceitual e mesmo que não tão inovador, mostrou peculiaridades que valem ser analisada caso a caso.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Um razoável conto do além

A primeira ideia pré-concebida sobre um filme abordando em sua temática um retrato sobrenatural e contando no elenco com a presença da cantora Sandy, que construiu ao longo da vida imagem de boa moça, pura e recatada de forma tão exaustiva pela mídia que, a contragosto, virou alvo de piadas e tal circunstância, por motivos óbvios, poderia não despertar em grande parte do público expectativa em assistir sendo erroneamente chamado de péssimo antes mesmo de conhecer melhor o enredo da estória apresentada.

No Recife, região que conta com nove grandes estabelecimentos além das salas alternativas, a estreia se deu em apenas em um deles, o Cinema da Fundação, sendo exibido numa sessão dupla que comparado a outras estreias do local teve desempenho fraco, pouco público para prestigiar a primeira direção solo em longas do diretor e também roteirista paulista Marco Dutra, elogiado por seu Trabalhar Cansa (2011), lançado no tradicional Festival de Cannes em parceria com a diretora Juliana Rojas.

Contendo parte do mesmo traço estético do antecessor, o filme que conta com o galã global de outrora Antônio Fagundes e do pouco conhecido para boa parte do público Marat Descartes, esse na função de protagonista, revela uma visão particular das mudanças ocorridas por uma pessoa sob influência de determinada entidade espiritual, representado no caso pela mãe já falecida do personagem central, alterando a personalidade durante novas redescobertas do período da juventude através de objetos transformados em quinquilharias e de uma antiga fita vhs que revela passagens referente algum tipo de culto religioso.

A transformação não se dá apenas no protagonista, mas nos demais personagens e também no apertamento onde grande parte do filme é rodado, de início possuindo uma iluminação limpa, clara e de visualização objetiva, entretanto, com o passar do tempo torna-se um lugar mórbido, sombrio, frio e claustrofóbico, dando entender ser um local carregado de más energias, sendo um excelente trunfo realizado pelo diretor de fotografia, Ivo Lopes Araújo, que soube como fazer essa transição de maneira gradual sem causar repentino desconforto visual.

Vemos também a construção de figuras secundárias interessastes, representado pela manicure com dons mediúnicos Miranda (Gilda Nomance), presente apenas em duas sequências, contudo, pertencendo a ela a cena mais enigmática de todo filme onde depara-se com tal entidade presente no subconsciente do homem atormentado pela forte presença da mãe falecida, abrindo assim o início do terceiro ato da trama, sendo esta a parte mais difícil encontrada pelo diretor para concluir sua obra já que a partir desde ponto não há grande evolução, dando pistas como será o final, que ocorre sem apresentar um grande clímax.

Apesar do encerramento pouco relevante, Quando Eu Era Vivo é uma produção de feições minimalistas que tenta não ficar preso ao conceito do lugar comum e nisso possui seu valor mostrando que existe sim espaço para novos segmentos do cinema nacional saturado há décadas pelo drama onde todo mundo chora, onde todo mundo é infeliz e das comédias sem qualquer relevância que bombardeia as salas comerciais, nessa produção independente de orçamento razoável para os moldes brasileiros existe um fio de esperança para novos projetos.


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Mostra de filmes no Cinema da Fundação

O público pernambucano que gosta da sétima arte em geral e não apenas dos filmes mostrados em circuito comercial tradicional durante esse mês, entre 16 a 22, poderá conferir no Cinema da Fundação, bairro do Derby, uma seleção especial de produções exibidas em alguns importantes festivais a exemplo de Cannes e Toronto, respectivamente representado por The Bling Ring (2013) e Frances Ha (2013) além do tão comentado documentário Doméstica (2013), e de Branca de Neve (2013) ou no original Blancanieves, indicado esse ano ao Oscar na categoria Melhor Filme Estrangeiro representando a Espanha.

A mostra começa nesta sexta-feira a partir das 15h com a produção espanhola do cineasta Pablo Berger, em seu segundo longa na direção, trazendo uma releitura do clássico atemporal dos irmãos Grimm, sendo protagonizado pela atriz Maribel Verdú, conhecida pelo trabalho realizado em O Labirinto do Fauno (2006) ao viver a cozinheira de personalidade forte Mercedes, uma das principais coadjuvantes; e seguindo com três exibições do drama The Bling Ring, novo projeto da diretora Sofia Coppola que também assina o roteiro e produção.

