sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Mostra de filmes no Cinema da Fundação

O público pernambucano que gosta da sétima arte em geral e não apenas dos filmes mostrados em circuito comercial tradicional durante esse mês, entre 16 a 22, poderá conferir no Cinema da Fundação, bairro do Derby, uma seleção especial de produções exibidas em alguns importantes festivais a exemplo de Cannes e Toronto, respectivamente representado por The Bling Ring (2013) e Frances Ha (2013) além do tão comentado documentário Doméstica (2013), e de Branca de Neve (2013) ou no original Blancanieves, indicado esse ano ao Oscar na categoria Melhor Filme Estrangeiro representando a Espanha.

A mostra começa nesta sexta-feira a partir das 15h com a produção espanhola do cineasta Pablo Berger, em seu segundo longa na direção, trazendo uma releitura do clássico atemporal dos irmãos Grimm, sendo protagonizado pela atriz Maribel Verdú, conhecida pelo trabalho realizado em O Labirinto do Fauno (2006) ao viver a cozinheira de personalidade forte Mercedes, uma das principais coadjuvantes; e seguindo com três exibições do drama The Bling Ring, novo projeto da diretora Sofia Coppola que também assina o roteiro e produção.

Durante o período os ingressos podem ser comprados na bilheteria do local por R$ 8 (R$ 4 meia), em funcionamento momentos antes de serem exibidos. Uma experiência válida para quem busca ver algo diferente, não tão comum apresentado nos cinemas convencionais, exceto as sessões de arte, pouco divulgadas e normalmente em horários complicados, dando a oportunidade para quem quer conhecer novas vertentes cinematográficas.


The Bling Ring - A Gangue de Hollywood. (2013)
Duração: 90 minutos. Faixa Etária: 16 anos. Distribuição: Diamond Films.
Direção: Sofia Coppola. Elenco: Katie Chang, Emma Watson, Israel Broussard, Taissa Farmiga.
Gênero: Drama/Suspense.

Sinopse: Inspirado em fatos reais que retrata um grupo de jovens californianos que invadia a casa das celebridades de Hollywood, incluindo a socialite Paris Hilton, devido tamanha obsessão pela fama e glamour. Liderados por Rebecca (Katie Chang), uma garota de gosto excêntrico e fútil, através da internet rastreavam as moradias dos famosos para invadir e roubar suas residencias com o simples intuito de aproveitarem os pertences e se glorificarem com o feito.





Frances Ha. (2013)
Duração: 86 minutos. Faixa Etária: 14 anos. Distribuição: Vitrine Filmes.
Direção: Noah Baumbach. Elenco: Greta Gerwig, Mickey Sumner, Adam Driver.
Gênero: Comédia Dramática.

Sinopse: Frances (Greta Gerwig) é uma ambiciosa dançarina aprendiz numa importante companhia de dança, que tem de se contentar com muito menos reconhecimento do que gostaria. Mesmo assim ela leva a vida de maneira leve e otimista. 




Branca de Neve. (2013)
Duração: 87 minutos. Faixa Etária: 14 anos. Distribuição: Imovision.
Direção: Pablo Berger. Elenco: Maribel Verdú, Ángela Molina, Macarena García, Pere Ponce.
Gênero: Drama.

Sinopse: Servilha, Espanha, 1920. Carmen viveu toda infância com a terrível madrasta Encarna (Maribel Verdú). Cansada da repressão a jovem resolve fugir de casa para viver suas aventuras como toureira, na intenção de esquecer o passado. Durante a aventura recebe a ajuda de sete anões toureiros, que decidem protegê-la a todo custo.





Doméstica. (2013)
Duração: 76 minutos. Faixa Etária: Livre. Distribuição: Vitrine Filmes.
Direção: Gabriel Mascaro. Elenco: Dilma dos Santos, Flávia Santos, Helena Araújo.
Gênero: Documentário.

Sinopse: Durante uma semana, sete jovens tornaram-se cineastas amadores e filmaram o cotidiano de suas empregadas domésticas. O material foi entregue ao diretor Gabriel Mascaro que copilou os momentos mais marcantes nesse documentário.


 A programação segue a partir dessa sexta até a próxima quinta-feira, contudo, na segunda não haverá exibições, sendo retomada na terça-feira. Para maiores informações podem acessar o blog oficial do Cinema da Fundação.


terça-feira, 13 de agosto de 2013

A vez dos Jaegers

Não é de hoje que filmes contendo robôs e monstros gigantescos estão em evidência no cinema e na televisão, por volta dos anos 50 do século XX tivemos a primeira aparição do icônico Godzilla, em 1960 o nostálgico Ultraman começava a fazer uma fiel legião de fãs que se estenderia pelas décadas seguintes, durante o período de 1990 os Power Rangers, na época grande sucesso junto ao público infantil, ganhava seu primeiro longa-metragem além da série televisiva, todos podendo ser considerados de grande importância decorrente os momentos vividos.

Nos últimos anos com surgimento das aventuras live-acions da cinessérie Transformers, baseada num seriado animado originalmente de 1984, os gigantes cibernéticos novamente voltaram despontar no cenário cinematográfico, considerado por muitos cinéfilos a produção com assinatura do diretor Michael Bay e produção Steven Spielberg é vista com maus olhos não devido a qualidade visual, esse ponto é inegável toda minuciosidade, mas pelo roteiro frouxo e pouco convincente onde tudo é resumido a tiros, explosões, piadas clichês sem grande sentido.

Agora pelas mãos do versátil Gillermo Del Toro a onda de robôs colossais ganhou seu mais novo segmento nas grandes telas, Círculo de Fogo, ou no título original, Pacific Rim, ambientado num futuro a beira do apocalipse onde o planeta passa sofrer ataques dos misteriosos Kaijus, criaturas emergidas de uma fenda localizada no oceano pacífico, e para combatê-los são construídos os Jaegers, controlados por uma dupla de pilotos que tem como objetivo proteger a humanidade no qual cada país envolvido no projeto tem ao menos uma unidade robótica.

A premissa apresentada na recente produção da Warner Bros. é similar ao anime Neon Genesis Evangelion, sendo o mundo invadido por seres conhecidos como "Anjos" e defendidos pelos EVAs controlados por pilotos, aqui adolescentes. A semelhança não fica somente nas criaturas, contudo, também na narrativa priorizando o desenvolvimento psicológico dos principais personagens e suas motivações, na animação chega ser perturbador o andamento da estória, culminando com um embate filosófico, mas no longa não chega seguir afinco esse caminho.

Para quem gosta de filmes pipocas que contenha algum conteúdo, além da diversão proposta, essa nova empreitada do realizador do cultuado Labirinto do Fauno (2006) acerta em cheio ao conseguir mesclar diferentes aspectos sendo as excelentes sequências de ação, roteiro conciso, personagens interessantes, incluindo o manjado alívio cômico, todos elementos devidamente encaixados. Pode não ser um dos melhores filmes do ano, e nem tem essa pretensão, para os mais descuidados talvez nem soubesse da existência, contudo, agrada pelo resultado final.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Porto de Galinhas: Uma praia com seus encantos

Apesar do inverno ser a estação predominante por esses meses em Recife e todo restante da região, tornando dessa forma passeios as principais praias urbanas como Boa Viagem, Pina e Piedade inviáveis (ao menos para mim), por conter certo risco a saúde, não somente ligado a possíveis ataques de tubarões (essa é a menor das razões), mas estar exposto contrair doenças a exemplo de pano branco, micose e toxoplasmose, a solução encontrada muitas vez para poder aproveitar o mar é seguir para rotas alternativas, dentre algumas: Marinha Farinha, Calhetas, Coroa do Avião e claro Porto de Galinhas.

Eleita em diversas oportunidades como a melhor praia do Brasil, chegando a ficar por dez anos consecutivos em primeiro lugar no ranking da revista Viagem e Turismo, editora Abril, Porto de Galinhas ganhou inúmeras definições entre elas "pedacinho do Caribe" devido água cristalina, brisa suave, incontáveis bares, restaurantes, pousadas e da famosa casa noturna Birosca da Cachaça (parada obrigatória para estiver pela vila durante a noite) transformou a localidade num dos pontos mais disputados pelos turistas que visitam Pernambuco assim como moradores de outras regiões do estado.

Mesmo em época de baixa estação a praia de nome curioso ligado ao período colonial vive repleta de pessoas que aproveitam a inter-temporada para circular pela vila, conhecer o centro comercial, visitar alguns dos ateliês presentes, explorar programas ligados ao ecoturismo como mergulho nas piscinas naturais, trilhas pelo mangue e mata atlântica, passeios de jangada e bugres. Tamanho status também seus pontos negativos a exemplo de preços exorbitantes seja em alimentação, transporte e nas famosas lembrancinhas, chegando cobrar até o preço de R$ 80 numa camiseta t-shirt (convenhamos é um valor alto demais).

