segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Uma continuação descabida

Há exato um mês de estreia no circuito nacional, já sendo retirado de cartaz em alguns casos, mas permanecendo em outros a continuação Busca Implacável 2 trás de volta Liam Neeson no papel do ex-agente secreto e agora segurança particular de celebridades Bryan Mills que terá de resgatar dessa vez a ex-esposa das mãos de antigos inimigos ainda referente ao sequestro da sua única filha em Paris anos atrás.

Em 2008 quando a primeira parte de Busca Implacável estreou nos cinemas nem mesmo o mais otimista dos produtores esperava que a produção orçamentada em 25 milhões de dólares, quantia mediana para os padrões do seguimento, fosse arrecadar exorbitantes 226 milhões mundo à fora, entretanto, apesar do bom retorno não era aguardado sequências por ser uma trama devidamente fechada até que foi anunciada a continuação para este ano.

Repetindo os mesmos elementos presentes no anterior a nova produção de Luc Besson sob direção de Olivier Megaton (Hitman) torna-se pouco atraente em todos os quesitos dos quais propõe explorar desde um roteiro clichê beirando o obvio de ser imaginado até as cenas de ação que apesar de boas performances são pouco criativas, desacerbadas e de solução simples na maioria das vezes mostrando o quanto a ideia de fazer remake da própria sequência segue forte.


MAIS UMA VEZ IMPLACÁVEL

Na primeira aparição de Bryan Mills sua filha era raptada em plenas férias de verão enquanto se preparava para conhecer a cidade luz, Paris, juntamente com outra amiga terminando sendo alvo de criminosos especializados na venda de jovens mulheres como escravas sexuais.

Em meio um relacionamento conturbado com a ex-mulher segue para França e causa grandes estragos a cidade e aos bandidos, com alguns mortos de formas no mínimo brutais e sempre prezando pela agilidade devido o curto período de tempo para resgatar a filha antes de perder seu rastro definitivamente.

O desenvolvimento da segunda parte tem como proposta a vingança de parentes de vários dos sequestradores assassinados por Mills e que irão caçá-lo além do resto da família durante a estadia na Turquia, entretanto, sem terem conhecimento quanto o ex-agente do governo americano pode ser mortal quando ameaçado.


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Tão atual quanto há 146 anos atrás


Foi necessário quase um ano e meio entre idas e vindas para concluir a leitura desse livro escrito por Fiodor Dostoiévski, um dos romancistas russos mais influentes do Século XIX, e que talvez em Crime e Castigo tenha realizado sua melhor obra, ao menos uma das mais conhecidas do autor. Em resumo não dá para descrever tamanha complexidade presente na trama, não é uma leitura de fácil compreensão, fazendo muitas vezes preciso reler o mesmo capítulo.

A história se passa em São Petersburgo narrando as dificuldades vividas pelo ex-estudante de direito Raskólnikov, um rapaz pobre, megalomaníaco e que vive num pequeno quarto alugado em condições de miséria passando boa parte do tempo por grandes necessidades entre elas o abandono da vida acadêmica por não possuir condições, mas almeja realizar algo grandioso (segundo o próprio personagem ele é uma pessoa de potencial) e que termina assassinando uma velha agiota, Alena Ivanovna, uma senhora de saúde debilitada conhecida pela maldade em tratar as pessoas e a irmã dela, Lizavéta, para quem devia dinheiro por penhorar o relógio dado pelo pai já falecido, entretanto, a razão do homicídio não é levado pela dívida e sim a ideia de matar, sendo em sua teoria justificável.

O medo de ser pego pelo crime, desprezando o sentimento de culpa, passa atormentar o personagem principal levando de certa forma ao enlouquecimento e os castigos decorrentes tal ato criminoso vindo lentamente através de seus medos e receios que vai deixando cada vez mais sufocado pelo segredo tenebroso fazendo que desfaça de alguns itens surrupiados durante a noite dos assassinatos escondendo debaixo de uma pedra num lugar abandonado. Pessoa de poucos amigos Raskólnikov convive mais consigo mesmo do que com qualquer outro indivíduo e talvez devido a isso sofra descabidamente não apenas pelo crime, mas relacionado as dificuldades da vida das quais está fadado como por exemplo alimentar-se somente quando alguma comida é levada para o quarto no qual mora suspenso pela falta de pagamento.

A solidão da figura central é notável da mesma maneira como sua inspiração pelo imperador francês Napoleão Bonaparte e a construção da sua linha de raciocino onde defina a existência de apenas dois tipos de seres humanos: ordinários e extraordinários. No primeiro grupo as pessoas basicamente não podem realizar grandes feitos estando condenadas uma vida de submissão enquanto o segundo em contrapartida tem o direto de concretizarem suas ideias mesmo que para isso tenham de quebrar regras e leis por serem superiores aos demais, nesse aspecto busca enquadrar os assassinatos da velha senhora e de sua irmã que faltamente adentra no momento do crime cometido por Raskólnikov morrendo devido o fato de testemunhar a brutal morte da irmã com um machado que também é usado para assassinar Lizavéta.

A maneira como o decorrer da trama é apresentada humanizando as ações do jovem flagelado que durante boa parte do livro vive em febre e tendo alucinações por causa das precárias condições sub-humanas em se encontra racionaliza para o ensaio de suas ações deturpadas dando certo entendimento não só ao crime, mas a personalidade moldada através da depressão e miséria de não poder conseguir mudar seus padrões apesar de almejar tal feito. Crime e Castigo faz jus a condição de ser um dos grandes livros de todos os tempos mesmo possuindo uma leitura para poucos.