Durante o período os ingressos podem ser comprados na bilheteria do local por R$ 8 (R$ 4 meia), em funcionamento momentos antes de serem exibidos. Uma experiência válida para quem busca ver algo diferente, não tão comum apresentado nos cinemas convencionais, exceto as sessões de arte, pouco divulgadas e normalmente em horários complicados, dando a oportunidade para quem quer conhecer novas vertentes cinematográficas.


The Bling Ring - A Gangue de Hollywood. (2013)
Duração: 90 minutos. Faixa Etária: 16 anos. Distribuição: Diamond Films.
Direção: Sofia Coppola. Elenco: Katie Chang, Emma Watson, Israel Broussard, Taissa Farmiga.
Gênero: Drama/Suspense.

Sinopse: Inspirado em fatos reais que retrata um grupo de jovens californianos que invadia a casa das celebridades de Hollywood, incluindo a socialite Paris Hilton, devido tamanha obsessão pela fama e glamour. Liderados por Rebecca (Katie Chang), uma garota de gosto excêntrico e fútil, através da internet rastreavam as moradias dos famosos para invadir e roubar suas residencias com o simples intuito de aproveitarem os pertences e se glorificarem com o feito.





Frances Ha. (2013)
Duração: 86 minutos. Faixa Etária: 14 anos. Distribuição: Vitrine Filmes.
Direção: Noah Baumbach. Elenco: Greta Gerwig, Mickey Sumner, Adam Driver.
Gênero: Comédia Dramática.

Sinopse: Frances (Greta Gerwig) é uma ambiciosa dançarina aprendiz numa importante companhia de dança, que tem de se contentar com muito menos reconhecimento do que gostaria. Mesmo assim ela leva a vida de maneira leve e otimista. 




Branca de Neve. (2013)
Duração: 87 minutos. Faixa Etária: 14 anos. Distribuição: Imovision.
Direção: Pablo Berger. Elenco: Maribel Verdú, Ángela Molina, Macarena García, Pere Ponce.
Gênero: Drama.

Sinopse: Servilha, Espanha, 1920. Carmen viveu toda infância com a terrível madrasta Encarna (Maribel Verdú). Cansada da repressão a jovem resolve fugir de casa para viver suas aventuras como toureira, na intenção de esquecer o passado. Durante a aventura recebe a ajuda de sete anões toureiros, que decidem protegê-la a todo custo.





Doméstica. (2013)
Duração: 76 minutos. Faixa Etária: Livre. Distribuição: Vitrine Filmes.
Direção: Gabriel Mascaro. Elenco: Dilma dos Santos, Flávia Santos, Helena Araújo.
Gênero: Documentário.

Sinopse: Durante uma semana, sete jovens tornaram-se cineastas amadores e filmaram o cotidiano de suas empregadas domésticas. O material foi entregue ao diretor Gabriel Mascaro que copilou os momentos mais marcantes nesse documentário.


 A programação segue a partir dessa sexta até a próxima quinta-feira, contudo, na segunda não haverá exibições, sendo retomada na terça-feira. Para maiores informações podem acessar o blog oficial do Cinema da Fundação.


terça-feira, 13 de agosto de 2013

A vez dos Jaegers

Não é de hoje que filmes contendo robôs e monstros gigantescos estão em evidência no cinema e na televisão, por volta dos anos 50 do século XX tivemos a primeira aparição do icônico Godzilla, em 1960 o nostálgico Ultraman começava a fazer uma fiel legião de fãs que se estenderia pelas décadas seguintes, durante o período de 1990 os Power Rangers, na época grande sucesso junto ao público infantil, ganhava seu primeiro longa-metragem além da série televisiva, todos podendo ser considerados de grande importância decorrente os momentos vividos.

Nos últimos anos com surgimento das aventuras live-acions da cinessérie Transformers, baseada num seriado animado originalmente de 1984, os gigantes cibernéticos novamente voltaram despontar no cenário cinematográfico, considerado por muitos cinéfilos a produção com assinatura do diretor Michael Bay e produção Steven Spielberg é vista com maus olhos não devido a qualidade visual, esse ponto é inegável toda minuciosidade, mas pelo roteiro frouxo e pouco convincente onde tudo é resumido a tiros, explosões, piadas clichês sem grande sentido.