Outro aspecto nada bom é a má conservação de parte de algumas vias por parte do governo municipal, cidade de Ipojuca, pouco iluminadas quando a noite chega, esburacadas e em alguns casos não asfaltadas, dificultando a locomoção dos indivíduos que lá vão e também dos possíveis riscos de assaltos, sem contar problemas estruturais de algumas praças, muitas tomadas pelo mato, e de falta de limpeza urbana, existe ruas bastante sujas além dos constantes engarrafamos para conseguir chegar ao local devido problemas na estrada estadual, PE-38, responsabilidade do governo de Pernambuco, que permite acesso à praia.

Contudo, não podemos esquecer que tais dificuldades não são exclusividade de Porto de Galinhas, praticamente em todo o país há problemas em pontos turísticos seja em Pernambuco, Natal, Espirito Santo, Rio de Janeiro ou qualquer outra, mas a programação quando bem feita e atento eventuais problemáticas torna-se um passeio agradável e proveitoso em todos os sentidos nele a espaço para todos os gostos e estilos, indo desde pessoas com a simples vontade de conhecer, passando pelos o que procuraram algum atrativo presente na praia. No mais é ir, explorar e tentar se divertir.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

O Incrível Mundo de Gumball: Uma comédia neurótica, descontraída e de fácil entendimento

Após duas longas temporadas e diversos prêmios importantes ganhos no quesito animação voltado para televisão O Incrível Mundo de Gumball (The Amazing World Gumball), produção britânica em parceria com os estúdios americanos da Cartoon Network, terminou adquirindo perante a crítica junto ao público boa receptividade proporcionado não somente pela temática espalhafatosa e nonsense, mas devido as técnicas de construção da série, reforçando o momento de renovação do canal pertencente ao grupo AOL Time Warner.

Atualmente em exibição no bloco HAHAHA, do qual fazem parte Apenas um Show (clique aqui), Hora de Aventura (clique aqui) e MAD, as engraçadas estórias vividas por Gumball Watterson, um gato azul, e Darwin, um peixe laranja, apresentam muitas vezes cenários relacionados a questões da transição da infância para início da puberdade, exemplo, problemas de relacionamento escolar, interesses amorosos, amizades e questões familiares encabeçada pelos pais, Ricardo e Nicole, e pela irmã caçula, Anais.

O enredo procura sempre explorar as dificuldades de Gumball, um personagem rodeado por medo, defeito e insegurança que tem na figura do irmão adotivo, Darwin, seu melhor amigo e com isso passa vivenciar situações constrangedoras, normalmente sempre de grande perigo, fazendo por diversas vezes quase chegue ser morto além do confuso relacionamento familiar no qual tem um pai desleixado e uma mãe altamente controladora e preocupada, contribuindo assim também para encenações embaraçosas enquanto reunidos.

O humor leve apresentado na trama, sem grandes novidades nesse quesito, proporcionado simplesmente pelas desventuras ocasionais de Gumball consegue distrair a cada episódio, em seus onze minutos de duração, devido certo modo pela inocência do protagonista que durante novas tentativa de superar as dificuldades corriqueiras do dia-a-dia termina encarando somente mais confusões, entretanto, sempre nutrindo a esperança de não ser tão desafortunado e isso termina proporcionando para gerar somente mais confusão.

Agregando ainda figuras secundárias interessantes como o Sr. Robinson (uma marionete), Tina (uma t-rex), Penny (uma amendoim) entre outros revela a diversidade do mundo criado para o programa que mescla os mais diferentes elementos relacionado ao desenvolvimento de animações indo desde o tradicional 2D, stop-motion, 3D, incluindo live-action, numa ambientação rica em textura tornando a criatividade presente um dos principais destaques da série animada criada pelo animador francês Ben Bocquelet.

Indo agora para a confirmação da terceira temporada, ainda em fase de elaboração, que contará com 40 episódios, o projeto já ganhou esse ano o prêmio Emmy Kids Awards em sua primeira edição, premiação voltada para produções infantis não americanas, em 2011 faturou o BAFTA (Acadêmia Britânica de Artes do Cinema e Televisão), o mais influente festival cinematográfico do Reino Unido, repetindo a façanha em 2012, e também vencendo o tradicional Annie Awards como melhor equipe de produção infantil.

A fórmula de fácil compreensão auxiliada pela diversidade dos elementos técnicos fez do seriado
uma grata surpresa, principalmente pelo experimentalismo presente, tudo gira em torno de Gumball e nada parece estranho apesar do qual mais exótico seja, banana hiperativa, impressão digital ladrão, vírus de computador vindo de outra dimensão, garoto robô, fantasminha emo, nenhuma coisa chega ser incomum no mundo onde vive o atrapalhado gato azul pré-adolescente, sua família e amigos de escola.

Nutrindo um humor mais ameno do que mostrado em Apenas um Show e MAD, as histórias tem características singulares, nada muito aprofundado ou que necessite prestar tanta atenção, em certos momentos fazem uma ou outra referência a bandas famosas como AC/DC ou Kiss satirizadas nas camisetas de Rocky Robinson a exemplo de AB/CD e Bisou (beijo em francês), além de algumas citações envolvendo antigos jogos de videogames e filmes, tendo Atari e Senhor dos Anéis novos exemplos.

Possa ser que em determinados momentos a produção peque por falta de novidades enquanto enredo, alguns episódios se parecem muito, entretanto, o estilo proposto ao programa sobressai a esses pequenos escorregões e as continuas sequências pastelões protagonizadas por Gumball e Darwin conseguem superá-las, o importante é ver a jovem dupla em circunstâncias cada vez mais desastrosas e perigosas, até porque a graça da série vêm justamente das trapalhadas criadas por eles lançando em inúmeras enrascadas.

É notório o descomprometimento da série, sem grandes pretensões terminou atingindo uma boa quantidade de fãs, mesmo que em menor número comparado as principais produções originais do canal infantil, no entanto, vale reforçar se tratar de um projeto não inteiramente estadunidense e isso termina agregando alguns valores como as diferentes maneiras de se fazer animações e não somente ficando preso as mesmas fórmulas, nesse ponto O Incrível Mundo de Gumball tem um grande deferencial comparado aos demais programas: inovação técnica.

O desenvolvimento das aventuras de Gumball e Darwin se deu com a utilização de personagens criados por Ben Bocquelet para comerciais que terminaram não sendo utilizados, então incentivado pelo projeto de novas ideias do Cartoon Network Development Studio Europe, sediado em Londres, resolveu reuni-los num ambiente escolar resultando no piloto (vídeo abaixo), apresentando muitos das figuras que iriam fazer parte do programa, mesmo alguns tendo formas diferentes como a própria dupla protagonista.

Em seguida o aval dos diretores responsáveis pelo lançamento das novas séries começou então o processo de criação, levando quase dois anos para concluir a primeira temporada, contendo 36 episódios, estreando na integra, inicialmente nos Estados Unidos, em 9 de maio de 2011, anteriormente, 3 de maio, foi ao ar a prévia como é que seria o universo vivido por Gumball e seus amigos entrando minutos antes do capítulo inaugural de O Show dos Looney Tunes, reforçando as constantes tentativas do estúdio americano em reformular sua grade de programação.

As primeiras críticas relacionadas a produção revelaram-se positivas sempre exaltando o visual, as músicas e o humor incluindo boas menções em importantes meios de comunicação a exemplo da secular revista Variety, que por sinal esse ano cancelou suas publicações impressas diárias após 80 anos de circulação, e da Entretainment Weekly, ou abreviado para EW, pertencente a subsidiaria Time Inc., editora de revistas, incluindo a conceituada Time, por sua vez vinculada ao grupo Time Warner, mesmo proprietário da Cartoon Network.

Como primeiro projeto elaborado pela divisão europeia da CN, o segundo foi um curta-metragem solo intitulado The Furry Pals (link para o vídeo), mostrado em 2011, mas sem saber se poderá vir ter sequências, lembrando que o processo para liberação de construção de novos desenhos é demorado, o peso de maior responsabilidade fica a cargo de O Incrível Mundo de Gumball, entre a primeira e segunda temporada, sofreu algumas alterações técnicas para manter o nível gráfico sempre atualizando as necessidades da série.

Tantos fatores fazem da sitcom animada uma grande aglomeração de ideias, até momento bem sucedidas, que auxiliam na tentativa de retomada da Cartoon Network pelo posto de ser o principal canal infantil da tv a cabo, devido fato nos últimos anos ter perdido espaço para Nicklodeon e os da Disney, além de superar a forte crise que abateu o estúdio durante o final da última década e início desta, tal processo indica da importância em estar sempre em constante mudanças e talvez consiga novamente voltar aos bons tempos.



BEN BOCQUELET, A CABEÇA

Benjamin Bocquelet, ou Ben, é de nacionalidade francesa nascido na Inglaterra e faz parte do atual casting de novos realizadores da Cartoon Network que nos últimos anos tem investindo em jovens profissionais como J.G. Quintel (Apenas um Show) e Pen Ward (Hora de Aventura) na busca de a cada temporada apresentar novos formatos.

Foi contratado em 2007 juntamente com a criação da divisão europeia da CN após ter ajudado a desenvolver dois pequenos curtas de animação, sendo o primeiro deles o catastrófico e divertido The Hell's Kitchen (2003, vídeo), e o segundo, The Little Short-Sighted Snake (link para o vídeo), lançado na rede de televisão pública da Estônia, em 2006, exercendo a função de ilustrador.