Agora pelas mãos do versátil Gillermo Del Toro a onda de robôs colossais ganhou seu mais novo segmento nas grandes telas, Círculo de Fogo, ou no título original, Pacific Rim, ambientado num futuro a beira do apocalipse onde o planeta passa sofrer ataques dos misteriosos Kaijus, criaturas emergidas de uma fenda localizada no oceano pacífico, e para combatê-los são construídos os Jaegers, controlados por uma dupla de pilotos que tem como objetivo proteger a humanidade no qual cada país envolvido no projeto tem ao menos uma unidade robótica.

A premissa apresentada na recente produção da Warner Bros. é similar ao anime Neon Genesis Evangelion, sendo o mundo invadido por seres conhecidos como "Anjos" e defendidos pelos EVAs controlados por pilotos, aqui adolescentes. A semelhança não fica somente nas criaturas, contudo, também na narrativa priorizando o desenvolvimento psicológico dos principais personagens e suas motivações, na animação chega ser perturbador o andamento da estória, culminando com um embate filosófico, mas no longa não chega seguir afinco esse caminho.

Para quem gosta de filmes pipocas que contenha algum conteúdo, além da diversão proposta, essa nova empreitada do realizador do cultuado Labirinto do Fauno (2006) acerta em cheio ao conseguir mesclar diferentes aspectos sendo as excelentes sequências de ação, roteiro conciso, personagens interessantes, incluindo o manjado alívio cômico, todos elementos devidamente encaixados. Pode não ser um dos melhores filmes do ano, e nem tem essa pretensão, para os mais descuidados talvez nem soubesse da existência, contudo, agrada pelo resultado final.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Porto de Galinhas: Uma praia com seus encantos

Apesar do inverno ser a estação predominante por esses meses em Recife e todo restante da região, tornando dessa forma passeios as principais praias urbanas como Boa Viagem, Pina e Piedade inviáveis (ao menos para mim), por conter certo risco a saúde, não somente ligado a possíveis ataques de tubarões (essa é a menor das razões), mas estar exposto contrair doenças a exemplo de pano branco, micose e toxoplasmose, a solução encontrada muitas vez para poder aproveitar o mar é seguir para rotas alternativas, dentre algumas: Marinha Farinha, Calhetas, Coroa do Avião e claro Porto de Galinhas.

Eleita em diversas oportunidades como a melhor praia do Brasil, chegando a ficar por dez anos consecutivos em primeiro lugar no ranking da revista Viagem e Turismo, editora Abril, Porto de Galinhas ganhou inúmeras definições entre elas "pedacinho do Caribe" devido água cristalina, brisa suave, incontáveis bares, restaurantes, pousadas e da famosa casa noturna Birosca da Cachaça (parada obrigatória para estiver pela vila durante a noite) transformou a localidade num dos pontos mais disputados pelos turistas que visitam Pernambuco assim como moradores de outras regiões do estado.

Mesmo em época de baixa estação a praia de nome curioso ligado ao período colonial vive repleta de pessoas que aproveitam a inter-temporada para circular pela vila, conhecer o centro comercial, visitar alguns dos ateliês presentes, explorar programas ligados ao ecoturismo como mergulho nas piscinas naturais, trilhas pelo mangue e mata atlântica, passeios de jangada e bugres. Tamanho status também seus pontos negativos a exemplo de preços exorbitantes seja em alimentação, transporte e nas famosas lembrancinhas, chegando cobrar até o preço de R$ 80 numa camiseta t-shirt (convenhamos é um valor alto demais).

Outro aspecto nada bom é a má conservação de parte de algumas vias por parte do governo municipal, cidade de Ipojuca, pouco iluminadas quando a noite chega, esburacadas e em alguns casos não asfaltadas, dificultando a locomoção dos indivíduos que lá vão e também dos possíveis riscos de assaltos, sem contar problemas estruturais de algumas praças, muitas tomadas pelo mato, e de falta de limpeza urbana, existe ruas bastante sujas além dos constantes engarrafamos para conseguir chegar ao local devido problemas na estrada estadual, PE-38, responsabilidade do governo de Pernambuco, que permite acesso à praia.