Atualmente divide o tempo profissional entre a criação de novos episódios de O Incrível Mundo de Gumball, trabalhos internos da Cartoon Network (divisão europeia) e na colaboração pequenas produções de animações independentes.


terça-feira, 2 de julho de 2013

A nova onda zumbi

Quando anunciado que o best-seller Guerra Mundial Z - Uma História Oral da Guerra dos Zumbis, de autoria de Max Brooks (filho do renomado cineasta Mel Brooks) ganharia as grandes telas gerou dentre os fãs do gênero uma grande expectativa reforçada ainda mais com a participação do astro Brad Pitt integrado ao elenco e produção, contudo, durante o desenvolvimento sucederam inúmeros contratempos dificultando a execução do projeto dando entender um possível desgaste no resultado final.

Nos bastidores foi dito haver constantes desentendimentos entre o diretor, Marc Foster, e o produtor, Brad Pitt, culminando quase com o desligamento do cineasta suíço responsável por filmes como Quantum of Solace (2008), O Caçador de Pipas (2007) e A Última Ceia (2001) das filmagens motivado principalmente por "divergências criativas" além dos frequentes atrasos para conclusão, estouro do orçamento (chegando a girar em torno dos US$ 200 milhões) e da polêmica em mudar praticamente todo o desfecho final da obra.

Quando as dúvidas sobre a qualidade começavam a pairar em volta de Guerra Mundial Z até por que pouco do conteúdo do desenvolvimento era repassado e a maioria das notícias envolvia problemas internos chegou a cogitar um possível insucesso, mas, desde a última sexta feira, quando finalmente entrou em cartaz, após adiamento em seis meses, o resultado apresentado na projeção demonstra que apesar do mau rumo tomado durante o processo de criação não parece ter pesado tanto assim na montagem do filme.

Nos primeiros segundos de exibição, durante a formação dos títulos, dá para perceber que a proposta nesta produção não será como de costume revelada em filmes de mesma temática, encabeçada pela proliferação dos mortos-vivos sedentos por sangue e viscéreas humanas num grotesco show de horror. Durante a abertura, ao som da banda britânica Muse, é apresentado uma série de acontecimentos simultâneos na Terra, indo de manifestações populares violentas desde à luta pela sobrevivência de animais confrontando-se, caçando e matando os oponentes.

Fica claro que em Guerra Mundial Z não há espaço para cenas chocantes, humor negro ou qualquer elemento significativo comuns no segmento popularizado com George A. Romero em seus filmes B. Aqui tudo é sóbrio, sério e dramático não deixando brechas soltas para eventuais referências de trabalhos anteriores envolvendo zumbis e isso distância muito do gênero terror aproximando mais dos filmes de ação tipicamente hollywoodiano com sequências frenéticas e belos efeitos especiais.

Um filme rotulado como eminente desastre devido sua complicada concepção reforça a ideia que nunca se deve julgar sem ao menos dar oportunidade em assistir; é notável que algumas cenas ficaram necessitando de um melhor acabamento no quesito roteiro, entretanto, a competente direção consegue sobressair nesses aspectos negativos por dar ao espectador um clima claustrofóbico, apreensivo e de poucas saídas para o personagem central da trama que no já manjado estilo Jack Bauer de ser é a única esperança de salvação de todo mundo.

O enredo aqui é como de costume nas estórias catástrofes e epidêmicas, nada se sabe da origem apenas que em pouco tempo o pandemônio toma conta das pessoas e praticamente do nada a sociedade entra em colapso deixando a sensação da aproximação do fim dos tempos, mas nesse caso tomado pela proliferação dos famigerados zumbis onde em boa parte da projeção são pessoas com olhos esbranquiçados diferente do que foi popularizado ao longo dos anos nos filmes de terror, principalmente os de baixo orçamento.

A trama começa no subúrbio da Filadélfia, no cotidiano de uma família que em poucos momentos ao sair de casa se vê perdida junto as eventuais cenas de pânico no centro da cidade motivado por pessoas ensandecidas que atacam outras sem qualquer razão e nesse momento a única alternativa é manter-se longe desses indivíduos buscando encontrar um local seguro. Após alguns acontecimentos o pai da família (Brad Pitt), um ex-investigador da ONU, parte numa missão militar para poder descobrir as razões desse mal originando assim todo o desenrolar.

Seguindo a mesma linha de raciocínio presente na produção Contágio (2011), buscando localizar o paciente 0 e consequentemente elaborar uma vacina contra a doença, a estória ao longo do tempo passa ganhar novos contornos entre elas um ar dramático proporcionado pela rapidez da destruição dos locais visitados ocasionado pela ferocidade dos mortos-vivos, conceito muito parecido em Extermínio (2002), criaturas ágeis, força maior do que imaginado e possuindo certa inteligência, diferente nos filmes tradicionais do gênero.

Não dá para reclamar no quesito aventura já que durante praticamente desde os primeiros minutos Guerra Mundial Z trás correria, tiros, explosões, aviões sendo derrubados e cidades tomadas de uma forma como nunca vista no segmento apocalipse zumbi. A ausência de mordias, sangue e tripas saltando para fora da tela é compensada pelo clima da eminente destruição da raça humana criado a partir do ritmo frenético dos acontecimentos e pela tensão gerada a cada local visitado, talvez tendo seu ápice na parte envolvendo Israel.

Os pontos negativos ficam por conta de ser uma produção de um único personagem, no caso vivido por Brad Pitt, as outras presenças pouco contribuem para o desfecho da obra e tudo recai nos ombros do galã cinquentão. Outro aspecto que deve ser relevado é a facilidade de locomoção de um continente para o outro onde em poucas horas transcorridas passa pela América do Norte, Ásia e Europa além da solução de saída fácil encontrada para conclusão do filme, contudo, não pode ser negado que para algo rotulado de desastroso antes de ser lançado consegue agradar e surpreender positivamente.

Em resumo, a proposta levada as telas na nova aposta de Brad Pitt pretende fazer desse o primeiro filme de uma franquia. Pode não ser aquilo esperado por alguns devido o fato da produção ser totalmente diferente do livro, uma espécie de coletânea de depoimentos dos sobreviventes aos ataques dos errantes, entretanto, acerta em cheio quanto ação/aventura e dessa forma agradando aos que querem ver um competente blockbuster sem muitas preocupações com referência ou manter um legado construído ao longos anos.


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Uma história simples, mas um visual encantador

Há exata uma semana entrava no circuito nacional a animação produzida pela Blue Sky Studios, mesma responsável pelos desenhos animados de grande sucesso distribuídas pela 20th. Century Fox, entre elas a quadrilogia A Era do Gelo, Rio e do pouco lembrado Robôs, trás dessa vez mais uma produção que tem tudo para se tornar outro projeto bem recebido tanto pela bilheteria que deverá fazer quanto pela crítica, Reino Escondido.

Baseado no livro ainda sem publicação no Brasil "The Leaf Man and the Brave Good Bugs", de autoria de William Joyce, que também realiza trabalhos na parte técnica de alguns filmes a exemplo do drama protagonizado pela experiente atriz Rene Russo em Buddy (1997). Através do veterano expert em animações desse tipo, Chris Wedge, dentre destaque diretor da primeira aventura de A Era do Gelo, a publicação lançada originalmente em 1996 ganha finalmente sua versão cinematográfica.

A trama desenvolve quando a protagonista, Maria Catarina ou apenas M.C, uma típica adolescente com dificuldades de convivência, vai reencontrar o excêntrico pai, Professor Bomba, cientista que acredita na existência de pequenos seres que agem como algum tipo de entidade presente na floresta e essa obsessão na tentativa de comprovar suas confusas teorias terminou afastando-o do restante da família, a filha e também da ex-esposa, que recentemente faleceu e que mantinha imensa afinidade com a garota.

Em meio desentendimentos com o pai gentil, mas ausente, Maria Catarina termina adentrando no universo dos Homens-Folhas, os pequenos serem que protegem a floresta, a partir desse momento passa ter conhecimento de fatos importantes como a transição do poder do reino para um novo protetor que acontece a cada 100 anos e da tentativa por parte de um povo inimigo em não permitir a concretização desse ritual devido o plano maligno de extinguir qualquer vida provinda da mata.

Utilizando-se de um belo visual, reforçado ainda mais se visto em 3D, o desenvolvimento ocorre apresentando as figuras que compõe o místico mundo dos pequenos homens, tendo muito do que já tinha sido mostrado por J.R.R Tolkien em suas obras, mesclando momentos cômicos com situações intensas muito bem orquestradas por imagens arrebatadoras produzidas pela equipe técnica da animação fazendo de Reino Escondido uma grata e emocionante diversão.


O ENREDO

Ambientado no atual tempo a aventura pela proteção da floresta tem início com a chegada de Maria Catarina à casa do pai, um lugar isolado de qualquer contato humano, após a morte da mãe e lá passa ter maior conhecimento dos pequenos Homens-Folhas apesar de relutante essa ideia.

Tendo um relacionamento pouco afetivo com o pai, devido a ausência dele durante boa parte de sua vida ocasionado pela incessante busca para comprovar suas afirmações relacionados a esses seres, a garota introvertida termina deparando-se com a rainha Dara, protetora dos Homens-Folhas e guardiã da floresta, e nisso termina sendo transportada ao quase invisível mundo dessas pessoas do tamanho de formigas.

Passando saber do perigo envolvendo os Homens-Folhas e um povo rival, os Boggans, liderados pelo intempestivo Mandrake, M.C é escolhida para uma missão que vai selecionar o sucessor da rainha Dara pelos próximos 100 anos.



OS PERSONAGENS

Como é de se esperar nesse tipo de animação existe personagens definidos para as determinadas funções da trama: a figura central, o interesse amoroso, os que apresentam conflitos de ideologias, aliados e as de alívio cômico.

Em Reino Escondido não é diferente todos esses tipos de figuras estão presentes, personificados de maneira clara e em alguns casos chegando até serem chatos, mas nada que possa atrapalhar o andamento da história enquanto outros tem um grandes valores a exemplo do cãozinho tripé Ozzy além do próprio Professor Bomba.

A narrativa do filme depende muito de como esses personagens vão sendo mostrados e de suas visões apesar do forte apelo visual há no desenvolvimento a ideia de como cada um ao seu modo pode fazer a diferença na busca pela proteção da floresta contra as forças malignas preocupadas apenas em destruir qualquer vida presente na mata.



A AVENTURA

Tendo de maneira clara o forte apelo voltado para o lado ecológico a aventura principal pela salvação daquele ecossistema desmembra-se em sub-tramas entre elas da importância de cada ser por menor que seja e seu papel como representante no ambiente sem esquecer da consequências das ações e reações.

Proteger a floresta da ameça dos terríveis Boggans é somente uma parcela do dever da rainha Dara que deve indicar sua sucessora através de um botão de flor que deverá florescer em uma determinada localidade, entretanto, para isso acontecer necessita passar por uma longa jornada ficando a cargo da missão Maria Catarina e alguns outros personagens incluindo Nod, quem surge como futuro interesse romântico.

Não existe grande reviravoltas durante a projeção e talvez isso torne tudo muito previsível e de certo modo batido, mas mesmo assim uma grata aventura provida de importantes valores.



Com o passar do tempo fica claro que Reino Escondido está mais voltado para um público já com alguma idade do que para crianças pequenas propriamente dita. Apesar da simplicidade do enredo existe certo apelo emocional, principalmente por parte de M.C em relação ao seu temperamento e dificuldade de convívio não somente com o pai, mas na assimilação envolvendo os Homens-Folhas e criaturas falantes.

A arte apresentada na projeção é sem dúvidas, até o presente momento, uma das melhores já produzidas numa animação. As cores são vívidas e delicadas, a textura no geral repassa todo o trabalho que se deve ter tido durante o processo de criação relacionados a profundidade, iluminação, ambientação tendo como exemplo a composição dos belos beija-flores que no filme são uma espécie de montaria alada.

Numa comparação livre dá para comparar Reino Escondido com a também aventura ecológica Avatar (2009), visual encantador, história bem amarrada, mas no entanto deixando claro estar faltando algo para elevar o nível do filme e isso fica nítido, a subtração de algum elemento que pudesse elevar a qualidade do roteiro, pecando pela simplicidade da história, não há na verdade grandes novidades.

Ao mesmo tempo que ouve a grande preocupação na composição visual parece que não existiu tanta assim com o roteiro, as soluções são obvias e a partir de determinado tempo já se imagina como será o andamento das coisas até sua conclusão. Nesse aspecto poderia ter sido melhor, mostrar ousadia, partir para uma experiência nova e não somente ficar preso no confortável lugar comum. Esse sem dúvida foi o maior pecado do filme.

Mas, isso torna a animação ruim? Não. Novamente se comparado a muitas produções atuais no gênero Reino Escondido tem sim suas qualidades além dos gráficos encantadores. Ele não se preocupa tanto em agradar a todos e isso fica visível na maneira como é contada a história, num meio termo consegue ter êxito por aquilo mostrado e isso faz com que seja um bom filme e que valha a pena ser visto.


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Trilha Sonora: O Colecionador de Corpos (2009)

Após o início da geração Jogos Mortais logo surgiram outros filmes seguindo na mesma onda do terror escatológico e num desses casos aparece O Colecionador de Corpos, de produção da mesma equipe técnica a franquia do vilão Jigsaw, incluindo o diretor, Marcus Dunstan, além do supervisor pela trilha sonora Jerome Dillon, ex-membro da conceituada, porém, pouco conhecida por esses lados de cá, banda de rock experimental Nine Inch Nails.

Banhado com muito sangue o filme narra a desventura de um ladrão que ao invadir uma casa precisará manter invisível enquanto um sádico serial killer tortura e mata membros da família que moram naquela residência, sucedendo situações de puro terror. Enfim, se olhado atentamente não tem lá grandes novidades apesar de ter agradado muito dos fãs desse tipo de seguimento pela violência e um roteiro não tão ruim como normalmente acontece nesses casos.

A trilha sonora apresentada no disco do filme (no original intitulado The Collector) chega ser uma grata surpresa trazendo em seu repertório boas canções de bandas alternativas a exemplo de Nico Vega com a música "Beast"; Bauhaus, banda pós punk britânica, com "Bela Lugosi's Dead"; e Patient 113 com a melodia que seria a principal do filme, "Awake to You", apresentada tanto no cd das músicas originais como dos arranjos sonoros.

Misturando diversos estilos, mas todos pendendo para o lado alternativo do gênero a trilha sonora de O Colecionador de Corpos acerta em cheio no quesito musical. Agrada pela apresentação onde de certa maneira transmite o clima sórdido, entretanto, não tão grotesco como também poderia ser esperado numa produção desse estilo, apesar do filme em si ser um grande aglomerado de decapitações, destripamentos e empalações.

No geral o cd acerta nas escolhas que o compõe, não chega ser de todo músicas frenéticas ou de ritmos mais forte, existe um meio termo, mescla muito bem tal fator contribuindo assim para uma melhor desenvoltura das canções, ora inquietas, ora calmas, contudo, sempre prezando pela musicalidade alternativa do qual faz parte da proposta incluindo o seguimento do metal, industrial, punk e blues.

Abaixo todas as faixas presente no álbum oficial do filme estão seguindo a ordem apresentada em The Collector - Original Motion Picture Soundtrack, disco lançado simultaneamente na estreia do filme nos cinemas, em 2009, contando ainda com participações de bandas conhecidas no universo do metal rock a exemplo de Korn, apresentando uma das suas canções mais populares, "Dead Bodies Everywhere".


"Beast" (Nico Vega, álbum Burn Burn)


"Awake to You" (Patient 113, álbum Awake to You)

"Bela Lugosi's Dead" (Bauhaus, álbum Bela Lugosi's Dead)


"I Feel You" (Depeche Mode, álbum Songs of Faith and Devotion)


"Dead Bodies Everywhere" (Korn, álbum Follow the Leader)


"Shut Up and Bleed" (Combichrist, álbum What the Fuck is Wrong whit You People?)


"Armenia" (Einstьerzende Neubauten, álbum Zeichnungen des Patienten O.T)



TRILHA SONORA

Lançamento: 31 de julho de 2009.
Gênero: Experimental, Rock Alternativo, Metal Rock, Industrial, Pós-Punk.
Artistas: Bauhaus, Combichrist, Depeche Mode, Einstьerzende Neubauten, Korn, Nico Vega, Patient 113.
Editorial: A trilha sonora uni a marcante melodia de Depeche Mode, a voracidade da banda Korn e o som gótico criado por Bauhaus num enredo de suspense sem igual que irá prender a atenção do inicio ao fim.
Duração: 48 minutos.
Download: Não há download disponível.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Saul Bass, o designer gráfico do cinema

Na última quarta-feira (8/05) foi aniversário de Saul Bass, falecido em 1996 aos 75 anos, um dos principais designers do Século XX, a postagem da semana será em sua referência, já que como poucos contribuiu de maneira massiva no desenvolvimento dos títulos dos filmes ou erroneamente conhecido como créditos iniciais, dando ao processo características, muitas das vezes, de pequenas estórias no qual apresentava o enredo da projeção principal compostos por elementos minimalistas, ou seja, sem grandes detalhamentos e cores contrastantes.

Nascido em Nova York, sendo filho de imigrantes judeus, graduou-se em design pela Brooklyn College tendo sido aluno de György Kepes, uma das mais importantes figuras do meio junto com László Moholy-Nagy, ambos húngaros, estes participando desde a concepção da Bauhaus na Alemanha e depois da New Bauhaus já nos Estados Unidos. Começou a carreira como ilustrador de cartazes antes de conseguir fazer aquilo que seria sua principal assinatura copiado até hoje, os títulos.

Entre parcerias de destaque trabalhou diversas vezes com Otto Preminger, a quem formou mais trabalhos, dentre exemplos, O Homem do Braço de Ouro (1955), Anatomia de um Crime (1959), um dos seus mais conhecidos, e Exodus (1960); Alfred Hitchcock em Um Corpo que Cai (1958), Intriga Internacional (1959) e Psicose (1960); outros diretores famosos como Billy Wilder, Stanley Kubrick, Danny DeVito e Martin Scorsese complementam a lista de grandes diretores com quem elaborou projetos.