Contudo, não podemos esquecer que tais dificuldades não são exclusividade de Porto de Galinhas, praticamente em todo o país há problemas em pontos turísticos seja em Pernambuco, Natal, Espirito Santo, Rio de Janeiro ou qualquer outra, mas a programação quando bem feita e atento eventuais problemáticas torna-se um passeio agradável e proveitoso em todos os sentidos nele a espaço para todos os gostos e estilos, indo desde pessoas com a simples vontade de conhecer, passando pelos o que procuraram algum atrativo presente na praia. No mais é ir, explorar e tentar se divertir.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

O Incrível Mundo de Gumball: Uma comédia neurótica, descontraída e de fácil entendimento

Após duas longas temporadas e diversos prêmios importantes ganhos no quesito animação voltado para televisão O Incrível Mundo de Gumball (The Amazing World Gumball), produção britânica em parceria com os estúdios americanos da Cartoon Network, terminou adquirindo perante a crítica junto ao público boa receptividade proporcionado não somente pela temática espalhafatosa e nonsense, mas devido as técnicas de construção da série, reforçando o momento de renovação do canal pertencente ao grupo AOL Time Warner.

Atualmente em exibição no bloco HAHAHA, do qual fazem parte Apenas um Show (clique aqui), Hora de Aventura (clique aqui) e MAD, as engraçadas estórias vividas por Gumball Watterson, um gato azul, e Darwin, um peixe laranja, apresentam muitas vezes cenários relacionados a questões da transição da infância para início da puberdade, exemplo, problemas de relacionamento escolar, interesses amorosos, amizades e questões familiares encabeçada pelos pais, Ricardo e Nicole, e pela irmã caçula, Anais.

O enredo procura sempre explorar as dificuldades de Gumball, um personagem rodeado por medo, defeito e insegurança que tem na figura do irmão adotivo, Darwin, seu melhor amigo e com isso passa vivenciar situações constrangedoras, normalmente sempre de grande perigo, fazendo por diversas vezes quase chegue ser morto além do confuso relacionamento familiar no qual tem um pai desleixado e uma mãe altamente controladora e preocupada, contribuindo assim também para encenações embaraçosas enquanto reunidos.

O humor leve apresentado na trama, sem grandes novidades nesse quesito, proporcionado simplesmente pelas desventuras ocasionais de Gumball consegue distrair a cada episódio, em seus onze minutos de duração, devido certo modo pela inocência do protagonista que durante novas tentativa de superar as dificuldades corriqueiras do dia-a-dia termina encarando somente mais confusões, entretanto, sempre nutrindo a esperança de não ser tão desafortunado e isso termina proporcionando para gerar somente mais confusão.

Agregando ainda figuras secundárias interessantes como o Sr. Robinson (uma marionete), Tina (uma t-rex), Penny (uma amendoim) entre outros revela a diversidade do mundo criado para o programa que mescla os mais diferentes elementos relacionado ao desenvolvimento de animações indo desde o tradicional 2D, stop-motion, 3D, incluindo live-action, numa ambientação rica em textura tornando a criatividade presente um dos principais destaques da série animada criada pelo animador francês Ben Bocquelet.

Indo agora para a confirmação da terceira temporada, ainda em fase de elaboração, que contará com 40 episódios, o projeto já ganhou esse ano o prêmio Emmy Kids Awards em sua primeira edição, premiação voltada para produções infantis não americanas, em 2011 faturou o BAFTA (Acadêmia Britânica de Artes do Cinema e Televisão), o mais influente festival cinematográfico do Reino Unido, repetindo a façanha em 2012, e também vencendo o tradicional Annie Awards como melhor equipe de produção infantil.

A fórmula de fácil compreensão auxiliada pela diversidade dos elementos técnicos fez do seriado
uma grata surpresa, principalmente pelo experimentalismo presente, tudo gira em torno de Gumball e nada parece estranho apesar do qual mais exótico seja, banana hiperativa, impressão digital ladrão, vírus de computador vindo de outra dimensão, garoto robô, fantasminha emo, nenhuma coisa chega ser incomum no mundo onde vive o atrapalhado gato azul pré-adolescente, sua família e amigos de escola.

Nutrindo um humor mais ameno do que mostrado em Apenas um Show e MAD, as histórias tem características singulares, nada muito aprofundado ou que necessite prestar tanta atenção, em certos momentos fazem uma ou outra referência a bandas famosas como AC/DC ou Kiss satirizadas nas camisetas de Rocky Robinson a exemplo de AB/CD e Bisou (beijo em francês), além de algumas citações envolvendo antigos jogos de videogames e filmes, tendo Atari e Senhor dos Anéis novos exemplos.