Fora o universo cinematográfico foi responsável pela identidade visual de imponentes aglomerados comercial entre elas Alcoa, Warner Communications, United Airlines e Quaker, revelando não estar somente ligado a elaboração do conceito gráfico no cinema, mas a estrutura do design, gráfico, num todo. Os seus logotipos (por favor, não dizer logomarca) também viraram sinônimo de inovação e algumas delas permanecem inalteradas mesmo tendo mais de 40 anos.

Dono de um traço singular Saul Bass virou fonte de inspiração de muitos outros profissionais e isso é notado em aberturas de filmes não tão antigos como Prenda-me se for Capaz (2002), elaborado por Olivier Kuntzel e os títulos de Beijos e Tiros (2005), criado pelo designer gráfico Danny Yount, trabalhos que em clara referencia utilizam da estética concebida pelo premiado artista gráfico que dentre inúmeras nomeações foi vencedor do Oscar por melhor curta-metragem "Why Man Creates" (1968), sendo ele o realizador.




A forma criativa de apresentar o enredo dos filmes como Deu a Louca no Mundo (1963, vídeo), dirigido por Stanley Kramer, outro diretor com quem diversas vezes trabalhou, revela também a versatilidade de gêneros indo desde comédias descompromissadas à tensão dos suspenses hitchcockianos e da densidade dos dramas desenvolvidos por Otto Preminger dentre outros títulos Tempestade Sobre Washington (1962) e A Primeira Vitória (1965).

Na área de títulos para aberturas Saul Bass é considerado o principal pioneiro por explorar um seguimento até então de pouca importância dando entender que a maneira como a apresentação da ficha técnica tinha sim sua relevância e poderia contribuir não somente com informações envolvendo o elenco e as funções de cada integrante da produção, mas poderia ser um elo de ligação desempenhando diversos aspectos entre elas uma breve sinopse visual.

A sua contribuição transcorreu por gerações se bem verdade que durante alguns anos depois de iniciar o seguimento tornou-se figura obsoleta nas produções de Hollywood, por quase 10 anos não desenvolveu aberturas, até porque o processo de criação foi popularizado e outros designers começavam elaborar novos conceitos incluindo Robert Brownjohn (texto aqui), em alguns dos filmes da série James Bond, auxiliados pelas tecnologias que iam surgindo.

Já na sua fase final, durante a metade final dos anos 80 e início dos 90, volta novamente ao cenário através de Nos Bastidores da Notícia (1987), comédia romântica dirigida por James L. Brooks, até por fim trabalhar com Martin Scorsese nas produções Os Bons Companheiros (1990), Cabo do Medo (1991) e Cassino (1995), seu último trabalho, já que seis meses depois do lançamento Saul Bass morreria.

Como diretor de longa-metragens Saul Bass esteve à frente apenas da ficção científica, estilo filme B, Fase IV - Destruição (1974) onde formigas eram dotadas de grande capacidade de raciocínio e planejavam destruir tudo o que encontrassem pela frente, incluindo a existência humana. O filme ganhou status de cult com merecido reconhecimento por usar um roteiro bem escrito ajudado pela precisão de um mestre na arte visual.


terça-feira, 30 de abril de 2013

Hora de Aventura: A aventura infantil que não é bem para crianças

Poderia ser apenas mais um desenho infantil a exemplo de tantos outros de produção original Cartoon Network envolvendo personagens carismáticos com traços simples e como de costume em episódios retratando situações atrapalhadas, explorando a veia cômica da figura central e dos secundários, conseguindo arrancar risos e gargalhadas, conceito compartilhado em vários projetos do estúdio vinculado ao grupo Timer Warner, o mesmo que gere a Warner Bros, mas não é assim e passa muito longe de ser.

A primeira vista pode não parecer devido apresentação dos cenários compostos por cores vibrantes, ambiente normalmente ensolarado bem ao estilo fábulas, figuras delicadas mostrada a cada novo capítulo tendo principalmente nos cidadãos do Reino Doce, guloseimas providas de vida, seus principais coadjuvantes além da inocência do protagonista Finn, contudo, mascarado nesses fatores o enredo revela-se na verdade melancólico, levantando alguns questionamentos de teor adulto, exemplos: solidão e amores não correspondidos.

A estória se passa na Terra de OOO, até o presente momento nunca foi dito, mas existem indícios que seria a Terra num período pós-apocalíptico devido uma guerra nuclear mencionada como "A Grande Guerra dos Cogumelos", extinguindo os humanos, com exceção de Finn, do qual não se sabe a verdadeira história, originando as demais criaturas do lugar, provavelmente sendo mutações decorrentes os ataques, dentre elas demônios, gigantes, animais falantes, homens de neve, fantasmas, dimensões diversas e etc.

Em inúmeros momentos durantes as aventuras do menino humano e do seu amigo, o cão mágico, pode ser reparado destroços da antiga civilização, não sabe os motivos que levaram a guerra apenas da transição de mil anos até o tempo atual da animação. Provido de um passado incerto alguns dos personagens principais presenciaram o apocalipse sendo eles Marceline, a Rainha dos Vampiros, e Rei Gelado, antes conhecido como Simon Petrikov, um bondoso antiquário diferente do que se tornou.

Exibido atualmente no bloco HAHAHA, do Cartoon Network, do qual engloba ainda O Incrível Mundo de Gumball (artigo aqui), MAD e Apenas um Show (artigo aqui), todos claramente voltados para comédia, diferente de Hora de Aventura, que apesar das ocasionais situações engraçadas está distante de pertencer ao gênero cômico, estando mais próximo de ser como o próprio nome da série diz, aventura e ainda dramática, sendo uma mistura muito bem elaborada que faz jus a consolidação do sucesso em cinco temporadas até agora.


A HISTÓRIA DO PROGRAMA

Inicialmente Hora de Aventura foi produzido para Nickelodeon, principal rival da Cartoon Network, baseada num curta homônimo que fazia parte do projeto de novas animações intitulado Randon! Cartoons de autoria da Federator Studios, responsável por elaboração de desenhos como Os Padrinhos Mágicos e Fanboy & Chum Chum.

Como não existiu interesse do canal para desenvolvimento da série o episódio piloto terminou exibido na internet (vídeo), onde virou um dos mais vistos nos Estados Unidos, ganhando repercussão. Devido ao repentino sucesso a Cartoon Network acabou adquirindo os direitos sobre a animação para produzi-la.

A estreia aconteceu em meados de 2010 através do episódio "Pânico na Festa do Pijama" no qual já apresentada as características que fariam parte da identidade do desenho, um futuro alternativo sem seres humanos, dominados por animais e criaturas falantes, incluindo zumbis.






Pouco se sabe sobre a verdadeira formação da Terra de OOO e dos seus habitantes. Uma das possíveis teorias (acredito ser uma das mais plausíveis) é que "A Grande Guerra dos Cogumelos" foi provocada por uma invasão de criaturas de outras dimensões, a série já mostrou diversas vezes a pluridimensionalidade passando pelo que seria o inferno configurada através da Terra dos Mortos e da Noitosfera, até mesmo indo parar no planeta Marte governado pelo rei de lá, na verdade é o ex-presidente americano Abraham Lincoln.

No desenvolvimento do desenho quase inexiste informações do predomínio humano a não ser pequenos utensílios encontrados como antigas televisões, bicicletas, computadores, esqueletos e raros destroços de armas e edificações porque praticamente o lugar foi tomado pela vegetação, surgindo dessa forma florestas, bosques, pântanos além dos desertos e demais reinos como o do fogo e o gelado, preservando as características que dão nome aos reinados, vulcões para o Reino do Fogo e gelo no Reino Gelado além dos doces no Reino Doce.

A Terra de OOO ainda apresenta diversos tipos de princesas, curiosamente muitas sem mesmo um reino para governar ou parentes vivos, que são na maioria das oportunidades perseguidas por vilões, quase sempre pelo amargurado Rei Gelado (ele não é bem um vilão), recorrendo a Finn e Jake ajuda devido o fato deles serem os maiores heróis de OOO vivos. Ainda há outros tipos de personagens que fazem parte da realeza a exemplo de reis, duques e condes, mas de participações discretas.

O misticismo faz parte de OOO, inúmeros episódios retratam esse aspecto, incluindo o da terceira temporada "Morituri te Salutamus" (traduzindo, "nós que vamos morrer vos saudamos"), clara referência à época dos gladiadores romanos, representada por uma versão mágica do Coliseu habitada pelo estranho Rei da Luta revelando a existência de guerreiros fantasmas mortos na arena de batalha por seus próprios companheiros. Controlados pelo maligno anfitrião dando entender que melhores amigos terminavam se matando.

A geografia dessa terra dá sinais de ser irregular, talvez efeito das bombas nucleares lançadas durante a grande guerra apocalíptica, onde pode ser notado a proximidade de elementos distintos como terrenos áridos e glaciais, escondendo alguns tesouros seja moedas de ouro ou artefatos místicos, parte deles com grande força psíquica o que termina reforçando da tese da invasão de criaturas pertencentes a universos paralelos, quem sabe de um plano mágico, desencadeado assim "A Grande Guerra dos Cogumelos", uma possível retaliação a essa invasão.


PASSAGENS MUSICAIS

Uma das fortes presenças no programa é a vasta quantidade de músicas compostas para os episódios, sendo praticamente comum em todos os capítulos ter ao menos uma canção, salve raras exceções não contê-las.

Normalmente as letras tem como tema os sentimentos dos personagens abordando muitas das vezes suas dúvidas perante os outros, questionamentos sobre amizade, abandono e falta de afeto por parte de pessoas próximas como os pais, culpa, tristeza, saudade, amor. Uma demonstração dessa mistura musical é a canção "Minhas Melhores Amigas Neste Mundo", interpretada por Finn.

Essas cenas quase sempre são estreladas pelo jovem aventureiro e também por Marceline, a vampira rebelde. Essa quando canta revela ter um lado mais sensível do que aparenta, dando pistas que a atual personalidade é resultado de sequências desagradáveis ocorridas em sua vida.



Ao longo das temporadas indiretamente sempre foi dito que os humanos tinham sido extintos por uma catástrofe, quem sabe ligada ao Enchiridion, apresentado como livro dos heróis, por sua vez relacionada a coroa do Rei Gelado, essa enlouquecendo qualquer ser que a usá-la, e pelo o maior vilão da série, o Linch (na versão original dublado pelo ator Ron Perlman, o Hellboy), espírito de um maligno feiticeiro mestre nas artes negras que pode ter desencadeado o fim do mundo assim como aberto o portal para outras dimensões.

Até hoje não teve um episódio específico explicando as origens do apocalipse, quase todas informações são expostas em trechos muitas vezes imperceptíveis num primeiro olhar, revelando a necessidade de prestar atenção nos curtos onze minutos de duração a cada novo capítulo. As exceções ficaram por conta da passagens acompanhadas em "Segredos de Holly Jolly - Parte II", "Eu me Lembro de Você" "Simon e Marcy", narrando acontecimentos no passado durante o período da tragédia na visão do Rei Gelado (ainda humano) e Marceline.

Uma das chaves para tentar desvendar o mistério sobre o fim do mundo, é isso que está dando entender, esteja envolvido pelo passado secreto de Simon Petrikov (Rei Gelado) devido desde que ele passou a ter em posse tal coroa a Terra começou sofrer alterações e nisso sucederam vários acontecimentos, incluindo sua eminente destruição, o período pós-apocalíptico e o surgimento de novos serem que passaram a dominá-la, de início seres humanos transformados supostamente pela radiação das ogivas nucleares.

O ar pesado e de certa maneira sombrio desse lado da história da formação da Terra de OOO é constantemente amenizado seja pela pouca profundidade dada ou por outros contos de maior destaque na série, lembrando serem todos pano de fundo para uma história mais complexa, até porque normalmente não há continuidade de uma episódio para o outro, somente fragmentos de acontecimentos e revelações, como um imenso quebra-cabeças ainda em formação, entretanto, reforçando a ideia que o final do programa deve estar próximo.

Pode soar precipitado afirmar da possível aproximação do encerramento das incríveis aventuras de Finn e Jake, contudo, a própria animação dá entender isso. Durante a primeira temporada era apresentado a ambientação e construção dos personagens, a segunda e terceira da criação do misterioso passado da Terra de OOO e a vinda do cruel vilão Linch, atacando os moradores do Reino Doce, enquanto as partes quatro e início da quinta força entender das peças até então discretamente lançadas começarem a se juntar iniciando um único desfecho.


ENCHIRIDION, O ELO PERDIDO

A animação Hora de Aventura demonstra claros sinais de possuir elementos inspirados junto as obras de J.R.R. Tolkien e sua vastidão no quesito fantasia e como esperado neste ponto tendo alguns artefatos de grande fonte de poder capazes de mudar o destino do mundo, dessa maneira surge em cena o manuscrito Enchiridion.

O livro seria a resposta para maioria das dúvidas no qual gira o mistério de OOO, nele estão uma série de feitiços que sugere a expansão de novas dimensões até aquele momento desconhecidas, no entanto, numa situação ainda não revelada algo acontece e as pessoas incumbidas nas tentativas de desvendar esse segredo acabam amaldiçoadas, entre elas Simon.

Simon Petrikov tendo em mãos a coroa que originaria mais tarde o Rei Gelado passa ter terríveis previsões sobre a tragédia pagando um alto preço para se manter a salvo inclusive sua sanidade e seu grande amor.



Um dos melhores episódios até hoje da animação sem dúvida alguma foi "Simon & Marcy" por fazer paralelo com o passado de Marceline e do Rei Gelado no período que a humanidade ruiu começando então a aparição de novas criaturas no lugar dos seres humanos, de início deformadas, numa época devastada pelos mísseis nucleares. Simon, já sofrendo transformações devido uso constante da coroa, era o único protetor da jovem vampira, ainda criança, em meio a destruição onde aparentemente só havia restado eles.

O capítulo quatorze da quinta temporada (ainda não transmita no Brasil) transcorre quarto anos após "A Grande Guerra dos Cogumelos", narrado por Marceline, já que o Rei Gelado não recorda desse tempo porque a coroa terminou roubando a sanidade apagando da memória quem ele era antes, a destruição do mundo e as pessoas que fizeram parte da sua vida; esse aspecto mostra que a loucura do rei é justificada e que sua busca por princesas tem fundamento decorrente a perda da noiva, Betty, e da solidão ao longo dos séculos.

Diferente do que é normalmente mostrado na série esse episódio conta em detalhes a luta pela sobrevivência de Simon, naquela circunstância com 47 anos e não mais 23, quando encontrou a coroa na Escandinávia, e de Marceline, 7 anos, numa terra devastada e sem algum sinal de melhoras ou ajuda. O ambiente retrata cidades desertas na qual escondem multantes asquerosos, pouco parecido dentre as devidas proporções e através do cenário criado, com o clima pós-apocalíptico de The Walking Dead.

Algumas perguntas anteriores são respondidas entre elas a profundidade da relação vivida por Simon e Marceline onde ele termina suprindo a necessidade de pai por parte da garota e ela também desempenhando um papel fundamental na história do futuro rei do gelo no qual é dito que "Gunter", nome dado pelo rei aos seus pinguins no tempo atual que a trama se desenvolve, em especial a um considerado o ser mais malvado de todos, segundo Hunson Abadeer, pai de Merceine e senhor absoluto da Noitofera, pode ser na verdade referência a outro apelido de Marcy.

Uma passagem com grande carga emocional, tornando até mesmo a assimilação por parte de quem tenha mais idade complexa, transmitindo a ideia que é possível após acontecimentos catastróficos existir esperança do surgimento de bons sentimentos incluindo amizades inusitadas. É um dos melhores, talvez até aqui possar ser o melhor dos episódios, graças a ousadia em não mascarar fatos tão importantes para entendimento do enredo geral, abrindo espaço para fortes acontecimentos ligados ao desenrolar da história.


MARCY E AS LEMBRANÇAS

A única personagem que se lembra de toda transformação sofrida pela Terra de OOO é Marceline. Ela sobreviveu, ainda sem explicação de como ficou sozinha antes de ser encontrada por Simon, a guerra nuclear, viu o surgimento das novas espécies predominantes, a ascensão dos reinos que foram sendo criadas ao longo do tempo e as novas dimensões.

Durante esse processo, por enquanto implícito,  passou por grandes desilusões envolvendo o pai, o próprio Rei Gelado e um antigo namorado que terminou desfazendo de seu ursinho de pelúcia, Hambo, dado a ela por Simon Petrikov quando a encontrou chorando junto a destroços de uma cidade fantasma.

A inusitada amizade dela com Rei Gelado foi somente revelada já perto da conclusão da quarta temporada também trazendo à tona todo carinho que ambos tinham um pelo outro, esquecida através do tempo (vídeo).






No ar há três anos Hora de Aventura assim como Apenas um Show virou referência no processo de transformação das produções Cartoon Network, fugindo dos clichês ocasionais nesse gênero, partilhando da mesma excelência apresentada em programas já concluídos do próprio canal a exemplo de As Trapalhadas de Flapjack e Chowder que apesar de não terem sido muito prolongadas, ambas com três temporadas, tornaram-se fonte de inspiração para trabalhos posteriores projetando também novos animadores entre Pendleton Ward e J.G. Quintel.

Atingindo uma grande quantidade de fãs a série estralada pelo menino humano provido da imaginação e seu amigo cachorro com poderes mágicos juntos explorando um imenso mundo fantasioso repleto de grandes histórias para serem desvendadas e desafios a serem vencidos agradou tantos crianças quanto adolescentes, adultos e a crítica especializada, classificando como um dos desenhos mais inovadores da Cartoon Network em anos, recebendo diversas nomeações de prêmios importantes, exemplo, Primetime, Annie, Sundance e Golden Reel.