Possa ser que em determinados momentos a produção peque por falta de novidades enquanto enredo, alguns episódios se parecem muito, entretanto, o estilo proposto ao programa sobressai a esses pequenos escorregões e as continuas sequências pastelões protagonizadas por Gumball e Darwin conseguem superá-las, o importante é ver a jovem dupla em circunstâncias cada vez mais desastrosas e perigosas, até porque a graça da série vêm justamente das trapalhadas criadas por eles lançando em inúmeras enrascadas.

É notório o descomprometimento da série, sem grandes pretensões terminou atingindo uma boa quantidade de fãs, mesmo que em menor número comparado as principais produções originais do canal infantil, no entanto, vale reforçar se tratar de um projeto não inteiramente estadunidense e isso termina agregando alguns valores como as diferentes maneiras de se fazer animações e não somente ficando preso as mesmas fórmulas, nesse ponto O Incrível Mundo de Gumball tem um grande deferencial comparado aos demais programas: inovação técnica.

O desenvolvimento das aventuras de Gumball e Darwin se deu com a utilização de personagens criados por Ben Bocquelet para comerciais que terminaram não sendo utilizados, então incentivado pelo projeto de novas ideias do Cartoon Network Development Studio Europe, sediado em Londres, resolveu reuni-los num ambiente escolar resultando no piloto (vídeo abaixo), apresentando muitos das figuras que iriam fazer parte do programa, mesmo alguns tendo formas diferentes como a própria dupla protagonista.

Em seguida o aval dos diretores responsáveis pelo lançamento das novas séries começou então o processo de criação, levando quase dois anos para concluir a primeira temporada, contendo 36 episódios, estreando na integra, inicialmente nos Estados Unidos, em 9 de maio de 2011, anteriormente, 3 de maio, foi ao ar a prévia como é que seria o universo vivido por Gumball e seus amigos entrando minutos antes do capítulo inaugural de O Show dos Looney Tunes, reforçando as constantes tentativas do estúdio americano em reformular sua grade de programação.

As primeiras críticas relacionadas a produção revelaram-se positivas sempre exaltando o visual, as músicas e o humor incluindo boas menções em importantes meios de comunicação a exemplo da secular revista Variety, que por sinal esse ano cancelou suas publicações impressas diárias após 80 anos de circulação, e da Entretainment Weekly, ou abreviado para EW, pertencente a subsidiaria Time Inc., editora de revistas, incluindo a conceituada Time, por sua vez vinculada ao grupo Time Warner, mesmo proprietário da Cartoon Network.

Como primeiro projeto elaborado pela divisão europeia da CN, o segundo foi um curta-metragem solo intitulado The Furry Pals (link para o vídeo), mostrado em 2011, mas sem saber se poderá vir ter sequências, lembrando que o processo para liberação de construção de novos desenhos é demorado, o peso de maior responsabilidade fica a cargo de O Incrível Mundo de Gumball, entre a primeira e segunda temporada, sofreu algumas alterações técnicas para manter o nível gráfico sempre atualizando as necessidades da série.

Tantos fatores fazem da sitcom animada uma grande aglomeração de ideias, até momento bem sucedidas, que auxiliam na tentativa de retomada da Cartoon Network pelo posto de ser o principal canal infantil da tv a cabo, devido fato nos últimos anos ter perdido espaço para Nicklodeon e os da Disney, além de superar a forte crise que abateu o estúdio durante o final da última década e início desta, tal processo indica da importância em estar sempre em constante mudanças e talvez consiga novamente voltar aos bons tempos.



BEN BOCQUELET, A CABEÇA

Benjamin Bocquelet, ou Ben, é de nacionalidade francesa nascido na Inglaterra e faz parte do atual casting de novos realizadores da Cartoon Network que nos últimos anos tem investindo em jovens profissionais como J.G. Quintel (Apenas um Show) e Pen Ward (Hora de Aventura) na busca de a cada temporada apresentar novos formatos.

Foi contratado em 2007 juntamente com a criação da divisão europeia da CN após ter ajudado a desenvolver dois pequenos curtas de animação, sendo o primeiro deles o catastrófico e divertido The Hell's Kitchen (2003, vídeo), e o segundo, The Little Short-Sighted Snake (link para o vídeo), lançado na rede de televisão pública da Estônia, em 2006, exercendo a função de ilustrador.

Atualmente divide o tempo profissional entre a criação de novos episódios de O Incrível Mundo de Gumball, trabalhos internos da Cartoon Network (divisão europeia) e na colaboração pequenas produções de animações independentes.