Provido de uma inegável qualidade técnica Hora de Aventura agrada diversas faixa etárias decorrente o conteúdo bem apresentado e desenvolvimento coeso, um desenho incrivelmente amadurecido, contudo, não pendendo para um segmento. Mistura valores humanos, encontra soluções inteligentes relacionada a situações inusitadas, transmite a ideia que nem sempre a violência é a resposta para derrotar um oponente, mas dar afeto pode resolver certos atritos e a visão profunda de alguns dos personagens principais.

No Brasil que apesar da excelente receptividade local do programa foi lançado somente um dvd oficial intitulado "Hora de Aventura com Finn & Jake, Vol. 1", contendo apenas seis dos vinte seis episódios da primeira temporada deixando muito a desejar por parte dos responsáveis pela criação e distribuição, neste caso a Warner Home Video, enquanto nos Estados Unidos já foram produzidos seis boxes sem contabilizar o blu-ray, reforçando a ideia de como nesse quesito pouco se dá importância ao desenvolvimento de produtos voltado ao público alternativo.

Sem exagero, Hora de Aventura é uma animação merecedora do sucesso adquirido ao longo das temporadas, virando um dos desenhos da moda, nele há de um tudo um pouco passando até mesmo por elementos comuns do famoso jogo de rpg Dungeons & Dragons, um universo construído de forma harmônica a partir do momento que o mundo acabou e recomeçou das cinzas, é engraçado e simultaneamente trágico, emociona e faz refletir, um programa infantil que não é propriamente voltado para crianças pequenas.


PENDLETON WARD, O CRIADOR

Inspirando-se nas obras celtas medievais do qual é declaradamente admirador Pendleton Ward, ou simplesmente Pen, criou Hora de Aventura após outras tentativas junto a Federator Studios, sendo a primeira uma produção independente intitulada Barrista (vídeo) tendo um pequeno urso como protagonista, servindo de base para Finn.

Anterior ao desenvolvimento da sua principal criação participou do projeto Random! Cartoons onde expôs a primeira versão de "Adventure Time" e também The Bravest Warriors, webshow facilmente encontrado no Youtube, possuindo traços similares aos personagens da enigmática Terra de OOO.

Já na Cartoon Network trabalhou na elaboração dos roteiros e storyboards de As Trabalhadas de Flapjack ao lado de J.G. Quintel, quem conheceu ainda durante o período acadêmico na CalArts (Instituto de Artes da Califónia), antes de conseguir espaço para lançar as aventuras de Finn.

   

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O velho Mortal Kombat do Mega Drive

O início dos anos 90 apresentou grandes novidades enquanto jogos no gênero luta, cada vez mais populares na época, a exemplo do Street Fighter II e Fatal Fury: The King of Fighters, que se dispunham fazer os jogadores lutarem entre si ou então sozinhos em combates divididos em dois rounds. Aproveitando desse embalo foi lançado através da Midway Games, no verão de 1992, o polêmico Mortal Kombat onde os confrontos eram mais violentos e os personagens poderiam ser mortos explicitamente pelo oponente de maneira sádica, causando certo desconforto no início.

A franquia criada pelo programador Ed Boon e pelo game designer John Tobias logo despontou entre os favoritos ganhando destaque através de algumas características que terminaram virando marca registrada da série, além do extremo teor violento envolvendo empalações, decapitações e mutilações revelou também um forte lado cômico, principalmente de humor negro, no qual era possível ver em meio uma disputa aparições desde disco voadores ao Papai Noel, gerando dessa maneira contrapeso ao banho de sangue.

Outro aspecto que terminou sendo importante na história do Mortal Kombat foi a utilização de atores na caracterização dos personagens e nos movimentos dos mesmos tentando aproximar ao máximo do real com o que se podia chegar naquela época em equipamentos de 16-bits, originalmente no Arcade, e essa peculiaridade também contribuiu para a boa aceitação do público além de alguns bordões como "finish him" quando se poderia matar o rival através do fatality e do icônico "toasty", a partir do segundo jogo da série.

Assim como sucedeu entre Sonic the Hedgehog vs. Super Mario, igualmente aconteceu com Mortal Kombat encontrando em Street Fighter um adversário a ser batido. Diferente da rivalidade Sega x Nintendo a disputa aqui não se tratava da supremacia de um único console, ambos os jogos tinham versões nas duas plataformas, mas do gosto popular pelas franquias para ver qual era o preferido e o mais rentável chegando a migrarem para outras mídias a exemplo de desenhos animados e cinema.

Enquanto Street Fighter presava pela típica rivalização entre figuras boas e más Mortal Kombat procurou ir além apresentando dualidade no qual os heróis poderiam ser responsáveis por desfechos contraditórios e os vilões possuírem alguma decência como Scorpion, fantasma de um ninja covardemente assassinado e que retorna do reino dos mortos com o objetivo de matar seu executor, Sub-Zero. No geral o tema vingança é abordado frequentemente sendo no básico o principal motivo de quase todos os envolvidos no jogo.

Tantas novidades, algumas delas excêntricas, verdade seja dita, foram responsáveis em transformar a série numa das mais significativas daquela geração não apenas pela violência desacerbada, mas pelos avanços tecnológicos e soluções de jogabilidade permitindo melhor controle sobre os personagens, fatores tão relevantes quanto Street Fighter, no final dos anos 80, modelou o gênero da forma que terminou ficando conhecido. Sem dúvida alguma Mortal Kombat, na trajetória dos videogames, tem seu destaque com merecido louvor.


Os três primeiros lançamentos da franquia são na verdade uma única história que se inicia num torneio de arte maciais denominado Mortal Kombat, anteriormente conhecido como Torneio Shaolin, no qual poderá decidir o destino da Terra onde um exército de outra dimensão liderados pelo cruel tirano Shao Kahn quer dominar o plano terreno e para isso necessita vencer 10 edições como não pode estar presente na dimensão devido imposição dos deuses anciões é auxiliado por Shang Tsung, antigo vencedor do torneio que passou a vida se dedicando as magias negras.

No Mortal Kombat de estreia (1992) todo jogo transcorre apenas na ilha onde acontece o torneio sendo sete cenários assim como sete personagens jogáveis, cada um com objetivos diferentes, mas no geral se resume em vencer a competição para impedir a invasão à Terra ou para conquistá-lá. Dentre algumas inovações para época é nele que surge a arena The Pit, uma das mais populares até hoje, dando oportunidade de matar o oponente atirando num poço repleto de estacas presas ao chão.

Um ano após, na continuação, os combates antes ocorridos na ilha passam agora para o reino de Outword (governado por Shao Kahn) já que lá o seu exército de guerreiros teria vantagem e ao mesmo tempo planejando a invasão a EarthRealm, como é conhecido a Terra, devido o fato dos principais guerreiros do último torneiro como Liu Kang e Johnny Cage estarem envolvidos na nova disputa enquanto Sonya fora raptada pelas tropas inimigas. As novidades ficam por conta da aparição de novos personagens entre eles Baraka, Kung Lao e Kitana.

A parte final da trilogia vem em 1995 com MK3 quando em meio ao torneio realizado em Outword secretamente Shao Kahn concretizou a invasão ao plano terrestre matando milhares de pessoas incluindo o astro Johnny Cage e agora as regras dos deuses anciões não se aplicam mais e com isso as lutas são realizadas em meio as cidades da Terra além de Outword. Talvez seja o melhor dos três (melhorado no Ultimate) encerrando de maneira grandiosa a estória desenvolvida por seus criadores de forma coesa.

No passar dos anos um jogo foi completando o outro e as novidades que iam surgindo reforçava cada vez mais a qualidade presente, nenhum dos três desse período pode ser considerado abaixo da média, estão todos de acordo com o que melhor poderia ser explorado naquela realidade. Uma série divertida, violenta, bem planejada e executada conseguindo uma legião de fãs principalmente pela criatividade, no geral, capaz de fazer pessoas através de muito sangue se divertirem com os duelos, mas sempre na expectativa do aguardado "Fatality".



Quando lançado o Mortal Kombat apostou em fazer algo diferente do que até então tinha sido apresentado em outras franquias do seguimento luta, usar atores para caracterizar personagens, simular seus movimentos e dar maior veracidade misturando figuras reais junto as criadas a partir da computação gráfica buscando fazer algo de impacto, nesse ponto acertando, e dando ao jogo um dos mais belos visuais daquele período.

Rico em cores, texturas e efeitos especiais como os golpes secretos e simulação de fogo (foto) revelou o quanto poderia ser explorado no universo da programação de games, transpor a ideia do que já tinha sido moldado para o gênero, mostrar novos arranjos, elaborar enredos a esse tipo de jogos (Fatal Fury também fez isso, mas se aproximando mais de Street Fighter) e provocar a morte do adversário, algo inédito.

A jogabilidade não apresentava nenhum mistério, três botões, sendo um para soco outros dois para chutes o que facilitava a realização dos golpes especiais, cada lutador tinha possibilidade de realizar dois movimentos diferentes mesmo defendendo o oponente perderia uma pequena quantidade da barra de sangue e tudo isso em constante movimento tornando ágil para quem estivesse controlando o joystick.

Bem ao estilo filme de arte maciais, exemplo, Operação Dragão (1973) e O Grande Dragão Branco (1988) a série de jogos eletrônicos soube aproveitar desse lado passando pela trilha sonora, ambientação e personalização onde Liu Kang é uma homenagem direta ao ator chinês Bruce Lee, nessa primeira versão dá para notar muita semelhança, e Johnny Cage ser inspirado no astro Jean-Claude Van Damme, que por conflitos de agenda não pode participar do projeto.

Um jogo com feições cinematográficas e fácil de ser controlado no qual não necessitava de grandes esforços para compreendê-lo sendo dividido em três partes, combates de um contra um adversário, duelos um contra dois e os confrontos com o sub-chefe Goro e o grande chefe, neste caso Shang Tsung, que tem a possibilidade de se transformar nos demais lutadores, fortalecendo o carisma adquirido logo em sua estreia.


Com o repentino sucesso do primeiro título da série logo foi planejado a continuação melhorando aquilo que tinha virado assinatura principal do jogo, a violência. Nesta versão o sangue jorra a cada golpe aplicado, sempre de maneira exagerada, em cenário sombrios diferente da ilha do torneio, aqui tudo é mais escuro e pesado misturando tonalidades fortes, destacando também a forma melhor trabalhada dos lutadores.

Se por acaso existe um ponto negativo em MKII talvez fique por conta da trilha sonora, parece muito ainda com a da versão anterior, entretanto, o clima criado naquele pouco parece com este. O game de 1992 possuía claras referências aos chamados filmes shaolins como nas muitas arenas criadas, a figuração e claro nas musiquinhas bem enquadradas naquele ambiente típico enquanto o sucessor tem contornos apocalípticos, mas, esse deslize não interfere em nenhum momento nas qualidades.

Contando agora com a presença de Jax, Baraka, Milena, Kitana e Kung Lao além de Shang Tsung e Reptile na função de personagens jogáveis o plantel de lutares expandiu incluindo ainda boa parte de figuras do primeiro jogo com a exceção de Kano e Sonya, já que pelo enredo do jogo são aprisionados por Shao Kahn e suas tropas, aparecendo apenas na função de figurantes no cenário Kahn's Arena. É nessa continuação que Liu Kang termina passando por uma transformação radical, antes parecido com Bruce Lee, agora com estilo próprio.

Todas as mudanças contribuíram para melhor desempenho da sequência tornando assim como o antecessor um marco na trajetória da série, quem sabe, o mais significativo já que foi a partir deste que o Mortal Kombat consolidou as características que até hoje permanecem, cores fortes, utilização de elementos orientais obscuros e mesclando com grandes doses de violência reforçado com arenas mais sangrentas a exemplo de Dead Pool, The Pit II e Kombat Tomb, todas contendo fatalities particulares.

Considerado por muitos dos fãs como o melhor da trilogia (não me incluo nessa porcentagem) MKII cumpriu seu dever, continuar o sucesso da primeira parte e ser o elo de ligação perfeito para a conclusão da fase Arcade, já que os jogos eram lançados primeiro nesse sistema e só depois ganhavam adaptações para consoles caseiros como Mega Drive e Super Nintendo, sendo um dos principais games daquele ano.


Após a estrondosa repercussão de Mortal Kombat II, sem dúvida o de maior impacto para época, ouve a necessidade de criar uma última parte tão boa quanto dando o devido desfecho a trilogia então veio em 1995 o MK3, um jogo com gráficos mais refinados, cenários melhorados no qual alguns poderiam no meio da luta dar para outros dependendo do golpe aplicado e claro, novos personagens e remoção de outros.

No grupo de lutadores estrantes aparecia também uma novas classes de guerreiros conhecidos como cyber ninjas no qual fazem parte Cyrax, Sektor e Smoke. Bem verdade que alguns dos novos personagens pouco acrescentava e pouco cativava como o índio xamã Nightwolf, Kurtis Stryker, um policial da SWAT, e Sheeva, uma versão feminina da raça a que Goro pertencia, já outros a exemplo de Sindel tornou-se ótima surpresa além do retorno de Kano e Sonya.

Dentre novidades em termos de jogabilidade surgiram o botão de correr junto ao medidor de corrida possibilitando a execução de combos, Kombat Kodes que permitia tornar acessível personagens secretos ou versões clássicas como Sub-Zero, já que neste ele aparece sem máscara e usando roupas diferente das edições anteriores pelo motivo de ser outro ninja de mesmo nome, Animality sendo uma versão do Fatality onde o vencedor transforma num animal e assassina o oponente (quase sempre pendendo para o lado cômico).

Enquanto parte gráfica este é o melhor da série Arcade, agora é totalmente digitalizado com recurso tridimensional para composição das arenas, algumas belíssimas, exemplo, Kombat Temple ou popularmente conhecida como The CathedralJade's Desert onde é possível ver Cyrax afundando preso na areia e The Subway onde existe o "Stage Fatality" no qual um trem atropela um adversário derrotado. Há também distinção entre os sangues sendo vermelho, verde ou preto dependendo do personagem.

Apesar tantas inovações e melhorias técnicas para muitos dos fãs é considerado o mais fraco (discordo completamente) por inserir elementos desnecessários, aos críticos, como Brutality. No meu entendimento é um jogo tão bom quanto os demais por preservar rigorosamente as características marcantes da série, divertir ao mesmo tempo ser violento, exagerando no sangue e mortes, até mesmo levando para um lado absurdo, contendo bons momentos de humor negro além de ser tão sombrio quanto o segundo.

O Mortal Kombat 3 é um jogo que não compromete a história criada para o desenvolvimento do enredo abordado lá no primeiro da franquia, cumpri seu papel que é de encerrar a invasão do Reino de Outword ao plano terrestre. As lutas são muito bem elaboradas, existe vários modos de desafio no qual é o jogador que escolhe, o visual é excelente, sem esquecer a apelação sem igual de Shao Kahn e sua mareta maligna.


ULTIMATE MORTAL KOMBAT 3

Na realidade o Ultimate Mortal Kombat 3 foi uma atualização do MK3, lançada em 1996, onde muitas coisas que antes só se conseguia através de códigos estavam liberadas para essa versão incluindo personagens antes não selecionáveis como Ermac, Rain, Montaro e Shao Kahn, no modo versus, além dos combates em duplas onde quatro personagens lutavam simultaneamente.

O enredo continuava o mesmo no qual Shao Kahn invadia EarthRealm para conquistá-la e nisso os combates aconteciam entre Outword e a Terra; os gráficos e cenários continuavam os mesmos, incluindo a arena The Graveyard, nela é possível ver uma lapide com o nome de Cage em referência ao astro dos jogos anteriores Johnny Cage, morto na transição para o terceiro título da série.

Sem grandes novidades no quesito inovação o Ultimate Mortal Kombat 3 veio para preencher as lacunas deixadas em aberto no MK3, tarefa que realizou bem, consolidando a sequência.



Com a finalização dos três jogos e atualização realizada em 1996 no Ultimate Mortal Kombat 3, última para consoles do tipo 16-bits a exemplo do Super Nintendo e Mega Drive, curiosamente foi no Mega Drive que a franquia teve melhores desempenhos nos videogames caseiros daquele tipo, e da copilação Mortal Kombat Trilogy (Sega Saturn, Nintendo 64, PC e PlayStation), também de 1996, começava ser planejado agora uma nova aventura.

Em poucos anos o Mortal Kombat construiu um nome respeitado no seguimento influenciando outras séries de jogos eletrônicos, não apenas do gênero luta, mostrando que a violência extrema poderia ser utilizada como recurso de entretenimento e com isso dar aos jogadores versões sangrentas e poucos convencionais. Mesmo indiretamente terminou sendo dos responsáveis pela criação da ESRB, uma organização que classifica os jogos de videogame por faixa etária nos Estados Unidos, devido o teor apresentado.

Mas, apesar de uma primeira fase celebre no inícios dos anos 90 a série começou declinar entrando num verdadeiro estado de ostracismo e o primeiro passo em falso aconteceu na continuação direta, Mortal Kombat 4, inteiramente em 3D, entretanto, a qualidade duvidosa dos gráficos e jogabilidade fraca terminou considerado o pior de todos até hoje lançados por estar muito aquém dos antecessores.

Na tentativa de explorar personagens populares os produtores da série lançaram sequências independentes mudando do gênero luta e indo para o estilo aventura, ambiente até então nunca mencionado, exemplo, Mortal Kombat Mythologies: Sub-Zero, Mortal Kombat: Special Forces, Mortal Kombat: Shaolin Monks, todos sem exceção duramente criticados pela má qualidade apresentada, atípicos e até mesmo sem alguma noção como Special Forces que na verdade é um jogo sem qualquer referência ao Kombat trazendo somente Jax na função de protagonista e Kano na de vilão principal, nenhum pouco expressivo.

Buscando reviver o áureo tempo do Arcade, incluindo a fase Mega Drive, no ano de 2011 foi lançado o reboot do período clássico através de Mortal Kombat ou como ficou apelidado MK9 (não é uma nomenclatura oficial) trazendo no plantel todos os lutadores dos três jogos iniciais numa nova visão dos fatos acontecidos no enredo apresentado naquele período relacionando o torneio ocorrido na ilha até a invasão de Outword à Terra, honrando os bons tempos das origens.